
A Jornada de Rose: Uma História de Sobrevivência, Dor e Amor de Mãe
Uma mãe brasileira lutando para voltar para casa com sua filha recém-nascida
Meu nome é Rosgleide, mas a maioria das pessoas me conhecem como Rose.
Escrevo estas palavras com o coração de uma mãe que, apesar de toda a dor que viveu, ainda encontra forças para lutar pela filha todos os dias.
O que deveria ter sido um recomeço na Espanha transformou-se em uma batalha pela sobrevivência. Após sofrer violência doméstica, deixei para trás tudo o que conhecia e fugi de Valência para Gandia em busca de segurança. Eu só queria um lugar onde pudesse reconstruir minha vida em paz.
Foi nesse momento que descobri que estava grávida.
Mesmo sem emprego, sem moradia fixa e sem saber como seria o dia seguinte, decidi seguir em frente. Dentro de mim crescia a maior razão da minha vida: minha filha Aurora.
Durante toda a gestação, vivi uma realidade extremamente difícil. Fui transferida de alojamento em alojamento, sem nunca ter a segurança de um lar. Cada dia era uma nova incerteza. Além das dificuldades financeiras, enfrentei uma gravidez de risco, com diagnóstico de diabetes gestacional.
Houve momentos em que precisei fazer escolhas dolorosas. Para aumentar minhas chances de encontrar abrigo e garantir a sobrevivência da minha filha, tive de me despedir da minha gatinha de estimação, minha companheira de tantos anos. Foi uma decisão que partiu meu coração, mas eu faria qualquer coisa pela Aurora.
Enquanto isso, os pedidos de ajuda à assistência social raramente resultavam em soluções. Eu ouvia repetidamente que precisava ter paciência e viver um dia de cada vez. Mas é impossível encontrar tranquilidade quando não se sabe onde se vai dormir na noite seguinte.
No dia 6 de junho de 2026, minha filha Aurora nasceu.
O parto foi extremamente complicado. Sofri pré-eclâmpsia grave e uma parada cardíaca. Por alguns momentos, nossas vidas estiveram em risco. Sobrevivemos graças ao trabalho da equipe médica e a um verdadeiro milagre.
Mas, quando imaginei que finalmente poderia abraçar minha filha e começar nossa vida juntas, vivi o momento mais doloroso da minha existência.
Aurora foi retirada dos meus braços logo após o nascimento.
Fomos separadas sob a justificativa de proteção. Informações incorretas sobre minha situação foram compartilhadas, levando à falsa conclusão de que eu ainda vivia com o agressor do qual havia fugido meses antes. Minha história, minhas tentativas de recomeçar e todo o sofrimento que enfrentei para proteger minha filha simplesmente não foram considerados naquele momento.
Desesperada para provar que era uma mãe capaz de cuidar da própria filha, solicitei exames toxicológicos e avaliações psicológicas. Os resultados confirmaram que eu estava apta, saudável e em condições de exercer a maternidade.
Foi então que me permitiram amamentar Aurora.
Desde esse dia, vivo uma rotina que nenhuma mãe deveria experimentar. A cada poucas horas, caminho até o leito da minha filha, alimento-a com meu próprio leite, faço carinho nela e, logo depois, sou obrigada a voltar sozinha para o quarto do hospital.
A dor da separação é indescritível.
Apesar de tudo, não estamos sozinhas. Amigos, voluntários, organizações sociais e o Consulado Brasileiro se mobilizaram para nos ajudar. Graças a esse apoio, minha filha já foi registrada e nossa situação começou a ser reavaliada.
Hoje, continuamos no hospital porque ainda não temos para onde ir. Nossa esperança é conseguir permanecer em segurança até que possamos retornar ao Brasil, onde teremos o apoio de familiares e a oportunidade de reconstruir nossas vidas.
Estamos arrecadando recursos para custear despesas básicas, documentação, deslocamentos, hospedagem e todo o processo necessário para que Aurora e eu possamos voltar para casa em segurança.
Se você puder contribuir, compartilhar nossa história ou simplesmente fazer uma oração por nós, já estará ajudando mais do que imagina.
Eu não estou lutando apenas por mim.
Estou lutando para que minha filha possa crescer cercada de amor, segurança e dignidade.
Com gratidão,
Rose e Aurora