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Mastectomia do Thai Raphael

ID da vaquinha: 41383
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(Desde já peço desculpas pelo texto enorme!)

Meu nome é Thai Raphael, tenho 20 anos, sou casado e pai de uma doce e meiga menina de cinco anos. Sou um homem trans, tão normal e comum como qualquer outro homem.

Eu tive uma infância e adolescência difíceis, sem apoio e aconselhamento, nunca havia me visto como menina ou mulher, sempre imaginava que me tornaria menino, na realidade, sonhava com tal e pedia para Deus, todas as noites, que isso acontecesse. Bem... digamos que isso não aconteceu da noite para o dia, né?

Pelas andanças da vida, nessa caminhada árdua e cheia de obstáculos, acabei descobrindo que não era um menino “normal” como gostaria de ser. O tormento era constante, só de ouvir tratamentos no feminino e o nome pelo qual me batizaram era o bastante para eu não querer levantar da cama, isso desde pequeno, por volta de 8 anos. O pior dia da minha vida foi quando entrei, de fato, na puberdade feminina e simplesmente foi uma festa: “Você virou mulher! Agora é bem mocinha!”. Senti que, naquele dia, uma parte de mim havia morrido, como se aquele sonho de infância tivesse morrido.

Desde antes, mas com mais frequência após esse trágico momento da minha vida, começando a desenvolver os caracteres secundários femininos, mesmo que tentasse ser o mais moleque possível, eu era confundido com uma menina, e isso acabava comigo. A partir daí, virei a “maria sapatão”, “mulher macho”, a “lésbica masculina” que ninguém quer como amiga, mal sabem essas pessoas, da escola e do convívio social, que sempre se tratou de um menino incompreendido e, não, uma menina.

Era humilhado de todos os lados, com transfobia, sexismo e cisseximo nem sempre escancarados, mas é perceptível para quem sofre essas coisas. Ficou pior no ensino médio, desde sempre com falta completa de compreensão, aceitei o termo de “lésbica” mesmo me sentindo não pertencente a esse grupo. Não me via como homossexual, me sentia como rapazinho de 14/15 anos, mas como procurar ajuda? Parecia que ninguém entendia. Sem apoio nem em casa, nem na rua, vivia sempre com desgosto tremendo, fumando três maços e meio de cigarro por dia e bebendo sempre que podia.

Os pouquíssimos amigos que tive, e tenho até hoje, são extremamente importantes para mim, porque mesmo que não entendessem, tentavam estar ao meu lado sempre que podiam.

Mas, mesmo assim, me sentia só. Me mutilava, por sadismo e ódio a mim mesmo, ficava me enforcando com gravatas e cintos até não aguentar mais, eu estava perdido, completamente desgostoso. Odiava a pessoa que era, as pessoas, o mundo e a vida por si só.

Somente aos 17 anos, mais ou menos, com ajuda de um grande amigo e também homem trans, eu descobri que tudo se tratava de transexualidade. De repente, como se esse amigo tivesse aberto as portas para um mundo novo, fiquei menos sufocado de tantas questões que tinha e solucionei, com muitas pesquisas sérias e muitas conversas com outras pessoas transexuais. Porém, ainda sem estímulos, fiquei apenas idealizando minhas cirurgias e tratamentos, e chorava sempre que me olhava no espelho, vendo que o objeto de tanta estima por tantas pessoas narcisistas era, como sempre fora, meu maior e pior inimigo, sendo ele o primeiro a me dizer totalmente o contrário do que eu queria me tornar. Chegou até um momento em que desisti, parei de insistir o tratamento com pronomes masculinos, porque a grande maioria das pessoas de meu convívio faziam piadas e não me levavam a sério, ou ignoravam meus pedidos, sempre referindo a mim como uma garota, me escondi com máscaras e personagens femininos para tentar me encaixar na sociedade, com pouco êxito, em visto que apenas as pessoas pareciam felizes com aquilo, menos eu. Então, quase desisti do ensino médio, mas consegui terminar. Não consegui concluir o curso técnico por problemas de depressão, enfim... muitos projetos que tinha, parei e guardei na gaveta, por falta de vontade de viver.

Mas voltei, meses depois, com uma força de vontade de ser eu, retirei a máscara e parei de interpretar personagens, não que isso fosse aliviar as dores que tinha, mas pelo menos não havia o peso da mentira e da omissão.

Me entreguei à vida, casei com a mulher por quem morria de amores desde meus 15 anos, tal moça que pegou na minha mão, me deu uma filha linda e saudável, que me enche e transborda de amor, carinho, afeto e ternura e, até hoje, me incentiva a continuar e ameniza minhas crises de depressão, cuidando de mim com muito amor e carinho. Inclusive, foi ela quem insistiu nesse negócio de vakinha. Hahahaha

Agora: por que fazer? Você já parou para imaginar como é ter um corpo que engana a sua imagem? Tal corpo que você não consegue olhar por mais de cinco segundos? Ter aspectos físicos que passam do incômodo para gatilho da depressão? Que você olha e simplesmente chora?

É por questão de saúde física e mental que preciso de uma cirurgia que faz parte de todo o processo que quase toda população de homem transexual tem que passar: mamoplastia masculinizadora, para muitos, a mastectomia. Por que saúde mental física e mental? Tenho depressão severa por conta desses problemas, e acabo por fazer uso de binder (bandagens, elásticos, enfim) para comprimir meu peito todo, mesmo com comprometimento da performance dos pulmões e dores físicas, eu prefiro deste modo a ter que sofrer com cada tratamento no feminino por conta deste aspecto físico. A fila da cirurgia pelo SUS é imensa, muito grande, e demorará muitos anos para eu conseguir, e a cirurgia no particular é cara, não é qualquer cirurgião que faz. E eu preciso, com urgência, pois é muito mais do que as pessoas acham (estética e beleza), se trata de uma pessoa com falta de respeito e dignidade.

Por que eu não posso pagar? Atualmente estou desempregado, por falta de oportunidades, direito e respeito para com a população trans e travesti, pois a área de emprego está despreparada para lidar conosco. Minha esposa também não pode trabalhar por conta da nossa filha que tem TEA (Transtorno de Espectro Autista). Estamos sobrevivendo da bondade das pessoas que fazem doações de alimentos, caso contrário estaríamos passando fome.

 Mas sabe o que motiva? A nossa fé e esperança, pois não desistimos nunca. Sei que MUITAS pessoas estão sofrendo com a crise econômica, nem peço nem quero pedir doações exacerbantes, na verdade peço, de coração, perdendo o resto do tal orgulho e botando a cara para bater (chegar ao ponto de pedir doação de dinheiro, contando coisas que não gosto nem de lembrar porque dói muito, é porque a coisa está feia mesmo), que se você tiver um dinheirinho sobrando, tiver empatia e quiser doar, doe o pouco que for. Porque o pouco já é muito, já significa muito.

E, para quem não puder ajudar, tudo bem! Compartilhe a mensagem, se for possível.

Aproveitando, também, para quem achar que não é justo dar dinheiro “de graça”, eu sou cronista, escritor, revisor português-inglês e tradutor inglês-português, além de ser designer gráfico e, eu e minha esposa, oferecemos o serviço de canecas personalizadas, com desenhos e montagens, da forma que o cliente quiser. Está aqui o link da nossa loja, pelo Elo7: http://elo7.com.br/esthrellarts e o Link da nossa página no Facebook: fb.com/esthrella.arts

 Muito obrigado a todos que leram até aqui, a atenção já me é valiosa.

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