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Seu Sete

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Campanha de solidariedade com o grande músico, arranjador, diretor musical, jornalista e escritor Luís Filipe de Lima que anunciou a venda  do “Seu Sete”, o violão de 7 cordas que o acompanha há mais de 25 anos, para sobreviver em meio à essa crise. O instrumento seria vendido pelo seu valor de mercado, no entanto  essa venda  seria apenas um “tapa buraco”,  o ponto de partida para o pagamento de muitas dívidas acumuladas nesse longo período de crise no setor cultural  brasileiro.  Que um artista desse porte não precise se desfazer do seu instrumento, nem de seu patrimônio e consiga dar a volta por cima. 

Abaixo o texto que ele publicou em redes sociais:

“Anuncio a venda de um grande companheiro: meu violão de sete cordas Do Souto, que está comigo há exatamente um quarto de século e cuja história se confunde com a minha própria. Esse instrumento me deu muitas alegrias, me apresentou a muita gente querida e me levou a vários cantos do mundo. Preciso vendê-lo, sei que vou ficar com saudades, mas companheiro de verdade é assim, socorre e dá esperança nas horas em que a gente mais precisa.

Preciso contar um pouco de sua história. O instrumento é esse que aparece aqui na foto do post, durante um desfile do Simpatia É Quase Amor, nos anos 90. Se você me acompanha no Facebook, já viu várias fotos que tiro de seu braço, com ele no meu colo, na série em que o apelido de "Seu Sete", mostrando ao fundo plateias de todos os cantos. Já tocava seis cordas desde menino, mas foi com ele que migrei para o violão de sete, no tempo do Mandrake, antigo bar de Botafogo, e do Encontros Cariocas, com o Noca da Portela. Se sou conhecido como sete-cordas, é por causa dele.

Foi com o sete-arames - outro apelido que dei pra ele, que parece ter se espalhado por aí - que toquei nos blocos de carnaval da Zona Sul por mais de dez anos: Simpatia, Suvaco do Cristo, Barbas, Bloco de Segunda, Imprensa Que Eu Gamo, outros tantos. Foi com ele que defendi as cores do Império Serrano, na Sapucaí. Foi com ele que gravei mais de dez discos (já perdi a conta) do Grupo Especial das escolas de samba do Rio de Janeiro. Foi graças a ele, não tenho dúvida, que há 14 anos sou jurado do Estandarte de Ouro.

Foi abraçado a esse violão que acompanhei Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Nei Lopes, Monarco, Wilson Moreira, Wilson das Neves, Walter Alfaiate, Délcio Carvalho, Pedro Miranda, Verônica Sabino, Soraya Ravenle, Marcos Sacramento, pra falar de gente que acompanhei nos palcos com maior regularidade. Foi com Seu Sete que viajei o Brasil todo, durante quatro anos, ao lado do saudoso Bezerra da Silva. Foi com ele que toquei em rodas informais, casas noturnas, teatros e shows ao ar livre com gente como Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Alcione, Luiz Carlos da Vila, Sombrinha, Elza Soares, Teresa Cristina, Nilze Carvalho, Áurea Martins, Ana Costa, Joyce, Roberta Sá, Fabiana Cozza, Verônica Ferriani, Zé Katimba, João Martins, Anescar do Salgueiro, Aurora Miranda (ela mesma, irmã de Carmen), seu Argemiro da Portela, Moreno Veloso, Moacyr Luz, Katia B, Darcy da Mangueira, Claudionor Cruz, Carlos Poyares, Joel Nascimento, Henrique Cazes, Cláudio Jorge, Alceu Maia, Dirceu Leite, Marcos Suzano, Gilberto Gil, Monica Salmaso, Zé Renato, Fátima Guedes, Pedro Luís, Agnaldo Timóteo, Wanderley Cardoso, Rosemary, Emilinha Borba - a memória não consegue acompanhar todo esse povo.

Dava um livro, esse violão. Se você me viu nas rodas do Sobrenatural, de Santa Teresa, nos anos 90, era com ele que eu estava. E também nas rodas do Mandrake, onde toquei por oito anos com o querido Gallotti, parceiro também durante os dez anos do Severyna de Laranjeiras, além das rodas de choro da Casa da Mãe Joana e do glorioso Semente. Se você me viu no Sassaricando, o musical das marchinhas que ficou em cartaz por uma década, era esse sete-cordas que estava ali. Assim como nas 15 séries de shows que já idealizei e dirigi nos CCBB do Rio, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Se você assistiu ao DVD do Benito di Paula, espia só, é ele também. Confere também o Sambabook da Dona Ivone Lara, estou com ele acompanhando Maria Bethânia, Caetano Veloso, Zeca Pagodinho, Adriana Calcanhotto, Vanessa da Matta, a fadista Carminho, Hamilton de Holanda, Mariene de Castro.

Sua primeira gravação comigo foi num disco do Paulinho Tapajós. Ele de cara já foi acompanhando ali Chico Buarque, João Nogueira, Beth Carvalho e Sivuca, convidados de Tapajós. Deixou seu som registrado em álbuns de Martinho da Vila, Zélia Duncan, Gal Costa (é ele que está ali na faixa "Recanto escuro", tão especial), Carlinhos Brown, Arto Lindsay, Kassin, Moraes Moreira, Nicolas Krassik, muitos e muitos artistas, até Carmen Miranda e Pixinguinha ele encarou, num disco remix.

Esse Do Souto já se fez ouvir nos grandes teatros brasileiros (Municipal, do Rio; São Pedro, de Porto Alegre; Santa Isabel, de Recife; Castro Alves, de Salvador; Theatro da Paz, de Belém; Amazonas, de Manaus; Castro Alves, de Vitória; Ópera de Arame, em Curitiba), já esteve à beira dos lagos suíços, participou de shows e noitadas em Lisboa, no Porto e em Coimbra, rodou por Paris, Veneza, Bolonha, Madri, Bruxelas, Tóquio, Kyoto, Nova Delhi, Luanda, Maputo, já esteve em Araxá, Santo Antônio do Sudoeste, Rio Branco, Campo Grande, Cuiabá, Paraty, Ouro Preto. Tocou para autoridades, diplomatas, gente da alta em eventos de luxo. Tocou com mais gosto ainda para a gente do povo, porque é sobretudo do samba e do choro que ele está entranhado.

Foi ele que me ajudou a escrever os arranjos de uma dezena de musicais, centenas de shows e mais de vinte discos - entre eles, "Samba original", do Pedro Miranda, que ganhou o Prêmio da Música Brasileira de melhor disco de samba em 2017. Grandes músicos já deram canjas com ele, como Valter Silva, Carlinhos 7 Cordas, Jorge Simas, Rogério Caetano, Rafael Mallmith e Sombrinha. E ele já esteve um par de vezes sendo acarinhado pelo mestre maior do instrumento: meu professor Dino 7 Cordas.

Qualquer ajuda será recebida com muita alegria.

Obrigado!”

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