
Eu sou Maria Fernanda Costa criei esra vaquinha para ajudar minha mãe sair desta cidade que só traz sofrimento para nós após a perca da minha irmã.
Eu, Marlene Ferreira Costa declaro para os devidos fins que sendo mãe de Maria Eduarda Costa Prado, levei a mesma no hospital no dia 06/12/2017 por volta das 21h30 com fortes dores na garganta, ouvido e cabeça e dores no corpo em geral e também com febre, onde a mesma passou pela triagem e foi encaminhada ao Clínico Geral Dr Afonso Oliveira Amorim de Sousa CRM 185659-SP que após explicar o que estava sentindo o mesmo ofereceu uma benzetacil ou antibiótico para casa sem ao menos fazer o exame físico, não olhou garganta, ouvido ou ausculta pulmomar sequer. Questionamos o que o mesmo achava melhor ele indicou a benzetacil pois o efeito seria mais rápido, pedi para que ele fizesse um encaminhamento para o otorrinolaringologista, assim foi feito o pedido e nos dispensou sem sequer um exame ou uma radiografia realizada.No dia 07/12/2017 Maria Eduarda já medicada continuou com as queixas e teve uma piora, referindo fortes dores nas costas no lado direito, voltamos ao hospital, abrimos a ficha e fomos direcionadas para a triagem, porém a enfermeira (Fabiana ou Juliana) não me recordo muito bem o nome, já estava começando fazer a triagem quando perguntou o que a mesma estava sentindo, respondi que estava com muita dor nas costas do lado direito, ela interrompeu a função dela como enfermeira e ao meu ver tomou o lugar do médico que deveria fazer o encaminhamento caso fosse necessário, porém a mesma nos encaminhou para o ortopedia, questionei se a mesma poderia fazer a triagem, porque minha filha estava com a temperatura de 39 graus e falta de ar. A mesma disse que não, como ela estava com dores nas costas deveria passar com o ortopedista, questionei que essa dor poderia ser várias coisas, a mesma de maneira rude falou pode sair e ir pela calçada a esquerda e ir à ortopedia. Saimos da sala, minha filha com muita dor, chegamos na ortopedia abrimos nova ficha, poucos minuto após abrir a ficha fomos atendidas pela Dra Melissa M Avamileno CRM 157.007-TEOT14.920 perguntou o que estava acontecendo, expliquei para a mesma, se levantou foi até minha filha, levantou o braço direito dela, demonstrou grau 10 de tanta dor que estava, a Dra Melissa ainda em pé disse que era somente uma dorsalgia não especificada CID M549, disse que era apenas uma dor muscular, não foi solicitada nenhuma radiografia novamente, e receitou nimesulida para casa, questionou se a mesma precisava de atestado, eu mesma como mãe respondi que sim, ela perguntou qual empresa que trabalhada, respondi Unitono, fez o seguinte comentário, cuidado ficar pegando atestado, esse empresa sempre questiona o porque dos atestados, respondi Dra para minha filha estar aqui é porque não está bem, ela nunca pede para ir ao médico, nos entregou o atestado e o receituário e nos dispensou, voltamos para casa com minha filha se queixando de muitas dores, arrumei ela na cama, apoiei umas almofadas para ver se ela conseguia dormir, mas não foi o que aconteceu, por volta da 0h40 ela levantou gritando de dor, cianótica, pedindo que eu fizesse massagem nas costas do lado direito, se jogou no chão e implorou para voltar ao hospital, chamei o uber e retornamos ao hospital, foi realizado a triagem novamente, foi atendida pelo Dr José, foi realizada uma radiografia e o mesmo falou que estava normal, pediu exames laboratoriais. Minha filha ficou sentada na sala de medicação até as 10h do dia 08/12 aguardando a ressonância, pedi que a enfermagem chamasse o médico para vir conversar comigo e me explicar o que estava acontecendo, ela falou que eu não tinha com o que me preocupar, que tinha dado algo no exame de sangue mas não era nada grave, e havia pedido uma ressonância mas para mim ficar tranquila, logo em seguida minha filha foi encaminhada para fazer a ressonância com contraste, ao sair da sala a técnica falou que o resultado sairia após as 12h30. Voltamos para a sala de medicação onde minha filha ficou sentada aguardando, pedi para a enfermagem ficar de olho nela, pois ia levar minha outra filha de 7 anos ao colégio, logo em seguida minha filha Maria Eduarda me ligou chorando, disse que o médico falou que havia dado uma pequena embolia e talvez precisasse de UTI, voltei correndo ao hospital, ao chegar me informaram que ela estava na retaguarda, subi para o setor, pedi para a enfermagem chamar o plantonista, Dr Cláudio compareceu e o mesmo falou que não era nada sério, mas eu estava vendo que ela não estava bem, pelos parâmetros, mas minha menina estava tirando foto da pulseira, da carteirinha, fazendo vídeos dos pés, enviando para as amigas, que aquele dia estava chato, que queria estar no trabalho, ela estava muito triste, perguntei se estava com dor e ela sim, pra respirar. Perguntei para a enfermagem sobre a temperatura, ela