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Mestrado em Portugal
Educação / Aprendizagem
São Paulo / SP

Mestrado em Portugal

ID: 3908622
Meu nome é Cleisson Schossler Garcia. Tenho 24 anos e sou natural de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Nasci e cresci nessa cidade, junto aos meus pais e meus irmãos. Quando era criança, tinha ciência de que muitas coisas que eu t ver tudo
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Vaquinha criada em: 29/07/2023

Meu nome é Cleisson Schossler Garcia. Tenho 24 anos e sou natural de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Nasci e cresci nessa cidade, junto aos meus pais e meus irmãos. Quando era criança, tinha ciência de que muitas coisas que eu tinha vontade de fazer, brinquedos que eu gostaria de brincar, muitas vezes não seria possível ter, uma vez que minha mãe trabalhava de empregada doméstica e meu pai como auxiliar de laboratório óptico. Davam o que podiam, dentro da realidade. Nesse sentido, a frase que mais ouvia era: “Estuda bastante para ser ‘alguém na vida’". Peguei essa frase como lema de vida e, cá entre nós, não era um problema, pois sempre fui curioso e gostava de estudar e saber do real motivo das coisas.

Nessa época, estava em uma escola estadual. Na verdade, fiquei da pré escola até o 1º ano do ensino médio nessa escola, próxima de casa. Na 8ª série (sim, era série ainda naquela época) fui indicado por um amigo da igreja que eu frequentava, para uma vaga de jovem aprendiz em uma empresa que trabalha com comércio de ferramentas, porém, a vaga era na área adminstrativa. Cumpri o tempo de contrato mas ainda não tinha idade para ser efetivado, o que resultou no meu desligamento. 

No ano seguinte (2015), consegui um segundo jovem aprendiz, agora na área comercial. Porém, no meio do caminho surgiu a oportunidade de uma bolsa integral em uma escola privada. Para isso, teria que abrir mão do jovem aprendiz, uma vez que não era possível a troca de turno do mesmo e os horários da aula e do jovem aprendiz colidiam.

Ingressei na escola nova (2º ano do ensino médio). Nesse ano fui indicado por uma amiga para um escritório de advocacia, para ocupar a vaga de estágio de nível médio. O que era válido, pois precisava continuar ajudando em casa, e poder adquirir minhas coisas sem depender do salário dos meus pais. Assumi a vaga de estágio.

Essa nova escola foi um momento marcante, pois foi lá que tive contato com disciplinas tal qual devem ser demonstradas. Me despertando uma atenção especial para a biologia. Com o passar do tempo, esse interesse foi aumentando, e fui conversando com a minha professora nesse sentido. Porém, foi apenas participando do Programa Portas Abertas da PUCRS que tive uma certeza: é a biologia que eu quero seguir como profissão.

No 3º ano, 2016, continuei estagiando e trabalhando, aperfeiçoando a ideia profissional. Formei no ensino médio. Na época já havia feito o ENEM mas ainda aguardava o resultado e abertura dos programas nacionais. Mas já havia passado na PUCRS em licenciatura em biologia (obviamente não iria cursar pois não tinha dinheiro para a mensalidade. Mas de toda forma valeu o mérito).

Notas do ENEM liberadas e programas abertos. Me inscrevi para licenciatura em biologia na Universidade Federal de Pelotas, no início de 2017. Fui aprovado em 4º lugar e as aulas iniciavam em abril daquele ano.

O objetivo era levantar uma grana o mais rápido possível para passar os primeiros meses na nova cidade, pois ainda TENTARIA os programas de assistência estudantil. Pisei pela primeira vez em Pelotas para a matrícula, local totalmente novo, mas estava disposto a ir atrás desse sonho tão esperado que era a graduação. Afinal, era o segundo da família a ingressar na universidade. A primeira foi a minha irmã. Hoje é Assistente Social, mas que só se tornou a profissional que é devido à consquista de uma bolsa 100%, via ProUni, na PUCRS.

Quando retorno à Porto Alegre, os advogados e demais funcionários do escritório fizeram uma festa surpresa de despedida, além de uma vaquinha, que me auxiliou DEMAIS nos primeiros meses em Pelotas. Partir, deixar o emprego e os vínculos que criei, além da família, foi difícil, mas necessário. Completei 18 anos em Pelotas, um dia antes das aulas começarem.

Os primeiros meses foram complicados. Não estava acostumado a ficar longe da família. Além disso, os resultados dos auxílios estudantis ainda não haviam saído e, caso não conseguisse, precisaria abrir mão da graduação e voltar para a casa dos meus pais. Pois os meus pais me manterem não fazia parte da realidade. Era impossível.

Consegui todos os auxílios que solicitei. Assim, podendo dar continuidade na graduação. Um peso enorme saiu das minhas costas. Eu sabia que estava no caminho certo.

