
Por Renata Fehlauer, Head Instituto Vakinha
Nos últimos dois anos, a transformação digital deixou de ser um “luxo corporativo” e se tornou uma aliada vital. No Terceiro Setor, a Inteligência Artificial (IA) ainda é vista com ceticismo, sob o receio de que algoritmos substituam o toque humano.
No entanto, o ato de humanizar o impacto é justamente utilizar a tecnologia para absorver tarefas repetitivas e burocráticas, devolvendo aos gestores o ativo mais precioso: o tempo.
Assim percebemos que a IA não veio para substituir o voluntário, mas para ser um motor de eficiência que potencializa a filantropia estratégica.
Além da eficiência interna, a IA revoluciona também a experiência do doador. Chatbots inteligentes e sistemas de personalização permitem que as entidades mantenham um diálogo constante e transparente com sua base de apoio, sem sobrecarregar a equipe. Essa agilidade na comunicação fortalece a confiança e a transparência junto à sociedade civil, pilares fundamentais para o Instituto Vakinha.
Segundo a Forbes Technology Council, “a verdadeira humanização tecnológica ocorre quando a IA remove as fricções do processo, permitindo que a conexão entre quem ajuda e quem é ajudado seja direta, profunda e livre de barreiras burocráticas.”
A análise de dados em larga escala também permite uma tomada de decisão baseada em evidências, algo que historicamente era difícil para pequenas instituições.
Com algoritmos de Machine Learning, uma organização pode identificar quais projetos têm maior impacto social e onde os investimentos são mais urgentes. Mais do que “frieza estatística”, o uso da inteligência garante o melhor uso dos recursos, assegurando que nenhum centavo seja desperdiçado.
Como aponta a Microsoft em seu programa AI for Good, “a tecnologia serve como um “amplificador de capacidades humanas”, permitindo que causas locais ganhem escala global com estruturas enxutas.”
Em suma, a Inteligência Artificial é a ferramenta que permite ao Terceiro Setor escalar a solidariedade sem perder a essência. E ao automatizarmos o que é mecânico, abrimos espaço para o que é essencialmente humano: a empatia, a criatividade sensível e o acolhimento.
Logo, o futuro das doações não é apenas digital, mas profundamente humano e otimizado por máquinas, que trabalham nos bastidores para que as pessoas possam ser o centro do espetáculo.
Assim, a IA não representa “o fim da humanização”, mas o meio para garantir que o impacto social seja cada vez mais presente e transformador.