respondeu que estava sem febre, pedi o termômetro emprestado para fazer a aferição, pois ela estava com as mãos geladas, aferi e estava com 40 graus de temperatura, 178 BPM, SAT 86%, disseram que já iriam medicar. Pedi para chamar o médico novamente e perguntei se ele achava normal uma menina de 18 anos com batimentos de um RN, ele falou que iria pedir um novo exame, foi quando fui chamada à recepção para fazer a internação, quando vi que iam colocá-la num quarto eletivo questionei a recepcionista porque o médico estaria mandando para o andar e não para UTI, ela respondeu que minha filha ia ficar no andar, voltei a retaguarda e pedi que chamasse o médico novamente, questionei se ele não achava que o caso da minha filha era de UTI, ele respondeu que ia fazer mais um exame para decidir. Não sou médica, mas tinha certeza que minha filha estava entrando em sepsemia, porém disseram que ela uma embolia, e começaram a medicar com clexane, foi quando pouco tempo mudou a conduta dizendo que ia mandar para a UTI, minha filha pediu para ir ao banheiro, respondi filha vai ter que usar a comadre, usa técnica falou que ela podia ir ao banheiro sim, perguntei se ela tinha protocolo de embolia, respondeu que ia perguntar, e perguntou para outra técnica que estava próxima e juntas disseram que minha filha podia ir ao banheiro sim, pedi uma cadeira de rodas e uma delas foi acompanhando, minha filha estava com muita dor, dizia que era na garganta e nas costas, estava tão cianótica, ainda fiz uma piadinha com ela e vi o sorriso mais triste da minha filha, aquilo me deixou tão triste e sem palavras com tanto descaso. Meu irmão chegou, e a viu e só chorava e eu o repreendi que ele não chorasse na frente dela, pedi que ele ficasse com ela enquanto fosse buscar minha outra filha na escola, quando voltei falei que minha filha estava na retaguarda e que eu ia ficar de acompanhante, disseram que eu não podia entrar, questionei que sim, pois ela tem direito, ela disseram minha filha já ia ser encaminhada para a UTI, quando cheguei já estavam passando ela para a maca, e ela chorava de dor, pois a altura entre o leito e a maca eram de alturas diferentes e teria que se esforçar para transferir, sendo que poderiam ter usado o trans ou mesmo o método bloco com o próprio lençol. O médico que já havia trocado o plantão me abraçava e dizia, fica bem, ela é jovem, vai ficar bem, eu tenho certeza, então perguntei ela vai ficar bem mesmo dr? Ele disse com certeza ela vai ficar bem, entrou no elevador e eu subi pelas escadas, pois não deixaram eu subir junto, mas ouvi ela vomitando muito, após uma média de mais ou menos 30 minutos me deixaram entrar na UTI, ela estava horrível, colocando uma baba verde para fora, com as mãos moles e eu disse filha, coloque tudo pra fora, ela muito assustada falando quase que audível, chamei a fisio e perguntei se ela estava observando que ela estava saturando 61% com 1 litro de O2, a mesma respondeu que iria colocar no CPAP, mas que ela estava vomitando muito, então questionei: vocês jogaram ela aqui? Fecharam as cortinas? É Isso? E outra coisa, ela broncoaspirou? Ela respondeu que não, falei não preciso nem auscultar, estou ouvindo daqui. A enfermeira veio até a repartição, a Dra sentada no balcão, o qual não tinha visão alguma, a enfermeira perguntou: dra a sra está vendo os parâmetros da paciente? Ela respondeu: estou aqui sentada, mas estou de olho. Ninguém examinou minha filha, me chamaram e pediram para que eu assinasse um documento, naquele momento senti que eles já sabiam que minha filha iria para o túmulo, a médica intensivista não falou nem boa noite, eu tinha que dizer tchau pra minha filha, falei descansa amor, falei se Deus quiser amanhã você estará no quarto, vai ficar tudo bem, então a beijei, e os olhinhos dela diziam que ia embora e eu como mãe não podia fazer nada, ela pediu mãe fica comigo! Pedi pra enfermeira pra eu ficar com ela, não me deixaram ficar, pedi pro pai da minha filha também pedir pra eu ficar e não deixaram, falei pra ela que ia ficar na recepção e que qualquer coisa era só chamar, disseram não vai adiantar, vão para casa, ela está bem, qualquer coisa a a gente chama. Pos volta das 4h50 da manhã do dia 09 o telefone tocou e pediram para que eu comparecesse ao hospital, após algum tempo me deixaram entrar, então não estava acreditando no que eu estava vendo, ela estava no tubo, pouco sedada e respondendo a estimulo, restrita braços e pernas, um corte labial por causa do tubo, ela fazia sinal para mim, levantando o braço e perna direita, e o lado esquerdo sem movimento, ela segurava minha mão, eu falava seu pai esta aqui também, segura a mão dele, porém ela não segurava, a enfermeira veio até mim e disse que antes de ser sedada ela pediu um papel e uma caneta, mas a dra não deixou ela escrever, então fiquei sem saber o que minha filha queria dizer, e a dra pediu já para