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Olá! Meu nome é Gabriela, tenho 18 anos e estou indo morar sozinha na Austrália em novembro de 2024, com isso tenho muitas despesas e preciso da sua ajuda!Esse valor atual seria para a taxa de visto e passagem, que provavelmente está mais b ver tudo
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Vaquinha criada em: 10/04/2024

Olá! Meu nome é Gabriela, tenho 18 anos e estou indo morar sozinha na Austrália em novembro de 2024, com isso tenho muitas despesas e preciso da sua ajuda!

Esse valor atual seria para a taxa de visto e passagem, que provavelmente está mais baixo do que deveria. (Quem quiser me enviar uma passagem tô aceitando.)

Sobre mim

Às vezes fico me perguntando como cheguei até aqui; sinceramente, minha história é bem confusa e tentarei explicar direito.

Quando eu era menor, meu pai fazia faculdade de engenharia, e eu e minha mãe íamos buscá-lo depois que acabavam as aulas. Não lembro muito bem de onde surgiu essa conversa, mas um dia meu pai falou que queria ir para a Nova Zelândia fazer sei lá o quê e que ele queria fazer um intercâmbio. Minha mãe deu risada, falou que ele era velho para isso e que ele já tinha emprego, família e filhos, e que não era possível largar tudo para fazer um intercâmbio; não fazia sentido mais. Lembro que ele ficou bravo, porque parecia que ele queria mesmo, mas a ideia passou. Isso, querendo ou não, ficou na minha cabeça na época, porque todo mundo queria fazer intercâmbio e porque era tão difícil.

Eu estudava em uma escola cara, focada em vestibular e na importância de uma faculdade no currículo. Foi bastante colocado na minha cabeça que, sem faculdade, você não seria nada, e meio que até hoje acredito um pouco nisso, mesmo tentando mudar. Conversando com meus amigos na época, eu decidi que faria uma faculdade fora do país. Eu não sabia onde e nem o que eu queria fazer, mas sabia que tinha que ser isso.

Culpo minha amiga Clara, que um dia me mostrou um vídeo sobre como o lixo da Austrália era bom e valioso, com coisas praticamente novas, e me disse que a gente deveria ir para lá sobreviver pegando o lixo dos outros. Pelo incrível que pareça, minha ideia de ir para a Austrália começou nesse dia. Eu deveria ter uns 13 anos e comecei a pesquisar esse lugar como se fosse a coisa mais importante do mundo, e era isso que eu queria.

Decidi que faria de tudo para conseguir uma faculdade na Austrália, mas adivinha? Era muito difícil e burocrático, e eu, com meu esforço inabalável, desisti bem fácil. Vi que tinha que fazer como se fosse um ano de escola e ainda pagar pela faculdade, que era bem fora do meu orçamento, e decidi deixar esse sonho de lado. Afinal, se uma coisa está difícil, é só trocar por outra mais fácil (assim eu achava).

Durante a pandemia, eu tive tempo de pensar sobre o que realmente queria fazer. Eu era uma boa aluna e tinha condições de passar em boas faculdades, mas a questão era: quais? Se eu estava achando a Austrália difícil demais, qual seria meu próximo passo? E por quê? Foi aí que surgiu a maldição dos vídeos de pessoas com bolsas de estudo nos Estados Unidos. E você me pergunta, por que maldição, Gabriela? E eu te respondo: porque parecia perfeito.

Comecei a ver milhares de vídeos sobre como passar em faculdades dos Estados Unidos, e na minha cabeça parecia até bem fácil, já que tanta gente gravava e parecia tão bem, com dormitórios legais e aulas em auditórios enormes, quase um filme. Assim, mudei de objetivo. Agora eu ia dedicar meus próximos anos à fórmula que me foi dada de como conseguir uma bolsa de estudos nos Estados Unidos.

Mudei de escola, fiz um ensino médio que sabia que me ajudaria no meu objetivo e dediquei bons anos para isso. E deu certo! Passei na melhor faculdade dos Estados Unidos e com uma… bolsa parcial.

Você lê isso e pensa: “Nossa, que bom! Ela conseguiu o que queria! Uma faculdade ótima em outro país e uma bolsa de estudos!” Então, por que ela está aqui? E eu respondo, cortando seu barato: uma bolsa não vale nada se você é pobre! Parece triste, mas é a realidade. Se ninguém te contou, eu contarei: uma faculdade nos Estados Unidos nunca te pagará tudo o que você quer, e o dólar é extremamente caro.

Sim, consegui o curso inteiro de graça, além de um dormitório que até hoje eu choro por não ir, mas apenas isso. A comida, o trabalho, os livros, o material… Tudo isso ficou para mim. E a resposta deles? “200 mil reais por ano vai ser o mínimo que você teria que gastar.” Agora me responda: QUEM TEM 200 MIL POR ANO PARA GASTAR?

E meu Deus, descobrir isso foi tão dolorido! Você está me dizendo que essas meninas lindas que gravavam vídeos mentiram para mim! Como assim não era só passar e ganhar tudo? (Escrever isso é realmente ver como eu era ingênua.) Você está me dizendo que eu dediquei tantos anos para nada? E todos eram ricos? (Sim.)

Confesso que ainda sofro com isso. Fui bem iludida, mas acho que no fim, tudo acontece por uma razão. Eu fiquei tão chateada, e meio maluca, que desperdicei tempo e dinheiro com algo que não “me trouxe nada”, que realmente pensei que não tinha mais o que fazer.

Nesse ponto, eu não sei exatamente o que aconteceu. Acho que minha família ficou com dó, ou que o destino decidiu me dar uma mãozinha, ou, dependendo do que você acredita, pode ter sido algum deus tentando me fazer não morrer louca.

Então veio a pergunta: e a Austrália? Se esse sempre foi seu objetivo, por que você não volta para ele? E meu cérebro com dois neurônios decidiu pensar um pouco e perceber que, é verdade, se eu sempre quis ir para lá, mesmo depois da faculdade, por que eu já não ia agora?

Finjo que não sei, mas a verdade é que eu só não fiz isso antes por medo, e ainda estou com medo. O medo de não ter “o estudo que te garante”, o medo de não ter objetivos, o medo de nunca conseguir. Mas agora, eu vou com medo mesmo.

Estou indo para a Austrália em novembro, que é o que eu sempre quis, sem um estudo garantido, sem um emprego na mão, sem um dormitório me esperando, e sem um plano passo a passo feito. Assustador para dizer o mínimo.

Se você leu até aqui, primeiramente parabéns, desabafei bastante e, mesmo clichê, não desista tão fácil assim. Às vezes, nós pensamos que é impossível e que não vale a pena tentar, mas, mesmo que você faça mil planos para fugir do seu medo, uma hora você vai precisar enfrentá-lo. E o pior, nunca é como planejamos. Fiz as pazes com isso. Estamos sempre na incerteza, mas todos os dias podemos ser alguém novo e melhor.

Às vezes passamos em faculdades boas e não temos dinheiro, às vezes já estamos velhos com filhos, e às vezes apenas temos medo demais.

Caso tudo dê errado, volto aqui e atualizo dizendo para desistirem enquanto dá tempo. Beijos.

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