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Prótese de perna para a Nat
Saúde / Tratamentos
São Paulo / SP

Prótese de perna para a Nat

ID: 79829
História da Natália contada por ela mesma"Sempre fui uma pessoa tão comum como qualquer outra, com a vida bastante rotineira: paulistana, morando com os pais e minha irmã, namorando há muito tempo, saindo com os amigos, estud ver tudo
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Vaquinha criada em: 07/09/2016
História da Natália contada por ela mesma"Sempre fui uma pessoa tão comum como qualquer outra, com a vida bastante rotineira: paulistana, morando com os pais e minha irmã, namorando há muito tempo, saindo com os amigos, estudando farmácia e bioquímica.... Nada fora do normal até então. Dentro do meu cotidiano. Andava de ônibus e metrô para alcançar os meus destinos diários, um dia qualquer, no final de 2013 o ônibus freou bruscamente e fez com que eu batesse a minha perna direita no degrau. Doeu muito, mas uma pancada como qualquer outra. Só que eu não sabia que aquela batida iria mudar minha vida para sempre... Pouco tempo depois eu comecei a sentir muita dor na região onde eu havia batido. Começou com dor quando eu fazia exercícios, então depois quando eu dirigia, quando eu dançava evoluindo pra até quando eu andava. Então eu procurei um médico do SUS, pois eu nunca tive convenio, sempre achei que não precisava por eu ter boa saúde, o médico me disse que não era nada, eu como já queria que não fosse nada, acreditei. Mas em Janeiro de 2014, dia 9 mais precisamente, eu senti muita dor e procurei, junto com meu namorado, o hospital M boi mirim, na Zona Sul de São Paulo, lá o médico solicitou uma radiografia. Com o resultado em mãos, ele me pediu pra procurar um hospital escola, pois aparentemente era um tumor. Eu saí do hospital bastante surpresa, porém tranquila, acreditava que por ter sido desenvolvido por uma pancada, seria obvio pra mim que era benigno. Fui para casa e contei para os meus pais, minha mãe ficou bastante preocupada e fomos imediatamente para o Hospital das Clinicas em São Paulo. Chegando lá havia uma enorme faixa dizendo pra que a população procurasse o AMA mais próximo da residência, pois o HC estava em reforma. Minha mãe não se conformou e conversou com os guardas na guarita. Eles chamaram um enfermeiro que aceitou nosso caso. Isso já era de madrugada. O médico me fez as perguntas de praxe, solicitou outra radiografia e uma tomografia, fiquei 24 horas no hospital aguardando para fazer o exame e pegar o resultado, afinal era o pronto socorro do HC. O ortopedista afirmou que era um tumor, porém não sabia de que tipo, se benigno ou maligno e me encaminhou para o grupo de tumor do instituto de ortopedia e traumatologia. No dia da consulta 22/01/14, o grupo do tumor analisou meu caso e pediu uma ressonância magnética pra ser realizada no dia 30/01/14 e eu pegaria o resultado em uma consulta no dia 12/02/2014 e saber se era um tumor maligno ou benigno. Apesar da possibilidade eu acreditava fielmente de que seria benigno. Mas algo aconteceu nesse intervalo, dia 07/02/14 eu tive uma fratura patológica, ocasionada pelo desgaste ósseo causado pelo tumor, apenas apoiando a perna no chão. Fui levada ao hospital mais próximo e então fiquei internada com uma tala gessada ate a coxa. Eu comecei a sentir bastante dor a partir de então.  