
Quando a água chegou à altura dos ombros, na noite de sábado, Viviane Lopes já não tinha muito o que perder na casa onde nasceu e viveu a vida inteira, na Rua Anita, no Jardim Canaã, em Nova Iguaçu. Desde a última enchente, há dois anos, só sobraram dois móveis, que ela usa como guarda-roupa. O que a enxurrada anterior levou Viviane não pôde repor. Desempregada aos 44 anos, criando sozinha três dos quatro filhos o mais novo, de 3 anos, é autista, ela vive do Bolsa Família e ainda paga a prestação da geladeira: a antiga, a chuva passada destruiu.
Às 21h de sábado, nervosa, Viviane foi para a rua e gravou um vídeo no celular, com a cheia quase batendo no pescoço, pedindo ajuda: "Olha o nosso estado. Olha onde tá batendo a água. Eu não aguenta mais". O vídeo viralizou nas redes sociais.
“Eu tô cansada de viver nessa situação. Isso não é fácil, não é normal. Toda vez que chove, enche. Mas essa, deste sábado, passou do limite, porque as outras não chegaram na minha cintura, essa foi na altura do ombro” disse ela ontem, contando que foi criticada por fazer o vídeo. Não me arrependo de nada, porque se a gente não abrir a boca e falar, vai continuar desse jeito.