

Omar e Laurie, junto com seus 4 filhos: Laurie Mar (17), Omarlie (16), Omar (14) e Laura (5), viveram 6 anos em Lima, Peru. Tinham seu próprio negócio de comida, devidamente registrado. Ao longo desses anos foram vítimas de vários episódios de bullying e de xenofobia contra venezuelanos no Peru, o que os levou a optar por sair do país e buscar um lugar onde pudessem viver e trabalhar sem ser perseguidos nem humilhados. Nessa busca de “liberdade” decidiram contatar familiares nos Estados Unidos para emigrar para lá por meio da Permissão Humanitária de permanência temporária (Parole Humanitário) que o Governo dos Estados Unidos concede a venezuelanos que precisem entrar urgentemente nesse país para, no caso deles, reunificação familiar.
Eles iniciaram os procedimentos do Parole, e foram informados de que havia sido aprovado. Venderam tudo o que tinham para poder viajar. No entanto, no dia da viagem, foi-lhes proibido viajar. Motivo: O Escritório de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) negou as autorizações de viagem porque, no momento do procedimento feito através da companhia aérea, esta registrou sua residência no Peru como “Permanente”, quando deveria ter sido como Temporária. Em seguida, eles receberam a notificação onde foram informados de que suas Autorizações de Viagem haviam sido negadas e que já não podiam ir aos Estados Unidos.
Ficaram em uma situação muito crítica: sem trabalho, sem lar, sem pertences e tendo renunciado ao seu status de residente no Peru.

Tinham 15 dias para sair do país ou ficariam como cidadãos ilegais sem documentos.

Viajaram da cidade de Lima, Peru até a tríplice fronteira entre Bolívia/Peru/Brasil, na cidade de Assis, Acre. Fizeram um percurso de uns 2.000 km por terra, que durou quase 3 dias de viagem.
Chegaram a Assis, onde realizaram seus trâmites na Polícia Federal e puderam fazer seus documentos migratórios para entrar no Brasil.

No entanto, entraram em um momento considerado o maior desastre ambiental na história do Estado do Acre, onde 86% do Estado foi afetado por inundações, 19 cidades em emergência, 100 abrigos públicos e mais de 18.000 pessoas perderam seus lares. Omar diz que viram muitos caminhos inundados, muitas plantações e cultivos debaixo das águas, casas inundadas, era uma cena de terror.
Estando em Assís, buscaram abrigo no Centro de Assistência Social (CREAS) do Governo Federal.

Como não tinham quartos disponíveis, lhes ofereceram dormir no corredor ao ar livre.


Omar conta que a maior dificuldade foi dormir fora da casa e que tiveram muitas picadas de mosquitos, e ainda preocupados por serem contagiados de dengue. Por seu lado, Lauri (mãe) tem estado com as pernas e pés inchados enquanto que Laura (5 anos) esteve com muita febre e alergias causadas pelas picadas de mosquitos.





Omar relata que o tratamento, o respeito e o acolhimento ali no Hospital e nesse pequeno abrigo foram incríveis, apesar de simples e humilde que era, nunca houve nenhum problema. Sempre estiveram atentos e a comida era muito boa. No entanto, apesar de que a capacidade dessa casa era para umas 40 pessoas, havia mais de 80 no recinto.
Estiveram nesse abrigo por 8 dias. Na segunda-feira 04 de março às 9:00H conseguiram partir para Rio Branco em um ônibus de Serviço Social em uma viagem de 6 horas. Ao chegar nessa cidade, esperaram para sair em outro ônibus até Porto Velho, Rondônia, em um percurso de 11 horas de viagem.

Chegaram a Porto Velho, RO, na terça-feira 05 de março às 6:00H. Imediatamente foram até o local da organização Cáritas Brasileira, que ofereceu abrigo para Omar e sua família, além de vales para almoço.

No entanto, Omar explica que neste ponto, já se encontram com pouco dinheiro para avançar em sua viagem até Maringá. O abrigo está com o dobro da sua capacidade. Laurie, sua esposa, ainda está com as pernas inchadas e sua filha mais nova continua com feridas infectadas pelas picadas. Receberam atendimento médico mas tiveram que gastar dinheiro também em medicamentos, assim como nas refeições como café da manhã e jantar.
Aproveitando a estadia nessa cidade, conseguiram tirar os CPFs de todos na família.
O dinheiro está acabando e não têm como continuar sua viagem. A família será recebida e acolhida em Maringá, com oportunidades e com tudo o que precisam, mas não lhes sobra dinheiro suficiente para avançar. Ainda lhes falta percorrer uns 3.000 km por terra para chegar até Maringá. Para isso precisam de aproximadamente R$ 4.000 para completar sua viagem com sucesso.
São migrantes venezuelanos que querem ajudar no crescimento da economia deste maravilhoso país e contribuir para seu progresso. São uma família cristã, crente em Deus e fielmente ativa em sua igreja.
Deus é nosso maior testemunho. Eu, Salvador Albornoz, quem escreve esta nota, junto com minha esposa, daremos acolhida em nosso lar para eles.

Estamos coletando roupas e artigos para ajudá-los a começar do zero seu novo lar aqui em Maringá. Porque sabemos na própria carne o que eles estão vivendo, porque já passamos por isso alguma vez. Nenhum ser humano honesto, trabalhador, com esposa e filhos, merece sofrer tantas calamidades por culpa de governos e sociedades anarquistas e xenófobas.
Que Deus nos abençoe para que possamos trazer com bem a Omar e sua família a nossa amada Maringá.