
Somos de Roca Sales e no dia 04/09, segunda-feira, fomos surpreendidos pela enchente que devastou a cidade. Com a gente não foi diferente. A água invadiu nossa casa, o segundo piso, onde nunca havia chegado antes(minha mãe mora há 40 anos nesse endereço e nunca tinha vindo até o segundo piso), chegando quase até o teto. Estávamos todos em casa, meus pais, eu, meu marido e meu filho de 5 anos. Quando nos vimos ilhados em casa e sem saída, nos obrigamos a encontrar alguma saída. Para piorar, logo após a queda da energia elétrica ficamos sem sinal de telefone/celular, impedindo qualquer comunicação com o mundo e com minha avó que morava na casa do lado. Saímos para o foro com muito esforço, usando uma parede interna e uma tomada, que até quebrou quando meu marido, que ficou por último, fez a primeira tentativa dele. Depois de várias tentativas e um pouco de sorte ele conseguiu. Então, estávamos todos no forro, em um espaço bem baixo e podendo deitar apenas onde havia as ripas de sustentação de madeira para não cair. Com grande dificuldade e, usando uma banqueta de metal e um copo térmico, meu pai e meu marido conseguiram abrir um buraquinho no telhado de brasilit. Então, nós cinco esperamos na esperança da água não subir mais e conseguir algum socorro. Ficamos por muito tempo, ouvindo gritos de socorro e barulhos de objetos caindo. Depois de cerca de três horas, escutamos conversa e um barco, então pedimos socorro novamente e eles, com dificuldade, nos localizaram no telhado. Mas, eles apenas abriram um buraco no telhado e disseram que não poderiam nos resgatar imediatamente pois havia outras pessoas em maior risco. Pedimos pela minha avó que morava na casa do lado e eles não confirmaram nada, mas disseram que ela poderia ter sido resgatada já. Aguardamos então por mais de duas horas até que eles voltassem. Vieram e nos resgataram. Tivemos que sair pelo telhado e descer pela lateral da casa. Pedimos então para ver a casa da vó e, com a ajuda do barco quebramos a janela lateral. Chamamos e pedimos por ela, mas não houve resposta. Ainda tentamos contornar a casa e tentamos arrombar outra janela mas não foi possível. Como eles precisavam resgatar outras pessoas tivemos que ir embora e nos deixaram em uma rua a salvo da água para que seguíssemos até o salão paroquial, onde as pessoas atingidas estavam indo.
No dia 06/09, na quarta-feira, quando conseguimos retornar até em casa para procurar a vó infelizmente tivemos a notícia que os bombeiros já tinham resgatado o corpo dela da casa pois ela havia falecido. Depois disso, também foi necessário passar por uma maratona para localizá-la pois, primeiro direcionaram para Muçum, depois Lajeado e, por fim, Porto Alegre, onde realmente ela se encontrava.
Também pudemos ver os estragos e constatar que nada escapou ileso, todos os móveis, eletrodomésticos, roupas, utensílios domésticos, brinquedos… tudo o que estava em casa estava imerso em sujeira e lama. Portas que não abrem e fecham, muro quebrado, portão levado pela água. Foram dias difíceis e continuam sendo. Atenuados um pouco pelo apoio e ajuda de voluntários desconhecidos, vindos de vários lugares, colegas de trabalho, parentes e amigos.
A limpeza e organização continua e ainda estamos compreendendo a extensão de tudo o que foi perdido e tentando seguir em frente, procurando reestabelecer primeiro as coisas básicas o dia-a-dia.
Por isso, estamos pedindo ajuda para conseguir arrumar a casa, portão, portas, revisar a instalação elétrica e fazer diversos consertos. Também tentar consertar ou recuperar alguns eletrodomésticos, coisas da casa, documentos.
Agradecemos antecipadamente por qualquer valor doado e generosidade nesse momento difícil. Obrigada!
No dia 19/09, a RBS TV fez uma reportagem na cidade e nos visitou aqui, segue o link da reportagem mostrada no RBS Notícias daquele dia - RBS Notícias | Mais de 10 mil voluntários já ajudaram na reconstrução de Roca Sales | Globoplay
Com a falta de energia elétrica por vários dias, ficamos sem bateria no celular e acabamos por nem tirar fotos da casa antes de iniciarmos a limpeza. Além disso, o cenário era tão desolador que não queríamos registro disso, além das lembranças dolorosas que estão conosco.
Deisi Janaína Rodrigues - eu
Leonardo Schmitz - meu marido
Guilherme R. S. - meu filho
Lurdes Oliveira Rodrigues - minha mãe
Manoel Osvaldo Rodrigues - meu pai
Doracy R. De Oliveira - minha avó