
Olá, me chamo Éddy Lemes. Vou contar um pouco do que estou passando e por que estou aqui!
No dia 22 de janeiro de 2024, recebi o terrível diagnóstico de câncer colorretal. Após o diagnóstico, iniciei o meu tratamento: ao longo de 2024, foram 30 sessões de quimioterapia e 25 de radioterapia. Devido às sessões de radioterapia, tive queimaduras internas e externas no reto, de 1º, 2º e 3º graus. A dor era insuportável e a cicatrização precisava ocorrer naturalmente, pois eu não podia tomar outras medicações devido à baixa imunidade causada pela quimioterapia.
Após esse longo e extenuante tratamento, fui ao médico com esperanças de que a batalha tivesse acabado, mas recebi a notícia contrária: o câncer ainda estava lá, intacto. Eu precisaria me submeter a uma cirurgia extremamente invasiva, que transformaria por completo a minha vida. O médico perguntou se eu aceitaria e eu, obviamente, disse que sim! Pois bem, a cirurgia aconteceu; foi feita a amputação total do reto e a retirada de parte do intestino grosso, sendo colocada uma bolsa de colostomia definitiva. É importante informar que não estou em remissão e que, durante a cirurgia, o material enviado para biópsia confirmou que meu sistema linfático também foi comprometido.
Minha recuperação, mais uma vez, foi muito lenta e dolorosa: inúmeros pontos, febre, dores, enjoos e fraqueza, indo diversas vezes à emergência. Uma das graves complicações foi uma necrose no estoma, que causou uma infecção nas incisões do abdômen e das nádegas, gerando uma septicemia. Foi mais uma batalha que enfrentei com muita força e com o apoio do meu marido, da minha família, de amigos e de Deus. Consegui me curar, porém, terei que conviver com uma dor crônica no estoma.
O ano de 2025 começou muito difícil, mas consegui, aos poucos, retomar minhas atividades, como tocar violoncelo, dirigir, caminhar, nadar e brincar com a minha cachorrinha. No entanto, em agosto de 2025, comecei a sentir dores nas articulações. Acreditando serem apenas efeitos colaterais da quimioterapia, os médicos me receitaram remédios, mas a dor, em vez de diminuir com o tempo, só aumentava. Voltei outras vezes ao oncologista, que fazia os exames e alegava que estava tudo bem, que os exames estavam 'ok' e que aquelas dores eram normais, apenas trocando a medicação.
Nisso alguns meses se passaram e em dezembro por iniciativa própria comecei a pesquisar o que poderia ser, pois minha saúde estava declinando rápido: dores nos ossos, articulações, desequilíbrio e dificuldades de mobilidade. Consultei minha família e minha enfermeira (que se tornou uma grande amiga) e me indicaram procurar um neurologista, pois poderia ser algo neurológico devido aos tratamentos. No entanto, antes mesmo do dia da consulta, meu corpo colapsou. Era 9 de janeiro de 2026.
Neste dia, lembro apenas de ter acordado no hospital com meu marido me ajudando em um exame de raio-x. O relato da minha vizinha foi que liguei para ela dizendo que estava passando mal e deixei a porta aberta; ela me encontrou no chão, chorando de dor. No momento em que ela e o marido me carregaram para o carro, eu convulsionei. Fui levado ao hospital mais próximo para os primeiros socorros e, após a chegada do meu marido, fui transferido imediatamente para o hospital onde faço meu tratamento oncológico, na cidade vizinha. Eu gritava de dor no carro. Cheguei e fui prontamente atendido, pois meu caso era grave. Fiz exames de sangue, tomografias e tomei medicação, retomando a consciência apenas durante o raio-x.
Desde então, retornei para casa em uma cadeira de rodas. Após consultar o neurologista e realizar exames, o diagnóstico foi confirmado: Neuropatia Periférica Sensitivo-Motora de Procedência Tóxica, causada pela quimioterapia e radioterapia. Preciso tomar diariamente duas medicações caríssimas e realizar três sessões de fisioterapia por semana, em um tratamento longo que pode durar de oito meses a um ano e meio.
Sou extremamente grato pela existência do SUS; sem ele, eu não estaria aqui! Sempre defenderei o SUS, mas sei também que, devido à alta demanda e ao sucateamento, há problemas sérios. Defender o sistema público não significa que não podemos cobrar melhoras; pelo contrário, devemos cobrar! Sempre lutarei por uma saúde pública de excelência para todos.
Contudo, acabei tendo que recorrer a consultas, exames e medicações particulares, o que gerou gastos elevados. Desde o meu diagnóstico, apenas meu marido está trabalhando, o que causou um desequilíbrio financeiro muito grande. Éramos sempre nós dois, sempre nos viramos e conseguimos dar um jeito, e minha família ajuda como pode.
Eu e meu marido pensamos muito antes de fazer esta vakinha, devido à exposição e por sempre termos lutado para conquistar nossas coisas sozinhos, mas chegamos a um limite extremo. Venho pedir a ajuda de vocês para a minha recuperação. Não é apenas a questão de voltar a andar; são as dores que enfrento diariamente, usando medicações muito fortes como morfina, codeína e até canabidiol. Não quero viver à base de remédios; quero ter minimamente minha vida de volta, para voltar a tocar violoncelo, fazer trilhas, canoagem e nadar. Sem o tratamento, não conseguirei me reabilitar. Quero ter qualidade de vida.
Iniciou-se mais uma luta que sei que vou vencer, mas, desta vez, vou precisar da ajuda de vocês!