
em agosto de 2021, nos mudamos para o interior da bahia (eu, meu noivo e nossa bebê que tinha 6-7 meses na época). não tivemos outra escolha, mas concordamos e achamos que era uma oportunidade de recomeçar (ou começar) a nossa vida, trabalhar, alugar nosso cantinho juntos… garantiram pra gente que a vida no interior seria muito melhor que a da capital, mais paz e sossego, garantiram que ele conseguiria um emprego e que eu conseguiria estudar. deu tudo errado, claro. ele não encontrou emprego, as pessoas que falaram que iam indicar ele, não indicaram, eu não consegui pegar num livro sequer e, pra piorar, quase passamos fome. só não passamos fome, de fato, por causa da vizinhança que nos ajudava. foi um pesadelo. nossa filha começando a introdução alimentar, dente nascendo e tudo desmoronando ao nosso redor. eu tinha uma cachorrinha, ela adoeceu e morreu. o auge foi uma tempestade que deu que fez o teto do nosso quarto quebrar e, por sorte, não estávamos lá dentro. quase perdemos nossas coisas por causa da molhação. eu só sabia chorar e então, em dezembro, decidimos que precisávamos voltar pra capital e tentar um trabalho. ele conversou com a família dele que tentou já encontrar vagas de emprego pra ele já vir certo de fazer as entrevistas. e foi outra luta pra vir, com a ajuda da minha avó (que pagou nossas passagens), viemos. quando chegamos, fui ao médico e recebi a notícia de que estava grávida 35 semanas (8 meses) e eu fiquei sem chão. as pessoas sempre me questionam se a gente "não se cuida" ou "não se previne" e, acredite quem quiser, a gente se cuida sim. a gente não só se previne, como evita porque nós sabemos e, também acredite quem quiser, métodos contraceptivos falham. preciso admitir que demorei pra aceitar que estava esperando outro bebê. eu só chorava e imaginava que minha vida ia acabar. mal me sustentava, mal sustentava minha outra bebê, sem emprego… como ia sustentar mais uma criança, meu deus? cogitei colocar pra adoção, mas me doeu demais a ideia de fazer isso. enfim, tive que aceitar o que estava por vir e pronto. não voltamos mais pro interior, não dava mais tempo porque muito em breve eu ia parir. não tínhamos lugar pra ficar. não tínhamos lugar pra morar. ser a visita incômoda não é bom. tivemos diversos problemas passando "um tempo" na casa das pessoas e decidimos que não ia dar certo ter outro bebê estando na casa de outras pessoas. seríamos 4. cada um tem seu jeito de viver. cada um tem sua vida. e então, decidimos arriscar tudo alugando uma casa. conseguimos pagar com o auxílio e muita ajuda. e o emprego? pois bem, ainda não apareceu. só deus (e eu e ele) sabe o tanto de currículo que foi colocado, o tanto de entrevista que ele já foi. e nada ainda. não consigo entender o que falta, de verdade. enfim, pra não ficar maior do isso já está, nossos móveis ficaram no interior. não temos muita coisa, é só um quarto. cômoda, mesinha de estudo, berço, cama, carrinho de bebê e nossas roupas (quando viemos pra capital, não trouxemos tanta coisa porque não imaginamos tudo que iria acontecer. então, maioria das coisas ficaram). quero pedir, a quem puder, pra nos ajudar a trazer nossas coisas. cada centavo vale, cada real vale. agradeço a todos que pararam um pouco do seu tempo pra ler e agradeço a atenção. obrigada 💜
obs: indicações de empregos também são aceitos, tá? só queremos nossas coisas de volta.
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