Dia 12/2/14 chegou e o hospital onde eu estava me levou ao HC, com o intuito de que eu ficasse internada lá, só que os médicos do HC disseram que não seria necessária minha internação. Abriram a tala de gesso e houve uma surpresa, o tumor havia crescido muito e a pele estava avermelhada. O resultado da ressonância¿  Não identificável, os médicos disseram que os tumores tinham características, mas o que eu tinha não tinha características nem benigna e nem maligna. Começou ali o meu desespero. Não saber o que eu tinha, era a pior sensação, o incerto nos deixa muito atribulados. Saí de lá com uma biopsia agendada para o dia 19/02/2014 e fui para casa da minha sogra, pois não havia como eu ir pra minha, pois havia  escada, o que impedia meu acesso. Muitas mudanças em um curto espaço de tempo, no momento mais difícil da minha vida, eu tive que ficar longe dos meus pais e da minha irmã, nunca havia ficado longe deles. Mas eu acreditava que seria por um curto período, eu acreditava que em breve tiraria a tala e eu voltaria ao normal... Foi uma experiência totalmente nova, ficar com a família do meu namorado.  No dia 19/2/14 fui realizar a biopsia, o tumor estava ainda maior. Eu estava com muito medo, sempre fui muito saudável e nunca havia passado por procedimentos muito invasivos. Fui anestesiada localmente, mas apesar da anestesia eu pude sentir a dor no osso quando eles tiraram um pedacinho. No retorno pra casa sentia muita dor e elas não pararam mais, na verdade aumentaram muito. Muito mesmo! Depois da biopsia as dores ficaram surreais, eu utilizava Tramal de 100 mg a cada 6 horas, mas as dores não sessavam. E cada dia que passava aumentava mais. Eu pedia pra minha sogra esquentar um pano e por na parte que ficava de fora do meu pé, na esperança de amenizar as dores, eu ficava apenas na esperança. Eu tinha uma consulta para lerem o resultado da biopsia no dia 12/3/14 e fui, porém a analise ainda não estava pronta, mas meu desespero pra saber o que eu tinha não me dava sossego então eu perguntei ao médico, quais eram as possibilidades dependendo do resultado, o médico me disse que se fosse benigno, eles iriam realizar uma cirurgia e faze ruma raspagem no osso e se fosse maligno havia duas opções: retirar a parte afetada e por uma endoprótese ou a tão temida opção, a amputação. Estávamos meu pai, minha mãe, minha sogra e eu, ficamos sem chão e eu entrei em desespero, chorei escandalosamente, resistindo piamente essa hipótese. Foi um momento muito delicado pra todos nós. Voltamos pra casa, com a sensação de ter saído de um velório, ninguém dizia uma palavra. Os dias foram passando e as dores muito forte. Teve um dia em que meu namorado, minha sogra e eu dormimos na sala, de mãos dadas orando e pedindo a Deus que amenizasse meu sofrimento. Dia 20/02/14, foi um dos dias em que eu mais sofri de dor, foi então que fomos para o hospital, para ver o que podia ser feito, pois as dores estavam insuportáveis. Quando cheguei ao hospital que abriram a tala, havia uma enorme ferida, o local da biopsia não havia cicatrizado. Fiquei internada e na manhã do dia 22/03/14, veio a noticia: eu tinha um câncer maligno na minha tíbia direita e precisava realizar quimioterapia urgente! Eu fiquei sem chão, meu mundo desabou, fiquei desesperada, chorei bastante. Mudanças drásticas em questão de poucos meses. A primeira coisa que veio a minha cabeça, foi o que toda mulher pensa: vou perder meus cabelos! Demorei algumas horas para assimilar que aquilo de fato estava acontecendo. Então no dia 23/3/14, fui internada no instituto do câncer para realizar a primeira sessão de quimioterapia. Que choque, que jovem de 23 anos imaginaria que desenvolveria um câncer maligno na perna?  Foram momentos bem intensos, mas sempre estiveram ao meu lado meus pais, meus sogros, minha irmã e meu namorado estiveram sempre comigo, me apoiando, pedindo orações, me colocando pra cima, pra eu não perder a vontade de viver e não foi uma tarefa fácil. Fiz a primeira sessão de quimioterapia nos dia 23/3/14 e 24/3/14. Avisaram-me de todas as possíveis reações que eu poderia ter. E é... eu tive! Fui pra casa uns 4 ou 5 dias depois e tive náusea, vômitos, falta de apetite, claro, a queda de cabelo e outras mais que você só descobre quando passa pela situação, que eu não desejo pra ninguém na face da terra.