Ao longo dos 5 anos (mesmo durante a pandemia), me envolvi em diversos projetos. Entrei em um Laboratório de pesquisa que trabalhava com Neurofarmacologia. Durante a minha graduação, pesquisei a atividade antidepressiva de novos compostos químicos, publicando vários estudos em revistas científicas internacionais. Além disso, me envolvi em projetos de extensão e ensino, como monitorias, grupos de estudos, cursos de formação continuada, etc, além de participar em diversos eventos com a apresentação de trabalhos que vinha desenvolvendo. Comecei a dar aulas particulares também. E lembram do escritório que eu estagiava no ensino médio? Pois é, os filhos da minha chefe também foram meus alunos (risos).

Durante a pandemia, fui convidado para ingressar como tutor em cursos de formação continuada para professores da rede pública, cujo foco é a educação inclusiva. De lá para cá, fui sendo reconhecido pelo meu trabalho e, atualmente, sou coordenador de um dos cursos. Assim podendo unir duas paixões: a neurociência e a educação.

Em março de 2023 me formei licenciado em biologia, e em julho, como bacharel. Finalizo a graduação com o sentimento de dever cumprido, pelo tanto que aprendi, produzi e construí ao longo desses 5 anos.

Desde sempre, estudar fora do país foi um sonho para mim. E entender tudo o que escrevi até aqui é importante para compreender como resulta nesse sonho. Durante a graduação tentei um intercâmbio para o México, mas infelizmente não consegui. Fiquei chateado, ao tempo que me deu um gás para trabalhar mais em pontos que considerei como ‘deficitários’, na época.

Como já havia passado um tempo da aplicação, resolvi deixar para o mestrado, pois estaria mais ‘preparado’ (dentro do possível). Assim, descobri que era Portugal o destino por alguns motivos: primeiro, pela facilidade da língua e, segundo, por entender Portugal como um centro multicultural gigantesco, além das excelentes universidades.

Já sabia que gostaria de continuar na área de Neurociências, e fui filtrando por universidade. Até chegar na Universidade de Lisboa, que após pesquisar mais afundo, descobri laboratórios e linhas de pesquisa fantásticas, dentro da área da Neurofarmacologia (<3). Assim, selecionei a pesquisadora que mais me identifiquei com a temática que pesquisava e enviei um e-mail. Ela me retornou dizendo para que eu focasse no processo seletivo, mas que estaria aberta às possibilidade após minha ida para Lisboa (a depender do resultado).

Estava com medo do processo seletivo, pois era bastante burocrático. No fim, submeti alguns dias antes do prazo final e aguardei. Afinal, era apenas a primeira etapa (curricular), a segunda, se aprovado na primeira, era uma entrevista.

Veio o e-mail marcando a data e hora da entrevista (berros de alegria). Fiz a entrevista e tive que aguardar um tempo… até o dia 26 de julho de 2023.

Quando abro o e-mail, encontro a seguinte mensagem:

Lê-se: “Temos a informar que após a seriação dos candidatos, efetuada pela comissão científica do curso, foi colocado/ao curso a que se candidatou”.

Mas, calma que fica melhor… como se não bastasse essa notícia, quando abro o site da universidade e o documento de colocação, percebo que fiquei em primeiro lugar entre os estudantes internacionais… com uma maior pontuação:

Observação: Sim, eles não publicam pelo nome, mas sim pelo número de inscrição, o qual pode ser conferido no print do e-mail de aceite que recebi.

Fiquei e estou muito, MUITO feliz. Muito grato. Mas também muito ansioso com essa nova etapa que chegou na minha vida. Mais um sonho se realizando.

Contudo, não foi possível o recebimento de bolsa, uma vez que o primeiro ano no mestrado em Portugal é totalmente curricular, isto é, apenas as disciplinas. No segundo ano que começa a investigação/pesquisa e escrita da dissertação, a partir daí tem a POSSIBILIDADE de bolsa.

Nesse sentido, peço a sua ajuda, no valor que melhor lhe couber, para que, através dessa doação, você possa ajudar o desenvolvimento pessoal e profissional de uma pessoa que tem vontade, só não tem tantos privilégios.

As aulas iniciam em setembro de 2023 e esse valor contempla passagem, as primeiras mensalidades e gastos inicias, apenas até eu conseguir um emprego em Lisboa. Além disso, o que vai pesar de imediato é a conversão real-euro, então, toda ajuda é muito bem vinda.

Peço que me acompanhem no Instagram também, pois trarei todas as atualizações e passo a passo da minha ida mas também da vida real em Portugal, por lá (@cleissonsg). 

Agradeço imensamente a leitura da minha tragetória e espero poder contar com a sua contribuição para continuar escrevendo mais dela, e poder contribuir futuramente com pessoas que também compartilham dos mesmos sonhos.

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