
Nunca imaginei que um dia estaria escrevendo um texto como este. Não vale a pena empreender no Brasil, infelizmente.
Sou empresário, dono de uma pequena empresa familiar, e sempre acreditei que trabalho, honestidade e respeito às pessoas seriam suficientes para construir um negócio sólido. Ao longo dos anos, geramos empregos, pagamos salários em dia, recolhemos impostos, enfrentamos crises econômicas, pandemia, aumento de custos e todas as dificuldades que quem empreende no Brasil conhece muito bem.
Mas hoje nos encontramos em uma situação que nos deixou financeiramente e emocionalmente abalados.
Há algum tempo, uma colaboradora pediu demissão da nossa empresa. Na época, tentamos de todas as formas fazê-la permanecer. Oferecemos mudanças de horário, alternativas de trabalho e buscamos entender o que poderia ser feito para que ela continuasse conosco. Ainda assim, a decisão dela foi sair.
Seis meses depois, fomos surpreendidos por uma ação trabalhista relacionada à estabilidade gestacional.
Durante o processo, a própria colaboradora confirmou que não sofreu coação e que a decisão de pedir demissão partiu dela. A empresa venceu em primeira instância. Venceu novamente em segunda instância.
Acreditamos que o assunto estava encerrado.
Porém, após recursos, a decisão foi revertida em instância superior. O entendimento final foi de que, independentemente das circunstâncias do desligamento, a proteção constitucional da gestante deveria prevalecer.
Respeitamos a decisão da Justiça, mas não podemos negar o sentimento de injustiça que carregamos.
Não porque somos contra direitos trabalhistas. Muito pelo contrário. Sempre cumprimos nossas obrigações e respeitamos nossos colaboradores.
O que nos dói é a sensação de que, mesmo tendo agido corretamente, mesmo tendo obtido decisões favoráveis em duas instâncias, fomos colocados em uma situação financeira extremamente difícil.
Como se isso não bastasse, estamos enfrentando outro problema grave: um cliente deixou uma dívida superior a R$ 100 mil com a nossa empresa e entrou em situação de insolvência, tornando praticamente impossível a recuperação desse valor.
E, ao mesmo tempo, estamos vivendo um momento delicado em nossa família. Minha esposa está grávida e a gestação é considerada de risco, exigindo cuidados especiais, acompanhamento médico constante e despesas que não estavam nos nossos planos.
Hoje nos vemos tentando equilibrar tudo isso ao mesmo tempo: manter a empresa funcionando, honrar compromissos, cuidar da nossa família e enfrentar obrigações financeiras que surgiram em um dos momentos mais difíceis da nossa história.
Não estamos aqui para atacar ninguém.
Não estamos aqui para questionar decisões judiciais.
Estamos aqui porque acreditamos que existem pessoas que entendem o que é empreender no Brasil, o que é carregar uma folha de pagamento nas costas, o que é lutar para manter empregos mesmo quando tudo parece dar errado.
Se você já passou por algo parecido, talvez compreenda a nossa situação.
Se puder contribuir, qualquer valor será uma ajuda importante.
Se não puder contribuir, compartilhar nossa história já fará uma enorme diferença.
Seguiremos trabalhando, lutando e fazendo o possível para superar mais este desafio.
Obrigado por dedicar alguns minutos para conhecer nossa história.
Com gratidão