O Dia que caiu meu cabelo, mesmo eu já sabendo que iria acontecer, quando eu vi, chorei. Chorei, pois vi o pesadelo tornando realidade, uma realidade muito cruel. Começou a cair numa segunda feira de abril e no sábado eu fui ao cabeleireiro pra raspar. Chorei de novo, afinal nunca me imaginei numa situação tão dolorosa, ninguém se prepara para o pior. E nem deve. Eu acho.

Mas quando eu vi que realmente estava acontecendo, que era bem real e não havia muitas alternativas, eu escolhi viver, escolhi ser feliz mesmo com o universo, aparentemente, conspirando contra mim. Comecei a pesquisar na internet, formas de se embelezar, mesmo estando careca, encontrei varias dicas, inclusive da Karina Xavier (in memorian), uma garota que tinha quase o mesmo problema que o meu, porém um pouco mais complicado e que ainda assim não perdia a vontade de viver, era linda e feliz, e dava muitas dicas de moda. E ela foi uma das minhas inspirações, infelizmente eu não tive a oportunidade de conhecê-la, Deus a levou antes. Mas ela deixou o seu legado na terra, aposto que ajudou muitas pessoas na mesma situação que nós.

Meu namorado lindo, Nilson, raspou a cabeça comigo, Ele foi e é muito atencioso comigo, não me abandonou em nenhum momento e sempre me deu muita força.

Então a minha jornada de quimioterapia começou, logo na primeira sessão eu já não senti mais dores e o tumor diminuiu visivelmente, num total eu realizei 6 sessões antes da cirurgia.

A cirurgia... quando os ortopedistas vieram conversar comigo, disseram que a cirurgia seria bem invasiva, porém não saberiam me responder se a amputação seria necessária ou não. Disseram que minha perna estava muito comprometida, porém havia 1% de chance de salvar minha perna. Minha família e eu nos agarramos nesse 1% de chance de mantivemos a fé muito viva de que a amputação não seria necessária.

No dia 17/07/14 eu me internei pra realizar a cirurgia, durante a entrevista o médico percebeu que eu não estava preparada pra amputação e preferiu cancelar a cirurgia e conversar comigo novamente. Foi então que ele abriu o jogo: disse que meu caso era bastante grave, que as chances de salvar minha perna eram mínimas e que eu poderia optar por não amputar, porém ele me daria uns 7 meses de vida. E conversamos bastante e ele usando argumentos bem convincentes para me mostrar que a amputação seria minha salvação, eu fui percebendo e aceitando que realmente seria minha melhor e talvez única opção se eu quisesse continuar a viver.  Então eu consenti e remarcamos a cirurgia para o dia 31/07/14 e foi nessa data que minha nova vida começou.

Realizei a cirurgia de amputação numa quinta feira, quando acordei da anestesia, eu perguntei se haviam amputado minha perna a enfermeira disse que sim, eu não chorei, apenas escorreu uma lagrima do meu rosto, vendo que meu maior pesadelo tinha tornado realidade. O que mais me doía naquele momento era me apresentar pra minha família daquele jeito. Tinha receio de como eles iam me receber, sabia que ia ser muito mais difícil pra eles. Principalmente pra minha mãe. E realmente foi. E está sendo.

Neste meio tempo, meu pai foi afastado do emprego, pois ficou extremamente abalado com tudo que me aconteceu, ele é motorista de ônibus e o fato de tudo o que me aconteceu ter começado em um ônibus, isso mexeu muito com ele. Ele disse que ficava imaginando se por acaso ele não poderia causar a mesma coisa à algum passageiro. Foram momentos bem árduos.

Quando eu recebi alta, vim pra minha casa num domingo. Tudo bem. A cirurgia foi um sucesso, não houve nenhuma complicação. Tudo em paz. Uma semana após a cirurgia, eu comecei a sentir dores insuportáveis no membro amputado. Eu conseguia apontar no pé esquerdo onde exatamente estava doendo no pé direito, eles denomina, isso como dor fantasma. Doía muito. Chegou a me atrapalhar a dormir. Isso foi outra guerra, pois achei que não ia parar nunca e eu me chateei muito, eu já havia amputado a perna e surgiu uma dor mais forte de quando havia câncer na perna. Com o tempo passou graças a Deus.

Após a cirurgia fiz mais 4 sessões de quimioterapia. Todas com louvor graças a Deus. No dia 31/10/14 foi a ultima sessão. E em novembro de 2014 realizei exames que comprovaram que não haviam mais indícios da doença.

Aos poucos fui me adaptando ao novo eu e tentando o quanto antes retomar minhas atividades, hoje em dia eu aprendi a nadar, pois não sabia, estou fazendo academia, tento dançar, retomei os estudos, quero muito me formar,  voltei a trabalhar também e ainda quero me casar rsrs. Quero voltar a ter uma vida o mais próximo do normal possível, pois é possível viver mesmo com limitações.

Esse é um resumo detalhado da minha história. Espero que interesse vocês, pois sei que há muitas pessoas passando por processos difíceis por ai, mas quero que elas saibam que a pesar de tudo vale a pena viver, principalmente pra trazer a alegria de quem nós amamos. Mesmo porque, "existe vida após a morte de um membro."

Para quem quiser colaborar com depósito bancário: Itaú - agencia: 6234 - Conta Corrente: 18936 0 - Favorecido:Nilson Mendes da SilveiraSantander - agencia: 3373 - Conta Corrente: 02003697 3 - Favorecido:Nilson Mendes da Silveira
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