
Olá. Meu nome é Lucas Alves Pereira. Sou estudante de Direito, negro, pessoa com deficiência e nordestino. Minha trajetória é marcada por resistência e pela busca de ocupar espaços que historicamente foram negados a corpos como o meu, tanto nas universidades quanto nas instituições jurídicas do país. Recentemente, conquistei uma vitória que carrego não só como conquista individual, mas como símbolo de uma luta coletiva: fui selecionado para a 1ª Edição do Programa Vivências SAJ: O Jurídico para Equidade e Diversidade, promovido pela Secretaria Especial para Assuntos Jurídicos da Presidência da República. Programa criado para ampliar o acesso e a representatividade de estudantes negros, quilombolas e pessoas com deficiência nos espaços de poder jurídico institucional. Essa conquista é deveras representativa, pois significa também um passo concreto em direção a um Direito que seja plural, inclusivo e antirracista — um Direito que dialogue com a realidade e que abra espaço para corpos e vozes diversas, que historicamente foram silenciados. Conquistei a vaga. Agora, o desafio é chegar até Brasília para ocupar esse espaço com a dignidade e o compromisso que ele merece. O valor desta vakinha será usado para custear despesas básicas que ultrapassam as ajudas previstas pelo programa, tais como alimentação, deslocamentos locais, aquisição de materiais, emergências e recursos mínimos para que essa jornada se concretize da forma mais segura, justa e digna. Importante esclarecer que o programa oferece, sim, hospedagem e passagem aérea, mas parte desses custos — como a estadia — está prevista para ser reembolsada apenas após o início das atividades presenciais. Ou seja, preciso, desde já, arcar com gastos que só serão cobertos futuramente, mediante prestação de contas. Além disso, outras despesas cotidianas essenciais para o deslocamento e para o bem-estar durante a estadia não estão incluídas no edital — e recaem diretamente sobre os participantes. Cada doação é mais do que um valor. É um gesto de apoio a uma luta maior. Ao contribuir, você ajuda a afirmar que estudantes negros, pessoas com deficiência e oriundos da periferia devem não só acessar o ensino superior, mas ocupar espaços institucionais que, por muito tempo, foram restritos a uma elite social. Essa viagem não é apenas geográfica. É uma travessia histórica, ética e política. Não é apenas minha, é nossa — porque lutar por justiça social é um ato coletivo, e transformar o Direito é um caminho que precisa ser trilhado lado a lado. Sua contribuição transforma não só o meu trajeto, mas reafirma que o Direito, enquanto ferramenta de mudança, precisa ser reconstruído a partir das margens — e as margens precisam estar no centro. Apoie minha jornada. Vamos juntos fazer com que essa conquista não termine na seleção, mas continue até Brasília e além, para que o Direito seja, de fato, para todos.