
Ao longo das últimas décadas, as cidades vêm sofrendo profundas e rápidas transformações, as quais vêm impactando muito também a infância. Enquanto as cidades estão cada vez maiores e mais complexas, vem crescendo uma população infantil cuja qualidade de vida urbana deteriorou-se notavelmente. As crianças perderam seus espaços na cidade e encontram-se, cada vez mais, em espaços fechados e institucionalizados.
Segundo o censo realizado pela Prefeitura de São Paulo, 3.759 menores de idade vivem nas ruas da cidade. Os dados de 2023 apontam que a população de crianças e adolescentes em situação de rua dobrou desde 2007 e ainda que a prefeitura tenha mudado a metodologia de contagem, ela reconhece o agravamento da situação. São quase 4 mil crianças vivendo nas ruas, e a maioria passa o dia pedindo esmolas e trabalhando, o que a pesquisa classifica como “trajetória de risco”.
O levantamento ainda mostra que 11% dessas crianças e adolescentes dormem nas ruas e 16% passa a noite em abrigos. Além de todos os perigos que a rua oferece, como o acesso a drogas, por exemplo, existe outro menos visível, mas com consequências graves a médio e a longo prazos. Especialistas em saúde dizem que essas crianças são extremamente vulneráveis à desnutrição, o que reduz a expectativa de vida, comprometendo a saúde física e mental quando forem adultos.