
AMO MINHA RELIGIÃO
Se quiser destruir o candomblé não quebre potes, não rasgue tecido. Vou te ensinar como destruir o candomblé! Fechem as encruzilhadas e estradas, vetem o amadurecimento dos frutos e o brotar das suas próprias sementes derrubando todas as árvores. Impeçam a terra de engolir os mortos e de transforma-los em vida. Enquanto isso, parem todos os ventos, apaguem o sol durante o dia e a lua durante a noite. Estanque as chuvas e desliguem os raios. Prendam as aves noturnas e diurnas, amarrem as borboletas. Coloquem uma rolha na boca do vulcão quando ele quiser cuspir. Depois, levem os rios para outros lugares que não aos mares, interrompa a dança das marés e comam todos os peixes. Danem todos os úteros. Cortem as cordas vocais dos galos e das corujas, mirem seu fuzis no arco-íris e matem ele. Mandem as nuvens saírem do céu. Pause o tempo, pause ele por um segundo. Não se iludam, potes quebrados não param meu povo. Meu povo está acostumado a atravessar oceanos e montanhas, conhemos os matos e eles gostam de nós. A arte mais bonita do meu povo é a da resistência.
(Autor desconhecido)