
Quando a gente nasce em uma cidade pequena, parece que o mundo também nasce pequeno. Os sonhos são miúdos, do tamanho das ruas que cabem no nosso olhar. Mas eu nunca aceitei que meus sonhos tivessem que ser assim também.
Sou filha de professores que precisaram encontrar outras formas de renda para garantir que seus filhos pudessem estudar em uma boa escola e, quem sabe, chegar à universidade. Minha mãe era costureira, meu pai marceneiro. Desde cedo, enxerguei na educação um instrumento poderoso de superação de barreiras — algo que meus pais sempre priorizaram na minha formação, alimentando meu desejo de sair do interior de Minas Gerais.
Foi graças à educação, afeto e esforço coletivo da minha família que, em 2021, conquistei uma vaga em uma das melhores universidades públicas do país. Uma vitória imensa, mas que veio com altos custos — deixei minha família e amigos, e precisei construir sozinha um novo lar. Também enfrentei desafios financeiros, lidando com o alto custo de vida em Campinas. Mesmo assim, a alegria foi maior: meu futuro não seria mais trabalhar em uma malharia ou supermercado da cidade, mas poderia me dedicar ao que queria estudar.
Desde o início da graduação, busquei estágios que pudessem me ajudar a me manter. E pude desenvolver uma Iniciação Científica sobre "Intérprete do Cárcere: uma narrativa de Dexter sobre o sistema prisional brasileiro a partir da circulação do objeto 'prisão' para o extramuro", que foi recentemente aceita para apresentação na X Conferência Latino-Americana e Caribenha de Ciências Sociais, em Bogotá, na Colômbia.
Há coisas que a vida nos apresenta sem que sequer soubéssemos que podíamos desejar — e essa oportunidade é uma delas.
Junto da alegria, surgem também muitas inseguranças: o medo de estar em outro país, de estar ainda mais só, e, principalmente, a realidade financeira. Para cada empecilho, uma tentativa de solução. E, neste momento, minha esperança está em uma construção coletiva: criei esta vaquinha online para tornar esse sonho possível.
A filha de pais que encontrou uma saída através da educação segue acreditando no poder da coletividade. Por isso, venho pedir sua ajuda — a quem acredita em mim, confia no meu trabalho, tem carinho por mim ou simplesmente entende o que é desejar algo profundamente e, ainda assim, depender de outras mãos para realizar.
Peço que, se puder, colabore com qualquer valor. Preciso cobrir os custos com passaporte, passagens, hospedagem, alimentação e deslocamentos. Embora eu receba uma bolsa de estágio, ela é totalmente destinada à minha sobrevivência em Campinas e não cobre esses custos extras.
Sou eternamente grata a todo apoio que recebi até aqui. Sozinha, jamais teria chegado onde estou. E com a sua ajuda, posso chegar ainda mais longe.