
Breve histórico das Marchas pelo Clima no Brasil
As Marchas pelo Clima consolidaram-se como uma das mais importantes formas de mobilização popular em defesa da justiça climática e da redução das emissões de gases de efeito estufa. A primeira grande mobilização internacional foi impulsionada pela organização 350.org, em 2007, durante o processo de preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 13), realizada em Bali, na Indonésia. O objetivo da campanha era pressionar os governos para que adotassem políticas capazes de reduzir a concentração de dióxido de carbono na atmosfera para 350 partes por milhão (ppm), nível considerado mais seguro para a estabilidade do sistema climático terrestre.
Nos anos seguintes, as mobilizações cresceram em diversos países, incluindo o Brasil. Marchas e atos públicos passaram a ser organizados por redes da sociedade civil, entre elas o Centro Brasil no Clima e o Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, reunindo organizações ambientalistas, movimentos sociais, pesquisadores, juventudes, comunidades tradicionais e lideranças religiosas em torno da defesa da justiça climática e da transição para uma economia de baixo carbono.
Um marco importante dessa trajetória ocorreu em 2019, quando os incêndios florestais na Amazônia ganharam repercussão mundial. A intensa fumaça provocada pelas queimadas alcançou milhares de quilômetros e escureceu o céu da cidade de São Paulo em plena tarde, evidenciando que a destruição da floresta produz impactos em todo o continente e reforçando a urgência da ação climática.
Foi nesse contexto de indignação e mobilização que surgiu a Coalizão pelo Clima, articulação formada inicialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro e posteriormente expandida para diversos estados e cidades brasileiras. A Coalizão passou a reunir movimentos populares, organizações da sociedade civil, pesquisadores, coletivos de juventude e lideranças comunitárias na construção de campanhas, marchas, atividades de educação ambiental e ações de incidência política em defesa da justiça climática, da adaptação às mudanças do clima e da proteção dos biomas brasileiros na perspectiva anticapitalista.
Desde então, as Marchas pelo Clima tornaram-se um espaço permanente de mobilização da sociedade brasileira, ampliando o debate sobre a necessidade de enfrentar o Colapso Climático por meio de políticas públicas que combinem redução das emissões, combate ao racismo ambiental, proteção da biodiversidade, justiça socioambiental e garantia de direitos para as populações mais vulneráveis.