fazer a sedação, disse que não ia escrever nada, já pode sedar ela. Após a visita a enfermeira falou que eu poderia ficar com minha filha até as 18h30, ali eu senti que era a minha despedida, e eu falava pra ela o quanto eu a amava e se ela sabia, ela balançava a cabeça dizendo que sim, e também me respondia com os olhos e balançava a cabeça que me amava, eu dizia você vai ficar bem filha, foi quando as 18h25 ela deu um pulo no leito, chamei a equipe, acredito que ela está tendo uma parada, a enfermeira falou que não, que ela estava apenas tentando puxar o ar, estava sem chão, estava perdendo minha filha, amiga, parceira, e não podia fazer nada, pedi para ficar e não me deixaram, pediram pra eu voltar as 20h30 no horário de visita. Quando voltei as 20h30 ela já estava em morte cerebral, os membros superiores e inferiores com ataduras escrito aquecimento, sem estímulo algum ela respondia, o olhar de peixe morto e aberto. Fui até o posto de enfermagem e implorei por favor o que está acontecendo? A enfermeira fechou os olhos, travou a boca e balançou a cabeça, me dando a resposta que uma mãe jamais gostaria de saber, ela falou não grita, volta para o leito, foca com ela, a médica vai conversar com você. Deitei sobre minha filha e pedi que não fosse embora, que não me deixasse, e sem resposta nenhuma via alguns funcionários da enfermagem derramarem lágrimas, mas ninguém me dizia nada. Foi liberada a visita geral, ainda assim tinha fé, ficamos no hospital em oração, mas muitos já estavam velando ela. No dia 10/12 o diretor do hospital me ligou falando que estava vindo uma medicação dos Estados Unidos e que iria ficar tudo bem. Fiquei intercalando, subia e descia para ver minha filha, e numa dessas idas e vindas, encontrei uma médica que estava saindo do leito dela, falei dra como está minha filha? Ela respondeu o caso da sua filha é muito grave, falei está em Sepse né? Ela balançou a cabeça dizendo que sim, mas que iria tratar primeiro a pneumonia, falei, então minha filha está com pneumonia? Ela novamente afirmou que sim com a cabeça, não era eu mais que estava ali, eu chorava e eles me medicavam para acalmar, fiquei parecendo um vegetal pobre alí perto da minha pequena, queria ter esperança. Ela perdeu o cateter e a enfermeira pediu que assim que o médico chegasse para fazer o procedimento que eu saísse e retornasse depois, porque ele era muito grosso. Então quando ele chegou, peguei na mão dele e disse dr que Deus abençoe sua mão, ele muito irritado, após mais de 5hs sendo chamado disse pra eu sair pra ele poder fazer o seu trabalho tranquilo. Após o procedimento, foi até a recepção, me estendeu a mão e disse eu sei o que está sentindo, eu também tenho duas filhas, boa sorte, agora é com eles. Nada mudou o quadro da minha filha, ela já não estava mais ali, no dia 10, no domingo, o hall do hospital tinha mais ou menos 80 pessoas que provavelmente já sabia da morte da minha filha. Na segunda subi na UTI pela manhã, disseram que eu poderia entrar pois os médicos estavam em conferência, mas não imaginava que era pra decidirem o caso da minha filha, apenas me informaram que iam fazer uma diálise nela, foi quando saiu um rapaz falando ao celular com outra pessoa e dando risada dizendo que queriam dialisar uma morta, falei para o pai dela, ele está falando da Duda? Estava tão tensa e não me deixavam entrar, voltei a recepção, foi quando duas médicas conhecidas me chamaram e uma delas disse Má você sabe o que está acontecendo com a Duda? Respondi que sabia que ela não estava mais entre nós, ela balançou a cabeça e disse ela teve Sarse, é a pior infecção que existe, eu falei, eu sei, e tomei mais um remédio para me acalmar. Alguns funcionários conhecidos me diziam, sinto muito pela sua filha, e eu dizia, o que aconteceu com minha filha? E eles envergonhados diziam nada, esquece, não falei nada. Foi quando meu gerente e o meu coordenador saíram de dentro da UTI, me abraçaram, no momento não entendi o que eles queria dizer, perguntava: a Duda estava bem né? E eles diziam: vocês vão ficar bem, mas eu questionava, mas a Duda está bem né? E não entendia ele dizendo que nós íamos ficar bem, se despediram e foram embora, em seguida uma enfermeira me chamou numa sala, eu ia entrando na UTI, ela disse, não, aqui nessa sala, foi quando o médico deu a mais triste notícia da minha vida, a Maria Eduarda não resistiu. Corri até o leito da minha filha, e aquela menina que estava ali, não se parecia nada com minha filha, com aquela garota que chegou no hospital pesando 54 kilos, estava enorme em cima daquela tábua com mais de 110 kilos. Eu como funcionária de um hospital a tantos anos foi a pior cena que vi em toda minha vida, nunca perdi um paciente no meu plantão dessa forma e eu vi minha filha morrer por descaso, incompetência, imprudência, imperícia. Nós socorre, que Deus possa abençoar cada família que por aqui passar.