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ID: 4983677
Coisa que se deu no dia 19 de julho, não me falhe a memória. Poderia ali consultar meu histórico de telefonemas ou os papéis da recisão, mas estou confortável aqui no sofá. Mas, eis do que se trata:Eu estava trabalhando, como Educador Socia ver tudo
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Vaquinha criada em: 26/07/2024

Coisa que se deu no dia 19 de julho, não me falhe a memória. Poderia ali consultar meu histórico de telefonemas ou os papéis da recisão, mas estou confortável aqui no sofá. Mas, eis do que se trata:

Eu estava trabalhando, como Educador Social, num acolhimento para pessoas em situação de rua. E, bem, acabei estreitando vínculo com um jovem, de 23 anos. Um enlace entre pessoas que propunha a relação de pai e filho. E, dada feita, eu saia do meu plantão, ele também se retirava do acolhimento, e sem rumo. Ao não surtir efeito minha tentativa de convencê-lo a ficar, e sendo que, já da hora passava em que ele deveria ter entrado: gélida e fina chuva se fazia; ofereci minha casa como pousada para aquela noite. Uma vez que o abriguei, num lugar onde sozinhos não ficamos, haja vista que também moram comigo dois irmãos, não oriundos da mesma mãe ou pai que eu, entretanto, dum mesmo espírito; fomos tomados de uma identificação maior e assim, propus: que ele permitisse a mim adotá-lo.

Sei que, fosse uma criança, ou alguém com alguma demanda mental, não seria possível agir sem maior burocracia. Compreendo que tais situações, demandam maiores cuidados. Mas, em se tratando de alguém que poderia inclusive escolher livremente onde estar, presumi que o meu proceder passaria ileso ante a possíveis reprimendas ou consequências negativas. Sequer as previ. E, por outro lado, sempre me imaginei apadrinhando ou acolhendo assim, alguém que já tivesse "passado" da fase, porque, sempre me pareceu uma forma de dar oportunidade àqueles que, tendo sido excluídos por toda a infância e adolescência, são entregues a brutal luta pela sobrevivência.

Tanto não temi, que no dia do meu retorno ao trabalho, conduzi meu filho até o abrigo para que recolhesse seus bens e para que eu comunicasse tal decisão a quem devido. E, tal evento propalou-se como um escândalo, que desdobrou em reações por parte do órgão gestor da Assistência Social de Porto Alegre, RS, resultando a compreensão de que já não seria adequada a minha presença naquele trabalho. E assim, fui demitido. Talvez, para muitos, tenha sido bem feito, mas eu juro, não previ e fiz com boa intenção.

Sabem, eu estava lendo O Processo, de Kafka, e acabei passando por isso. Aquele temor da burocracia, dessa grande espada que paira sobre nossas cabeças. Das suas repartições fechadas, dos julgamentos sem defesa, das punições sem lei previamente estabelecida, do velho jeito do mundo agir, eu acabei conquistando um lugar privilegiado para interpretar tal literatura. A decisão foi também instantânea, e por não pertencer ao seleto grupo dos concursados, não houve sequer um PAD.

Antiético? Ante a qual código? Eu fiz dois cursos de capacitação para Educadores Sociais, não li nada a respeito. Quais foram os valores que eu feri? Os da Administração Pública? Já que se trata de Lei, ninguém pode se escusar dizendo não conhecer. O da impessoalidade? Será que eu teria que ter acolhido a todos? Não sei. Talvez eu tivesse, num processo, tentado argumentar em nome da razoabilidade. Mas, não sei. Apenas é que os dois homens vieram durante a noite. E, depois da ponte, executaram-me também, Josef K.

De qualquer jeito, como o meu filho goza de faculdade suficiente, não pôde ser detido e, como esteve determinado a vir comigo, olhei em seus olhos, disse: "faria de novo!" E, saímos daquele local. Agora, já passados alguns dias, recebi verbas da recisão com as quais propiciei alguns bens e confortos a ele, pelos quais agradeceu alegando nunca antes ter recebido tais atenções. O brilho do seu olhar, ante a um tênis novo, não me faz ainda compreender a incoerência da minha ação. Estamos desenvolvendo diálogos muito profundos, ele tem me honrado com abertura para compreendermos o seu processo. Estamos desenvolvendo um planejamento para ações de desenvolvimento dele, metas. Mas, claro, o que eu mais valorizo, não é esse dar certo do marketing. Mas, o amor, o acolhimento, o abraço.

Eu ainda possuo algum recurso e, por causa de uma clemente negociação da OSCIP por meio a qual eu era contratado, estou na expectativa do seguro desemprego. Mas, este meu recém nascido tem demonstrado ter demandas muito profundas, às quais, gostaria de dedicar-me. Contudo, sou também estudante universitário, faço Filosofia pela Unisinos, apesar de ead, e barata a mensalidade, na perspectiva de se ganhar um salário mínimo, já não é tão cabível. Ainda mais, intentando-se cuidar de alguém. Além disso, faço tratamento psiquiátrico porque sou TDAH. E, até então, vim arcano com os valores das consultas, por causa da dificuldade de se encontrar atendimento no SUS, ou algo adequado através dos planos. Assim sendo, 

gostaria de pedir ajuda para que eu também pudesse gozar duma certa licença paternidade estendida. Cuidar dele, por nem que fosse um semestre, de forma mais apropriada. Também servir algum conforto. Inclusive, tratamento odontológico e próteses dentárias. Então, criei uma vakinha, peço que cooperem como for possível. E que assim, possamos, juntos, dar uma oportunidade para esse moço, que em espirito, eu pari. Mas que é nosso filho, pai e irmão. 

Assim, o link da vakinha: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/projeto-um-por-um?

Ou, meu pix: 032.868.201-21

Obrigado!

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