
Sou João Ricardo, licenciando em Artes Visuais na véspera da defesa do meu TCC pela UFPE.
Recebia bolsa do edital de baixa renda, há mais de um ano meu benefício foi cortado e venho persistindo no curso graças a família e amigos, que doavam valores pra pagar contas e comprar mantimentos.
Este mesmo tempo que estive sem remuneração, o locador da casa que moro vem sendo compreensivo com atrasos no pagamento do aluguel.
Mas ele perdeu seu emprego justo quando eu perdi o suporte de uma grande parte da minha rede de apoio.
A situação ficou desesperadora porque ele provê pra esposa e filha e eu não tenho conseguido trabalho fixo, somente bicos, por todo esse último ano. Minha falta de verba compromete a integridade da família do dono do lugar que eu estudo, trabalho e vivo.

Nesse lugar planejei o ateliê comunitário recicLAR, porque, por todo o tempo do curso, achei muito difícil permanecer estudando oque gosto sem a manutenção acadêmica devida, e quero levar o conhecimento que eu obtive pra minha vizinhança, sem os embargos burocráticos que enfrentei.
Venho racionando comida, vivendo quase sem lazer, sofrendo de problemas de saúde, tudo pra completar o curso e esse projeto na favela da Rua 6 de março, na Várzea, Recife.
Hoje estou devendo ao dono do imóvel no qual criei o recicLAR:
Desde que eu me mudei de SP para PE no começo do curso, nós que moramos em periferias, vivemos cada vez mais na precariedade, no presente, vivendo o pior momento.

Neste espaço eu me coloquei numa vivência de guerrilha, reciclando mobília e adaptando materiais para ter infraestrutura e ferramentas, complementando refeições a partir de minha horta urbana, numa postura mental rígida, sem vícios e com lazer somente gratuito, a conta gotas.
Mas passamos do limite, e para não desistir, venho neste gesto de resistência, pedir ajuda às pessoas com consciência política e engajadas na construção de um Brasil melhor, com melhor distribuição dos poderes do saber e dos recursos para se viver.
Desejo que, no mínimo, eu possa quitar as dívidas com meu camarada locador e possa seguir com minha resistência à evasão estudantil no último mês da minha licenciatura.
Para ter o mínimo de paz mental para defesa do TCC preciso ainda de +:
Na guerrilha econômica já faço meu bujão de gás durar mais de um ano, mas estou perto do dia em que ele acabe, preciso de +:
E ainda, tive o uso do cartão de crédito sob controle mas fiquei sem dinheiro pra pagar as faturas, e também preciso quitar esse débito pra ter algum valor para eventual necessidade imprevista e pra não prejudicar outros compromissos sociais que cobram idoneidade econômica. Devo:
Estou apelando para essa vaquinha, como medida de emergência, como única forma de ressarcir pela minha falta, um pai de família desempregado. É a única saída que encontro nesse país sem oferta de trabalho, sem reconhecimento aos estudantes, professores e trabalhadores.
Também é a única maneira que encontro de recuperar minha dignidade que há mais de um ano está nas mãos de boas pessoas que já não podem mais fazer por mim.
Faço pública e amplamente visível minha condição pois, daqui, o único caminho aberto seria habitar uma ocupação, à qual me encaminharei sem peso na consciência se nem por essa exposição a sociedade se solidarizar conosco.
A meta da dessa vaquinha é o mínimo pra eu poder defender o TCC neste mês e organizar minha volta pra São Paulo no próximo, sem dar + prejuízo.
Mas sonho em poder completar e ampliar meu projeto de educação de artes visuais não formal, podendo desenvolver pesquisas e trabalhos artísticos livres da grade de adestramento acadêmico à qual eu trespassei, e estou quase liberto.
Minha ambição quando cheguei neste espaço era sobreviver de algumas linhas de trabalho, possíveis a partir de equipamentos reciclados, recriados por mim através da assemblage.
Dentre algumas dezenas de projetos meus, quatro podem facilmente gerar renda para me remunerar e obter recursos para sustentabilidade do ateliê e portanto, das pesquisas cooperativas informais em artes visuais nessa comunidade.
Produzirei vasilhas de cerâmica em torno, prepararei refeições e quitutes com pancs como ingredientes, restaurarei mobílias e publicarei uma série de quadrinho autoral, em encadernamento especial, além de promover estudos à partir dessas técnicas que eu aperfeiçoei na universidade e sistematizei na comunidade.


Sonhando alto, eu ainda levarei as produções e a própria estrutura adequada mínima para pesquisas à lugares de encontro com pessoas de outras comunidades, além de avançar nos estudos que já temos feito, eu e algumas crianças da Várzea do Capibaribe.
Ao superar a meta inicial desta vakinha, tendo pago minha dívida, investirei em 1 bicicleta para transporte de módulo compacto de suporte para experimentos artísticos.
Mas minha maior ambição para esse projeto é a aquisição do triciclo motorizado e da licença de condutor para transporte de módulo compacto duplo de suporte para experimentos artísticos de maior complexidade, em localidades mais distantes.
Humildemente apresento pro mundo meu sonho, no momento em que eu menos tenho condições financeiras de realizá-lo.
Se eu puder ao menos pagar oque eu devo a esse camarada, pai e marido, desempregado como eu, evitarei de ter de acampar numa ocupação, ficarei muito feliz.
Mesmo nessa situação agoniante, não desisti do meu sonho e falando dele acredito que poderei realizá-lo com a contribuição da sociedade, uma vez que o estado vem negligenciando a gente que continua preso à pobreza.
Fé na educação!