Vaquinha criada em: 10/04/2025
Oi, minha gente.
Me chamo Lucas Barros de Lima. Sou educador popular, artista, pensador contemporâneo e estudante da Licenciatura em Educação do Campo pela UFRRJ. Nascido na periferia de Osasco (SP), sou cria também de Jupí (PE) e da Baixada Fluminense (RJ). Me reconheço como pessoa preta de pele clara, bissexual, e carrego comigo as marcas e potências de múltiplos territórios, saberes e vivências.Hoje estou na reta final da graduação, com minha monografia em construção. Mas estou enfrentando um grande obstáculo: meu computador já não funciona mais. Está danificado, lento, e tem me impedido de seguir com meus estudos e com os projetos que venho desenvolvendo com muito cuidado, afeto e resistência.
Por isso, estou criando essa vaquinha coletiva para adquirir um novo notebook — uma ferramenta essencial para continuar escrevendo, pesquisando, criando e sonhando. Mas essa vaquinha não é só sobre tecnologia. É sobre memória, ancestralidade, dignidade e futuro. Junto ao meu companheiro de vida, venho desenvolvendo projetos audiovisuais que dialogam com:
A alimentação ancestral nos terreiros, valorizando a comida de axé como expressão de cuidado, espiritualidade e resistência;
A vida e o trabalho de pequenos agricultores do território de Seropédica, suas lutas, saberes e modos de vida;
A produção de narrativas artísticas e cinematográficas, enaltecendo experiências periféricas, rurais e ancestrais, com atenção às intersecções entre raça, gênero, sexualidade, espiritualidade e território.Tudo isso nasce da minha própria caminhada, das dores e belezas que carrego, da fé nos meus passos e no legado de quem veio antes.
Participei de congressos e encontros que marcaram minha formação, como o VI Congresso de Diversidade Cultural e Interculturalidade de Angra dos Reis, o II Seminário Internacional de Educação do Campo da UFU, e a I Conferência Livre Nacional de Cannabis e Saúde Mental, entre outros espaços nos quais pude compartilhar experiências e aprender com pessoas incríveis.
E há uma força ancestral que me move: a memória da minha avó.Convivi com ela na infância, durante três anos muito marcantes. A lembrança dela acordando cedo pra moer café, o cheiro, o cuidado, a luta… tudo isso ficou gravado em mim. Quando ela partiu, foi como se o chão tivesse tremido. Sua partida me atravessou de forma profunda. Mas também me reorientou: é por ela, pelas mulheres da minha família, pelas que vieram antes, que eu sigo.
Essa campanha é também uma homenagem a elas. E como gesto de agradecimento a quem puder contribuir, compartilho aqui um poema que escrevi, dedicado à minha avó e a todas as mulheres que sustentam, silenciosamente, a vida e a esperança:
#poesia
Saudade!
Lembro-me de quando era pequeno,você acordava tão cedo para começar mais um dia na lida
Moendo os grãos de café para fortalecer nossos corações e nossa fé
Não tinha ideia que estava na presença e contemplando o dia-a-dia de uma guerreira
Mulher, mãe, avó, você sempre lutou pela sobrevivência,pela melhor educação dos seus filhos e netos
Te peço perdão por não poder ter te olhado nos olhos nos últimos diase dito o quanto te amo,e o quanto tenho orgulho de carregar seu sangue e sua força
Minha mãe, minha avó, minha forçaTe carrego comigo nos meus traços e no meu coração
Com essas palavras quero honrar sua memória e existência nessa vida.
Se você chegou até aqui, eu te agradeço com todo o meu coração. Cada apoio é uma semente que me ajuda a seguir produzindo, resistindo e semeando outros futuros possíveis.Se não puder contribuir com dinheiro, compartilha essa campanha com pessoas que possam.
Vamos juntos fortalecer essa rede?
Com carinho e ancestralidade,Lucas Barros de Lima