
Há 46 anos, o Grupo Gay da Bahia (GGB) iniciou uma jornada de insurgência e coragem que transformou a história dos direitos humanos no Brasil.

Instalação “Oraculo da Resiliência ” IX Semana da Diversidade
Hoje, escrevo a você não apenas como presidente desta instituição, mas como alguém que acredita que a nossa visibilidade é a nossa maior proteção. A 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia, marcada para o dia 06 de setembro de 2026, é o ápice dessa luta.
Ela é o momento em que ocupamos o espaço público para dizer que existimos e que não recuaremos. No entanto, realizar um evento desta magnitude, com a dignidade e a segurança que nossa comunidade merece, exige um esforço financeiro que ultrapassa nossas capacidades institucionais isoladas.

Ocupar as ruas de Salvador com a 23ª Parada LGBT+ é, antes de tudo, um exercício de cartaz coletiva. Por décadas, a malha urbana nos foi negada; nossos corpos eram confinados ao silêncio ou à patologização. Retomar esse espaço não é apenas um ato político, é uma intervenção direta na saúde coletiva. Quando reafirmamos nossa existência em praça pública, ativamos um poderoso ativo psicológico: o sentimento de pertencimento.

A ciência do cuidado nos ensina que o estigma adoece, mas a visibilidade cura. Os quilombos sempre souberam disso: o território é o espaço onde a identidade se fortalece e a resistência se torna vida. Ao marcharmos do Campo Grande ao Farol da Barra, transformamos a cidade em um quilombo contemporâneo, onde o pertencimento é o remédio contra a invisibilidade.
Ocupar é um ato de liberdade, uma insurgência estética que prova que nossa saúde floresce onde a nossa dignidade é celebrada. Do coração de Salvador ao mundo, a rua é o nosso lugar de cura.
Foto Correio da Bahia,II Parada Gay da Bahia, 2003
