
Quando pisei pela primeira vez em solo africano, meu coração nunca mais foi o mesmo. O que vi naquela viagem missionária superou todas as expectativas: crianças com olhos brilhantes, repletos de sonhos, mas sem suporte para aprender. Famílias inteiras lutando diariamente pela sobrevivência.
De volta à Suíça, aquelas imagens ecoavam na minha mente. Foi então que, junto aos irmãos da nossa igreja, nasceu o Projeto Lendo e Escrevendo. A missão era clara: levar educação e dignidade para quem mais precisava.
Em 2023, inauguramos nossa primeira escola em território africano, em Moçambique. O momento em que vi aquelas crianças entrando pela primeira vez em uma sala de aula, segurando seus materiais escolares, foi repleto de gratidão. No entanto, isso também me revelou uma verdade difícil: educação sozinha não é suficiente quando faltam necessidades básicas.
Muitas dessas crianças chegavam à escola com fome. Muitas famílias não tinham o que comer em casa. Percebi que era necessário expandir nossa atuação.
Em 2024, fizemos a inauguração da segunda unidade em Ipojuca, Pernambuco. Durante as visitas à região, encontrei a mesma realidade que havia testemunhado na África: famílias carentes, crianças sem acesso adequado à educação, comunidades inteiras esquecidas.
Abrimos nossa segunda unidade e ampliamos o projeto para incluir apoio nutricional e assistência às famílias. Contudo, sei que ainda há muito por fazer.
Neste momento, enfrento dois grandes desafios:
Na África, temos terreno doado pela comunidade local, mas precisamos urgentemente construir uma estrutura maior que comporte mais alunos, além de um espaço comunitário onde possamos oferecer apoio espiritual e realizar encontros com as famílias.
Aqui em Ipojuca, a escolinha atual opera em um espaço adaptado que não atende à demanda de crianças que batem à nossa porta diariamente. A construção de instalações adequadas é essencial para oferecer educação de qualidade.
Além disso, mensalmente distribuímos cestas básicas para 145 famílias em ambas as localidades, garantindo que nenhuma criança precise escolher entre estudar ou ajudar a família a conseguir alimento. Desejo manter esse compromisso nos próximos meses enquanto trabalhamos na estruturação dos novos espaços.