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Uma casa para um cadeirante
Casa / Moradia
Brasília / DF

Uma casa para um cadeirante

ID: 3294111
Sentada a porta de minha residência, ao entardecer de um belo domingo, com um pequeno grupo de amigos e familiares, na pacata cidade de Divinópolis de Goiás, visualizei um senhor de cabelos brancos, nitidamente, portador de uma necessidade ver tudo
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Vaquinha criada em: 18/11/2022

Sentada a porta de minha residência, ao entardecer de um belo domingo, com um pequeno grupo de amigos e familiares, na pacata cidade de Divinópolis de Goiás, visualizei um senhor de cabelos brancos, nitidamente, portador de uma necessidade especial, pois se locomovia através de uma cadeira de rodas. Diga se de passagem em precário estado de conservação. Em velocidade lenta, aos poucos, ele se aproximou. De repente, as conversas já não eram mais a minha prioridade e me senti tocada pela situação que ele se encontrava. Percebi que estava em busca de recicláveis. Aproximei. Cumprimentei. Algo me chamou atenção: o semblante cansado em seu rosto. Passei a interroga-lo. Logo perguntei o seu nome. Com um largo sorriso, foi logo me respondendo: “Picolé, tudo bem com a senhora?”. Ali mesmo na porta da minha casa ofereci um lanche e cercado de quase meia dúzia de pessoas ele saboreou tudo que lhe fora ofertado. O papo rendeu e ele calmamente me contou sua história. Antônio é o nome dele. Porém, muitos o conhecem como “picolé”. Nasceu em 1968, no interior do estado da Bahia. Filho de uma família muito humilde é vítima de paralisia infantil. Seus membros inferiores são atrofiados. A vida sempre exigiu do senhor Antônio muita determinação. Sem renda para custear suas necessidades pessoais, começou a vender picolés, daí seu apelido. Certa vez estava realizando suas vendas, na porta de um bar, em 2004, quando deu inicio uma briga das pessoas que ali estavam. Os demais presentes empreenderam fuga e o derrubaram. Após aquele episódio ele começou a sentir dores. Sem condições financeira e falta de informação, acabou não procurando atendimento hospitalar. Em 2009, quando a dor se tornou insuportável, procurou ajuda. Mas a cidade não possuía suporte médico adequado. Apesar disso, o transferiu  para o hospital Sara Kubitschek, em Brasília. Lá foi diagnosticado portador de medula imprensada. Possivelmente, ocasionada daquele triste episódio ocorrido no bar, quando tentava vender seus picolés. Passou por cirurgia, porém não foi suficiente pra sanar seu problema. Em 2014, a cadeira de rodas se tornou sua única forma de locomoção. Hoje mora sozinho e realiza todos seus afazeres domésticos. Sua renda se resume ao auxílio doença que recebe. Apesar de possuir essa “ renda”, não é suficiente pra mantê-lo, porque faz uso de várias medicações e mora de aluguel. Encontrou nos recicláveis ( latinhas e garrafas pets) a forma de complementar sua renda. Sua rotina inicia logo cedo às 5:00 da manhã, pois é o horário mais fresco e com possibilidade de encontrar algo. Começa a circular próximo aos mercados, bares e distribuidoras. Por volta das 10:30, retorna a casa prepara seu almoço. Ao entardecer quando o sol já não o castiga tanto novamente saí em busca dos recicláveis. Suas mãos estão visivelmente calejadas. Mesmo diante da situação narrada, ele não reclama da vida e se demonstra motivado por dias melhores. Dado momento, me diz que sonha com sua casa propria e assim otimizar seu pouco recurso para compra dos seus remédios e alimentos. Uma casa aqui está em torno de 60.000(sessenta mil reais), valor muito alto pra sua realidade, mais não impossível para os que crêem. Ele faz questão de salientar: “ quero apenas um barraquinho pra terminar meus dias aqui nessa terra”. Bem, minha gente! Em síntese essa é a história do Sr. Antônio Picolé. Hoje ele se tornou amigo da minha família e muito querido pela população Divinópolina. Conversando com amigos que também estão sensibilizados com a sua situação, pensamos em nós mobilizar pra arrecadar esse valor e, assim, realizar o sonho desse guerreiro. Deus abençoe a cada um que puder  contribuir ou que nos ajude a divulgar sua história de vida.

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