
Olá queridos, meu nome é Joelma, tenho 36 anos. Sou professora e precisei parar de trabalhar para cuidar de dois netos (Maria -2 anos e João -1 ano). Mas não posso ser avó, preciso ser mãe destes pequenos.
Contarei a história detalhada para vocês, omitindo alguns detalhes que não consigo nem verbalizar, imagina escrever! Gostaria de conseguir resumir, mas fazê-lo seria induzi-los ao erro. Pois uma história só é realmente compreendia através dos seus detalhes.
Alguém outro dia me disse: "Joelma, você não é apenas uma rocha. Você é a rocha e o farol sobre ela."
Fico lisonjeada, mas este farol está com as lentes embaçadas pelas lágrimas, a rocha é forte... mas um coração partido também exibe suas fragilidades. Para brilhar forte e iluminar este mar na escuridão desta noite interminável, preciso da colaboração de vocês.
Tantos espelhos, tantas lentes, tantas luzes que farão este farol voltar a brilhar e darão o reparo amoroso que este coração precisa!
Se puderem, leiam minha história, minha luta atual. A vida nunca foi fácil para mim... nunca foi sorte! Sempre foi luta. Mas especialmente agora eu não consigo sozinha. Conto com a ajuda de vocês para finalizar minha casinha. Para dar um cantinho, cheio de carinho, para minha família.
Esta história começa com a minha filha Nicolly, à época com 16 anos, que vinha apresentando um comportamento nada normal, foi quando começamos (eu e o pai dela) a segurar um pouco ela, por exemplo: levar e buscar na escola, não deixar sair sozinha como ela saía antes.
E foi nesta época que ela conheceu o Altamiro (pai da Maria e suposto pai do João) e como eu (Joelma) estava restringindo muito as saídas dela, ela resolveu se envolver com ele. A saber, Altamiro era um recuperado (ex dependente de drogas) que frequentava corretamente a igreja, tinha um emprego registrado, cuidava de si e de seus dois Pit Bull.
Então eles resolveram namorar. Eu não interferi, pois já estava cansada de segurar a Nicolly e ela já havia dito que se eu dificultasse o namoro, ela fugiria. Quando ela já estava para completar 18 anos decidiram se casar no cartório. Eu fui lá e autorizei, porém me arrependi! Voltei ao cartório e cancelei minha autorização. Deixei claro para minha filha que se quisesse casar, que fosse por sua responsabilidade. Pois eu não queria me sentir culpada por esta escolha dela e nem pelos seus atos. A verdade é que eu já estava percebendo que aquela relação não daria certo... mãe tem esses pressentimentos.
Ela então começou a viver a vida que queria, sem obrigações, acordava hora que tinha vontade, não precisava limpar a casa, pois o Altamiro fazia por ela (uma vez que ele tinha, na época, 37 anos e ela 17). Ele queria agradar a Nicolly e não deixava que ela cumprisse as tarefas de casa, nem da higiene pessoal ela cuidava mais. Foi neste contexto que ela enfiou na cabeça que queria engravidar; começou a tentar e... NADA! A partir desta época, as brigas conjugais se intensificaram. Ela foi buscar outro homem. E veio do marido dela a primeira surra! Mas, em seguida, ela estava grávida. A questão era de quem? Qual dos dois era o pai?
Então, nasceu a Maria Olívia! E eu, como mãe, acolhi minha filha e minha neta para fazer os cuidados necessários. Acontece que a Maria não queria pegar o peito e a Nicolly também não queria amamentar e... ficou cômodo! Quando a Maria estava com 9 dias (isso mesmo: 9 dias), a Nicolly conheceu um moço em Santa Catarina através de um app e disse: "já que a Maria não está mamando no peito, eu vou deixar ela com você e vou para Santa Catarina, só vou passar o final de semana". Mas acabou que ela ficou por 15 dias!
Enquanto isto, o Altamiro estava vindo na minha casa todos os dias, passava uma hora com a filha recém nascida. Quando a Nicolly voltou da viagem a SC, decidiram voltar a ter um relacionamento e vieram buscar a Maria que estava sob meus cuidados. Então eu disse: "não vão levar a Maria enquanto ela não tiver pelo menos 3 meses!" Pois como a casa onde moravam tinha dois Pit Bull (dentro da sala), eu coloquei que deviam limpar e organizar a casa primeiro. Desta maneira, eu garantia o cuidado e bem estar para Maria nesse tempo.
