
Olá! Meu nome é André, completo 38 anos agora em julho e é a história da minha queda na vida que venho narrar.
Eu sou um cara que não me considero especial, tenho a vida sofrida, assim como a de muitos brasileiros e cidadãos desse mundo.
Não tenho família. Já explico… Minha progenitora eu não conheci, fui fruto de uma relação extraconjungal. Perdi meu pai para um suicídio em de junho de 2000. Ele tinha esquizofrenia, o que não o ajudava muito a ter sanidade para encarar a vida difícil que ele também teve. E a esposa dele sofreu um derrame cerebral nem um ano após o meu nascimento. Essa foi a primeira grande paulada que sofri e que levei anos pra me "recuperar".
Fui morar com meus padrinhos em Canoas/RS, que me acolheram com muito carinho, me ajudando no processo do luto. Segui minha vida. Estudei, me formei no segundo grau. Fiz cursos. Trabalhei.
Em 2022 desenvolvi uma uma hérnia de disco na coluna devido ao grande esforço físico que o trabalho exigia.
Apesar das limitações, fui seguindo minha vida. Sempre trabalhando e correndo atrás de progresso.
Até que ao final de outubro de 2023 minha situação mudou drasticamente. Tive que sair do emprego por estar muito mal da coluna, então corri para a assistência social para conseguir algum benefício que me garantisse ao menos alimento. Consegui o bolsa família, mas por eu ter emprego de carteira assinada naquele ano eu entrei em medida de proteção do benefício que só paga a metade, ou seja, 300 reais. O que não supria muita coisa. Só o meu aluguel era 300 reais! Mais as contas de água, luz e alimentação… não era o suficiente. Então eu tive que fazer uma escolha: pagar o aluguel ou comer.
Sendo assim, com a coluna extremamente atacada (ruim mesmo ao ponto de eu vomitar de dor), enfrentei novembro, dezembro e janeiro mal demais. Me arrastando até a UPA para tomar injeção. Tomando medicação forte, quando conseguia comprar. Uma luta. Por conta disso fiquei devendo aluguel. E a dona da casa, obviamente, não queria esperar. Acabei sendo despejado. Sem ter família ou pra onde ir, vendi o que pude e o resto me desfiz, pois não tinha como carregar comigo.
Peguei uma mala com alguns itens e um cobertor e comecei minha saga de morar na rua, e aqui estou, desde o dia 10 de março de 2024.
Está sendo uma luta sobreviver! Vivo à base de remédios para dor. Por enquanto está sob controle, mas a vida na rua carregando a mala pra lá e pra cá não está me ajudando muito. Estou em busca de uma oportunidade de emprego que não prejudique mais a minha saúde e de um lugar para morar. A vaquinha é para eu conseguir me estabilizar, ter um endereço nesta cidade que não seja mais a praça e suas calçadas.
Este é um resumo de como um cidadão de bem deste país, sem amparo de família, sem ajuda, pode cair na vida a tal ponto.
Nesta jornada tive o privilégio de encontrar pessoas maravilhosas, que chamo de anjos na minha vida. Elas têm me auxiliado como podem, inclusive tendo a ideia desta vaquinha.
Então eu estou pedindo a quem mais puder ajudar, de alguma forma, a me tirar da rua para que eu consiga garantir um mínimo de dignidade... Se tu puder ajudar ou compartilhar esta breve história, peço por favor que o faça. E quem quiser mais detalhes sobre isso, estou a disposição em minhas redes sociais.
Muito obrigado!
Instagram: https://www.instagram.com/andre_harres/
Facebook: https://www.facebook.com/andre.harres
