
No dia 15 de agosto de 2010 descobrimos um câncer muito violento no meu avô, seus médicos deram a ele 3 meses de vida e com isso nosso mundo desabou... Foram quase 3 meses eu e minha mãe trocando nossa rotina de serviço e família para cuidarmos dele... Foi bem difícil pois ele acreditava que iria se curar, naquele ano ele completaria 80 anos dia 17 de dezembro e prometeu uma festa para as crianças da rua caso se curasse.... Sabíamos que não havia tempo para isso, mas acreditávamos que o milagre iria acontecer.Dia 05 de novembro de 2010 meu avô após muita luta veio a falecer.Sempre quisemos fazer algo para ajudar essa causa e em 2016 minha mãe entra para o GVCC (Grupo Voluntário de Combate ao Câncer), eu estava em uma vida louca trabalhando praticamente de domingo a domingo na Prefeitura e não podia entrar com ela nesse grupo... Nesse ano um menina linda de apenas 22 anos do nosso ciclo de amizade também piora com essa doença e resolvo criar um projeto chamado "A Beleza vai Além dos Cabelos", esse projeto frisava em fotografar mulheres e crianças em tratamento contra o câncer e valorizar seus sorrisos, olhares e esperanças em se curar daquela doença maldita... O Projeto sempre teve o alvo maior em outubro de cada ano devido ao outubro Rosa onde frisamos os maiores cuidados e precauções a doença... Em 2020 meu Projeto A Beleza vai Além dos Cabelos foi contemplado pela Lei Aldir Blanc - também chamada Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural ou Lei Aldir Blanc de apoio à cultura - é como ficou denominada a Lei nº 14.017 de 29 de junho de 2020 elaborada pelo Congresso Nacional com a finalidade de atender ao setor cultural do Brasil, maior afetado com as medidas restritivas de isolamento social impostas em razão da pandemia de Covid-19, já que fomos a classe mais atingida durante a pandemia.De 2016 a 2021 foram várias mulheres lindas registradas por minhas lentes e infelizmente também perdi bastante delas.O que não contávamos é que em 2021 não conseguiria realizar o meu projeto por estar levando uma das maiores rasteiras da minha vida... a descoberta dessa doença mais uma vez em nossa família... dessa vez a irmã mais velha da minha, minha tia Maria Aparecida Boscollo (talvez o nome seja um sinal de fé). Minha tia no início só confiava em mim e na minha mãe para cuidarmos dela... dizia que cuidamos tão bem do meu avô que iríamos fazer isso com ela também... O câncer dela foi muito rápido igual ao do meu avô e da sua descoberta no dia 9 de outubro de 2021 ao dia 18 de dezembro de 2021 foi um pulo de dias assustadores, noites mal dormidas e ainda com esperança de tudo melhorar, ANUNCIEI UM PAUSA EM MEU ESTÚDIO PARA PODER ME DEDICAR SOMENTE A ELA... mas o tempo foi o meu pior inimigo, precisava cumprir minha agenda de natal no estúdio (pois autônomo só come se vende) e passaria janeiro e fevereiro com ela... Não deu tempo, não me perdoo ainda por isso, não sei pensar no assunto se não for com lágrimas nos olhos e a perder sem ter tempo de me despedir foi e está sendo o meu pior castigo.Com o passar dos meses e sem amenizar minha dor, descobri que trabalhando eu sorria e me esquecia de tudo que havíamos passado... Mas também descobri que se ela confiava em mim, mais pessoas poderiam confiar!!!Resolvi então levar o meu projeto de fotografar mulheres aos hospitais de Barretos e Jau com uma Kombi onde pretendo colocar o meu totem fotográfico (tipo cabine), nas portas dos hospitais 1x por mês fotografando mulheres e crianças.A kombi seria para revelar 1 foto para cada família com o tema "Se você está Carequinha, você ganha uma fotinha".Pois bem, o mais difícil eu já consegui que é ter a Kombi, o que preciso agora é personalizar ela e deixa-la pronta para poder realizar esse objetivo que tenho de levar um pouco mais de alegria para essas pessoas que tanto sofrem.