
Em Santana, no Amapá, existe uma escola que nunca recebeu um aluno.
Ela foi paga com dinheiro público. Deveria atender 300 crianças. Hoje está tomada pela mata.
Para chegar até ela, a voluntária Jenife de Sousa Rodrigues viajou 2 horas de carro e depois 2 horas de barco. Encontrou a obra abandonada, registrou tudo e levou o caso aos órgãos responsáveis. E segue cobrando uma resposta.

Jenife e equipe a caminho da obra: parte do trajeto só se faz de barco.

Voluntárias da Força-Tarefa Cidadã na escola em Santana (AP).
A escola de Santana não é exceção.
O Brasil tem 2.554 obras de creches e escolas aprovadas para retomada. Juntas, elas poderiam abrir 740 mil vagas. Cada uma delas é uma mãe que não consegue voltar ao trabalho porque não tem onde deixar o filho. É uma criança que chega ao ensino fundamental em desvantagem. É dinheiro de todos parado no concreto.
E a infância não espera.
Uma criança de 3 anos não pode aguardar a licitação, o aditivo, a troca de governo. Quando a creche finalmente abre, ela já cresceu. Cada ano de obra parada é uma turma inteira que perde a vaga para sempre.
Em Sabará, Minas Gerais, Sebastião Soares Silva cuida desde 2012 de uma creche que nunca ficou pronta, evitando furtos na obra abandonada. As crianças que nasceram quando ela começou a ser construída já são adolescentes. Agora ele é voluntário da Força-Tarefa Cidadã e registra cada passo da tentativa de retomada.

Sebastião Soares Silva
Um olhar de Cidadania e Cuidado com a Comunidade
Obra pública só anda quando alguém está olhando.
A Força-Tarefa Cidadã, fruto da parceria entre o Observatório Social do Brasil e o Tribunal de Contas da União, reúne voluntários que vão até essas obras, fotografam cada etapa, conferem documentos e acionam as autoridades até que a obra fique pronta. Hoje acompanhamos quase 200 obras em todo o país.
O projeto recebeu o Prêmio Serzedello Corrêa 2025, concedido pelo Tribunal de Contas da União.

Ney da Nóbrega Ribas, vice-presidente do Observatório Social do Brasil e coordenador da Força-Tarefa Cidadã, recebe o Prêmio Serzedello Corrêa das mãos do ministro Vital do Rêgo Filho, presidente do TCU, em 19/11/2025.
Nós não construímos a escola. Fazemos com que ela fique pronta.
Nossos voluntários já doam o seu tempo. O que falta é estrutura para que sejam mais, cheguem a mais cidades e saibam exatamente o que procurar.
Com R$ 50 mil, vamos garantir:
• a capacitação de novos voluntários em fiscalização de obras
• o suporte técnico a quem está em campo
• a coordenação do acompanhamento das obras em todo o país
Vamos prestar contas aqui, publicamente, do uso de cada real.
Doe hoje para as crianças terem vagas em 2027!
Qualquer valor ajuda alguém como a Jenife a chegar onde ninguém está olhando, e a cobrar por uma criança que ainda nem sabe que está esperando.
E compartilhe: obra parada só é esquecida quando ninguém fala dela.