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Pesquisa de identificação do Soldado Desconhecido

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O dia em que os restos mortais foram encontrados

Em 2012, foi feito o mapeamento genético do Soldado Desconhecido, último brasileiro morto na Segunda Guerra Mundial, que está enterrado em Pistoia. Há a hipótese de que se trate de Fredolino Chimango, do Rio Grande do Sul. Agora surgiu a oportunidade de comparar o DNA do Soldado Desconhecido com o de parentes de Fredolino. Porém, para que seja feita a comparação, é preciso pagar o procedimento. Por isso pedimos sua ajuda, para, quem sabe, podermos trazer este brasileiro de volta para casa.

E mais: caso não seja Fredolino Chimango, os resultados serão doados ao Governo brasileiro, para que ele possa algum dia comparar com descendentes de outros desaparecidos.

Por que pode ser Fredolino Chimango?

Quanto ao morto da Itália, há bibliografias que apontam ser Fredolino Chimango, Cabo da 7ª Cia, do III Batalhão do 11° Regimento de Infantaria, dado como desaparecido em 16 de abril de 1945, em Montese/Modena. Em 1967, um corpo de soldado brasileiro foi encontrado em Montese. Não faltam registros que liguem a identidade do corpo encontrado ao Cabo Chimango.

Estudiosa do assunto, a pesquisadora Adriane Piovezan, no livro “Morrer na guerra: a sociedade diante da morte em combate” (2017), lembrou que já havia homenagens para Chimango na década de 60.

Citando as lembranças do chefe do Estado Maior da FEB, Floriano de Lima Brayner, que dizia que outros dois soldados desaparecidos já tinham sido identificados na região (Rubens Galvão e Júlio Nicolau), Adriane transcreveu o seguinte trecho do livro “Luzes sobre Memórias” (1973, p.111): “o terceiro extraviado, publicado em Boletim da Unidade de 16 de abril de 1945, chamava-se Fredolino Chimango, natural de Passo Fundo, Rio Grande do Sul”.

A autora também observou que Lima Brayner registrou na mesma obra, página 114, que terra do primeiro túmulo de Chimango, foi levada para a sede do 11° Regimento de Infantaria e entregue ao comando da unidade militar, em cerimônia de formatura. Claramente, segundo Lima Brayner, era Fredolino Chimango o morto de Montese e ele tinha esperança de que um dia os restos mortais voltassem ao Brasil.

O conteúdo do livro não é muito diferente do que o próprio Lima Brayner publicou em artigo de opinião em 16 de abril de 1971. Já Marechal, ele escreveu que havia pesquisado arquivos no Brasil e na Itália, com o apoio do presidente Artur da Costa e Silva (em 1967) e que não havia dúvidas quanto à identidade do morto. Saiu no jornal Diário da Manhã. Nas linhas que escreveu, havia equívocos quanto à Cia de Chimango, porém, ele enfatizou que não era outra pessoa que não o combatente gaúcho.

Como o corpo foi achado?

Em notícia de 2010, assinada por Mateus Parreiras, para a Folha de São Paulo, o jornalista escreveu que um italiano procurou militares brasileiros para contar o ocorrido: “O italiano disse aos militares que, durante uma batalha na cidade de Montese, encontrou um soldado brasileiro morto na mata. Como passava por dificuldades por causa da guerra, roubou-lhe as botas e o relógio e depois o enterrou com a ajuda do pai, em meio a escombros, naquela cidade. A ossada encontrada sob um monte de entulho tinha vestígios de fardamento brasileiro, mas não estava com as plaquetas de identificação dos soldados e nem portava documentos”. Veja a notícia aqui.

Quem mais afirma ser o corpo de Chimango?

José Dequech, 2º sargento da Cia de Obuses do 11° Regimento de Infantaria, no livro que escreveu em 1985 (Nós estivemos lá), afirmou que de quatro soldados do 11º Regimento de Infantaria desaparecidos em Montese, apenas um não havia sido identificado: Fredolino Chimango.

“Ao tomar conhecimento desse fato, o soldado Waldomiro Antunes de Oliveira, que também viveu o episódio da 7a companhia e hoje reside em Santo Ângelo/RS, diz que: dias antes do ataque, quando eles ainda estavam em Gaggio Montano, o cabo Chimango deixara uma carta que não chegou a ser remetida aos seus familiares em Passo Fundo/RS e que no dia em que o seu amigo tombou, ele esteve no local, ajudou a reunir as partes despedaçada do corpo e não encontrou a placa de identificação. Os restos mortais do cabo Chimango foram transladados para o Monumento Votivo Militar Brasileiro, em Pistóia, onde foi sepultado com as merecidas honras fúnebres, em uma urna gentilmente cedida pelo governo italiano. Já se passaram todos esses anos e ninguém ainda se empenhou em trazê-lo para o Brasil”, escreveu na página 102.

O 3º sargento da Bateria de Comando da Artilharia Divisionária da FEB, Waldir Merçon, no livro “A minha guerra” (1985), página 107, também é categórico em dizer se tratar de Fredolino Chimango o soldado de Montese, enterrado como soldado desconhecido em Pistóia.

No jornal da Associação Brasileira de Imprensa, número 246 de 1995, há menção de que o soldado seria Chimango.

Quem era Fredolino?

Fredolino Chimango

Fredolino era um dos 11 filhos de Edmundo Chimango e Gabriela Francisca da Silva, todos de Passo Fundo/RS. O jovem de 22 anos desapareceu em combate quando a Cia dele mantinha posições, perto de Cota 831, próximo de Montese, quando o III Batalhão estava em posse de Serreto e Paravento. Foi no segundo dia de combate, quando o batalhão dele “extenuado e com muitas baixas (148), foi acolhido pelo 3º Batalhão do 6° Regimento de Infantaria, que se instalara pouco à retaguarda das posições atingidas por aquele Batalhão, que foi se reunir na região de Campo Del Sole”, explica o comandante do Regimento, Coronel Delmiro de Andrade, no livro “O 11º Regimento de Infantaria na II Guerra Mundial” (1950).

As baixas aumentaram para 183 durante a madrugada de 15 para 16 de abril de 1945, fazendo um clarão na Cia e Campo del Sole que era a base de partida do ataque, foi também o local de reunião dos sobreviventes. Fredolino não voltou com os poucos que tinham escapado vivos e sem ferimentos.

Antes de morrer, Chimango foi visto ajudando na evacuação de outros colegas feridos, exercendo uma função que não era a dele, atuando como padioleiro. Quem o viu todo ensangüentado, ajudando colegas feridos, foi o 3º Sargento Ary Roberto de Abreu, que deu tal declaração no livro “Vozes de guerra”, de Sírio Sebastião Fröhlich (2015).

Na parte de combate do Coronel Adhemar Rivemar de Almeida, página 106, de 1950, que é uma transcrição do documento original, feito à mão durante a guerra, ele registrou sobre Chimango:

“Destaco entre eles o cabo Fredolino Chimango, falecido, que com sua peça de metralhadora conseguiu heroicamente atingir e neutralizar uma casamata alemã que ameaçava seriamente o flanco esquerdo da 6ª companhia. Apesar da reação do inimigo, o cabo Chimango só deixou de atirar quando sua arma foi atingida em cheio por uma granada de artilharia que lhe levou a vida”.

Depois disso, Chimango não foi mais encontrado e recebeu uma medalha de bravura por ato de bravura coletivo, de 2a Classe, simbolicamente concedida no pós-morte.

Encerrada
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