
A benção de todos os meus mais velhos e de todos os meus mais novos,
Com grande alegria escrevo essa carta/descrição. Sou Walla Capelobo, nome que me lembra sempre da força que é se libertar. Desfaço as linhas invisiveis do genero que me foi imposto e logo acesso forças que faz meu espitiro florescer. Filha das matas das minas gerais e que hoje vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Os milagres devem ser celebrados e contados. Sou filha de milagres, todo dia os realizo. Não os faço sozinha. Caminhei no tempo e me vi cercado deles, faço parte de um imenso circulo de milagres, por ser circular não tem inicio e sem fim. Teço travessias para homenagear as minhas mais velhas milagreiras e com elas aprender a viver a distopia ficcional brasil. Conto o que a sensibilidade da minha pele pede pra contar. Desperto com ervas a memoria de que sou filha de reis e rainhas.
Alegremente recebi a aprovação no congresso anual organizado pela AfTA -Africa Theatre Association de recorte tematico Mobility, Identity and Change: African People and Theatre Forms in a Postcolonial World. A realização do evento sera entre os dias 25-27 de julho em Luanda, Angola. Contando com a presença de pesquisadores africanes e das diaspora africana da America Latina e Caribe. Uma oportunidade unica de vivências e pesquisa.
Como aluna da UFRJ tentei pleitiar da instituição o recurso das passagens, mas na situação politica brasileira atual isso não foi possivel. Recebi de muito gosto um valor que consegui cumprir o valor da taxa de inscrição para o evento, que me dá o direito a hospedagem durante o evento.
No evento comunicarei sobre a realização feita por mim de nome Travessia ao Rosario, caminhada entre dois pontos na cidade de Congonhas-MG. Vejo o perigo na minha frente e troco de rumo, vou atrás de quem me conhece mais que eu mesma. Sinto o vento e sei que estão comigo. Chego na Igreja sécular Nossa Senhora do Rosario dos Pretos, onde vive a força de quem possibilitou eu escrever e viver hoje.
Ir a Luanda é um movimento fundamental na minha existência. Retornar a terra das minhas ancestrais. Trocar com irmãs e irmãos formas de cura que o mundo nos causou. Valor imenso para a minha construção enquanto sujeita e pesquisadora. Um ditado africano diz que "Quando você segue as pegadas dos mais velhos, aprende a andar com eles". Estou indo caminhar com eles.
Conto com ajuda de vocês,
Com amor,
adupé.
axé
Walla Capelobo