Mas chegou o dia que os dois (os pais) levaram a Maria. Também decidiram que iriam juntar dinheiro para fazer o DNA porque o Altamiro queria a guarda da filha para ele, garantindo que a Nicolly não fosse mais embora com nenhum homem e levasse a Maria junto. A Nicolly já não cuidava, por preguiça, da Maria. Mas eu estava sempre atenta e ajudava como podia. E quando saiu o resultado do DNA, a Nicolly ficou com muita raiva, pois deu positivo para o Altamiro e ela queria que a Maria fosse filha do outro. Pois ela gostava mais deste outro. Ele era mais novo e totalmente diferente do Altamiro em tudo. Foi quando ela passou a odiar a Maria!
A Nicolly ficava com a Maria aqui em casa nas vezes em que o casal brigava. Nestas ocasiões eu comecei a perceber que ela batia na Maria quando a Maria fazia cocô e ela tinha que trocar a fralda. Além disto, enfiava uma coberta na boca da Maria quando esta chorava à noite. Muitas das vezes eu interferi e até falei para o conselho tutelar sobre isto. Recebi orientação de que, se acontecesse novamente, eu deveria denunciar. Entretanto, a Nicolly foi embora da minha casa e do bairro. E, desta vez, o Altamiro não deixou ela levar a Maria. Só que não deu certo onde ela estava e ela voltou com o Altamiro.
Nesse tempo que o Altamiro ficou com a Maria, eu que cuidava dela (Maria) porque ele trabalhava à noite, então ele passava só um pouco da tarde com ela. Mas quando a Nicolly voltou, começou tudo outra vez! E a história se repetiu, um dia ela saiu de casa e voltou grávida... desta vez do João, só que do João ela não fez DNA ainda, então ela gostava mais dele! Só que não cuidava, igual não cuidava da Maria.
Certa vez, Altamiro e Nicolly foram numa festa onde havia drogas e foi oferecido drogas ao Altamiro, mas ele não aceitou. Até que chegou um rapaz (que segundo todos da festa) seria o suposto pai do João. Altamiro ficou irritado e aceitou a droga! A partir daquele momento voltou a ser usuário, dependente mesmo, sem controle algum e só piorou! Agora ele vive na rua por dias se drogando e, quando volta, bate na Nicolly.
Ela usa também, mas não é dependente! Ela mais bebe álcool e se prostitui do que usa drogas. Por algum motivo ou sem motivo algum, o fato é que (infelizmente) a Nicolly não tem amor pelas crianças e não cuida delas! Então, cansada, ela resolveu pedir ajuda para mim e claro que eu ajudei. Ela disse: "cuida das crianças que vou tentar um emprego" e saiu para procurar emprego. Mas eu descobri que ela estava passeando e fazendo festa com as amigas. Então fui cobrar dela e ela justificou assim: "eu tô indo embora com um cara lá da praia. Eu o conheci já faz um mês e pouco e vou deixar as crianças para você cuidar." E eu aceitei, óbvio! Mas quando ela chegou lá o rapaz morava numa casa com mais 12 pessoas. Viviam numa invasão na beira do rio.
Para piorar as coisas, o rapaz descobriu que as crianças recebiam bolsa família de 400 reais. Então, era só levar as crianças no posto de saúde para receber o bolsa família. O dito rapaz exigiu que ela viesse buscar as crianças (que estavam bem comigo). Então ela chegou dizendo: "vim buscar meus filhos e se você não der eu vou chamar a polícia". O que eu poderia fazer?! Só disse: "são seus filhos fique à vontade". E pedi que ela cuidasse deles. Só que não deu certo de receber o bolsa família porque o Altamiro já estava recebendo aqui e gastando tudo em drogas. Assim, o rapaz da praia mandou ela e os filhos embora. Os três passaram fome! As crianças tomavam água com Mucilon e uma farinha que a pastoral da criança dava. O João chegou a pesar 5 kg e a Maria a 6 kg.
