
Biga era um rapaz simples, mas com um sonho extraordinariamente específico: ter um headset. Não qualquer fone de ouvido — não, não. Biga queria um headset daqueles com microfone, acolchoado, que faz a pessoa parecer piloto de avião ou narrador profissional de campeonato de videogame.
O problema é que Biga tinha uma espécie de maldição tecnológica. Sempre que ele chegava perto de comprar um headset, algo acontecia.
Na primeira vez, ele juntou dinheiro por três meses. Guardava moedas em um pote de maionese vazio que ele chamava de “Fundo Nacional do Headset”. Quando finalmente tinha o suficiente, foi à loja todo feliz… e descobriu que tinha calculado errado. Faltavam três reais e cinquenta centavos. Biga voltou para casa olhando para o horizonte como um herói derrotado.
Na segunda tentativa, ele encontrou uma promoção incrível na internet. “Headset Gamer Ultra Pro Mega Surround 7.1”, dizia o anúncio. Biga ficou tão empolgado que contou para todo mundo.
— Agora vai! — disse ele.
Quando a caixa chegou… era um fone de ouvido de celular, daqueles que vêm enrolados como um ninho de passarinho. O microfone era basicamente um botão triste no meio do fio.
Biga respirou fundo.
— Não é um headset… mas também não é não um headset — tentou se consolar.
Mas o destino ainda não tinha terminado com ele.
Um dia, na casa de um amigo, Biga finalmente colocou um headset de verdade na cabeça. Era grande, confortável, com luzinhas azuis. Ele colocou, abriu um sorriso e disse no microfone:
— Alô, alô, teste… aqui é o Biga falando…
O amigo respondeu:
— Biga, você não precisa falar no microfone… a gente está do lado um do outro.
Mesmo assim, Biga continuou.
— Teste… som… um, dois… três…
Porque naquele momento, usando aquele headset, Biga não era apenas Biga.
Ele era Biga, operador oficial de comunicações da sala.
E desde aquele dia ele continua com o mesmo sonho: ter o próprio headset.
Mas agora ele também tem um plano.
Ele abriu um novo pote de maionese.
Dessa vez com uma etiqueta escrita:
“Projeto Headset 2: Agora vai.” 🎧