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Pesquisa sobre alimentos no grupo indígena Kamayura no Xingu
Projetos Sociais / Voluntariado
Canarana / MT

Pesquisa sobre alimentos no grupo indígena Kamayura no Xingu

ID: 4809255
Estamos realizando um projeto de pesquisa, em duas aldeias no Alto Xingu, da minha etnia intitulado “ etnografia alimentar nos Kamayura: Pequi do Xingu”, inclusive meu avô Pajé Sapaim que falava o quanto era importante o Pequi para mundo. D ver tudo
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Vaquinha criada em: 17/05/2024

Estamos realizando um projeto de pesquisa, em duas aldeias no Alto Xingu, da minha etnia intitulado “ etnografia alimentar nos Kamayura: Pequi do Xingu”, inclusive meu avô Pajé Sapaim que falava o quanto era importante o Pequi para mundo. Desta forma estou sem bolsa da Universidade, sem financiamento, sem emprego e preciso realizar o campo e a pesquisa, me locomover até as aldeias, comprar os materiais e escrever a tese. Esse trabalho vai ajudar a comunidade no sentido alimentar e de saúde, pois através dele vamos entender as influencias dos alimentos industrializados na comunidade,  vamos buscar uma patente social  do Pequi do Xingu para resguardar os direitos dos povos sobre essa variedade, pois estão tentando roubar do Xingu, assim como fizeram com vários outras espécies de plantas e conhecimentos. O estudo vai proporcionar também a criação de outros projetos para se implantar sistemas de reflorestamento e agroflorestais, incrementando a variedade de alimentos nas comunidades, buscando produzir o pequi, tirar o óleo, polpa, e castanha, e gerando renda para a comunidade indígena.

 

Sou Raoni Kriegel Kamayura, sou da etnia indígena kamayura do  Xingu. Venho por décadas lutando pelo meio ambiente e o direito dos povos indígenas no Brasil. Morei no Xingu até os 7 anos até os 13 anos, transitei por aldeia no Estado do Mato grosso, depois mudei pro Estado de São Paulo para estudar e me formar. Fiz curso técnico em meio ambiente nível médio, depois fui buscar entrar numa Universidade. Nesse sentindo demorei 3 anos prestando vestibular em universidades públicas, tendo que trabalhar e estudar buscando uma oportunidade. Quando consegui passei em 3 universidades, assim escolhi a Universidade Federal do Paraná. Se passar num vestibular foi difícil, foi pior se manter e se formar na graduação em Gestão Ambiental. Após muita luta consegui me formar, engatei uma especialização em agroecologia-IFPR e ao mesmo tempo o mestrado na UFScar em Agroecologia e desenvolvimento Rural. Sempre fui bolsista da Universidade, tinha uma ajuda de custo para pagar aluguel se alimentar, e trabalha voluntariamente em projetos socio ambientais. Tudo estava fluindo até que passei no Doutorado na UFSC fiquei muito animado, fui pra Florianópolis e não sabia o que me esperava. Após 2 anos de curso eu já havia feito todos os créditos do programa estagio, fui pro Xingu, que sempre ia visitar minha família pelo menos uma vez por ano, e trouxe o Sal do Xingu feito de aguapé. Dei esse sal para meu Ex: orientador como um presente, sem pretensão. Ele pegou esse sal e mandou fazer uma análise sem meu consentimento, sem o consentimento da comunidade ou da FUNAI e falou para eu publicar um artigo pois ele queria ver as possibilidades de patente, pois ele era agrônomo geneticista. Nesse sentindo não concordei com a situação, pois tenho um compromisso com minha comunidade, para realizar tais procedimentos é necessário passar pelo comitê de ética, ter autorizações para resguardar os direitos dos conhecimento e espécies dos povos indígenas. Resumindo, ele conseguiu me desligar do programa faltando 1 ano e meio pra defender. Perdi a bolsa, nessa época meu filho estava com 1 ano, foi uma fase bem difícil. Voltei embora, não queria saber mais de academia, fui dar aula no ensino fundamental em escolas indígenas, onde fiquei por 4 anos. Tivemos a pandemia, e nesse período sofri violência urbana, onde me acertaram com um pedaço de Pau na cabeça, quase acertando a tempura, na lateral, meu olho esquerdo explodiu, assim perdi a visão. Foi um período bem difícil, tive apoio de poucas pessoas uma em especial de minha atual companheira. Que me deu forças, eu já havia iniciado uma segunda graduação em pedagogia, que o SENAC  que abriu bolsas integrais para professores indígenas, após 1 ano passei no doutorado novamente. Desta forma chegamos a vaquinha. 

Assim resumo minha trajetória que tem um propósito coletivo, de proteção da natureza, de apoio aos povos tradicionais e minorias que precisam do seu território para manter suas vidas e sua cultura.

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