Então ela me ligou e disse que teria que vir embora. Eu disse que a casa dela estava vazia, ela que fosse para lá, que trabalhasse e que vivesse lá com as crianças. E foi o que ela fez, mas antes ela passou aqui em casa e perguntou: "posso deixar as crianças aqui para eu limpar a casa?" É claro que fiquei com os pequenos. Foi aí que percebi muitas lesões nas duas crianças. Só que na Maria havia lesões no interno das coxas. Então falei que iria levá-la ao médico, pois ela estava muito arredia, não conversava, não ria, não queria comer, não havia felicidade no rosto dela e quando eu ia trocar as fraldas, ela gritava muito!
Chegando ao médico, eu expliquei o que acontecia e ele acionou a rede de proteção para que fosse averiguada a história. E foi assim que se confirmou o que eu mais temia: Maria, com menos de 2 anos, havia sofrido tentativa de estupro, mas não conseguiram finalizar o ato (graças a Deus). A pediatra avaliou e estava intacta. Mas as lesões nas coxas eram nítidas. Foi muito triste! A partir daí a rede de proteção foi acionada pelo posto, a Nicolly já tinha levado o João para casa. Quanto à Maria, ela disse: "eu não quero a Maria, se você quiser pode ficar com ela." E eu disse que ela podia deixar a Maria comigo.
A rede foi até a casa de Nicolly e Altamiro. Mas quando chegaram, encontraram o casal drogado. Estavam dormindo num colchão (às 11:30h da manhã) e o João no chão, sem comer, sem limpeza. Então, acionaram o conselho tutelar, e iriam encaminhar o João a um abrigo. Mas antes perguntaram onde estava a Maria. Quando souberam que a Maria estava comigo, eles me ligaram e perguntaram se eu tinha interesse em ficar com a guarda dos dois. Se eu não ficasse, os dois iriam para um abrigo! Nesta hora, eu nem pensei em nada. Só disse: "sim, tenho sim!"
E foi aí que esta vó virou, definitivamente, mãe! Tratar os dois, as cabeças deles estavam com muitas feridas e muitos piolhos, estavam com uma desnutrição profunda, o João tem sopro no coração. E, naquele período em que ficaram lá na praia, o João vomitava e sentou uma mosca no ouvido dele... depois de um tempinho nasceu bicho dentro do ouvido do bebê e a Nicolly retirou o bicho, mas não tratou. Em decorrência disto, ele está com uma grave infecção no ouvido. Os dois têm uma rinite muito grave e terão que operar as amígdalas e a adenóide pois têm muita dor de garganta. Além disto, a imunidade de ambos é muito baixa.
Eu não poderia deixar os dois sem cuidados e estava faltando muito no emprego. A escola onde eu trabalhava estava sofrendo prejuízos com a minha ausência. Então resolvi pedir ajuda ao meu ex marido. Para que ele me ajudasse a me manter com as crianças até eles estarem mais fortalecidos com os tratamentos de saúde e com uma vaga no CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil). Depois que isso tivesse certo eu retornaria a dar aula. E todos sabemos que o que estes bebês mais precisam é do nosso amor, do nosso carinho, de sentir que estão sendo protegidos.
Esta é a minha história atual, minha luta diária é indescritível. Estou morando de favor na casa do meu ex marido. Estava construindo a minha pequena casa. Mas sem emprego e, portanto, sem salário... a obra parou. Não tenho como acomodar as crianças. Estamos vivendo em dois quartos de 3mx2,5m. Num total de 6 pessoas (ex marido, eu, nosso filho de 9 anos, nossa outra filha de 16 anos e nossos 2 netos - João e Maria).
Eu faço o que posso! O importante é que não falta nada para as crianças e o que temos de sobra é amor. Eu conto com a ajuda de vocês para que eu possa terminar a obra e acomodar melhor as minhas crianças.
Desde já, agradeço de coração a cada um que tem me ajudado! E agradeço a todos os que ainda me ajudarão. Sozinhos nada podemos, mas juntos somos verdadeiros faróis, sobre a grande rocha e que é puro amor! Unidos iluminamos este mar que é a vida, indicando o caminho para aqueles que estão perdidos na escuridão de suas tempestades.
Deus sempre os abençoe.🙏