
O FESTIVAL
A primeira edição do Festival de Cultura e Arte Mestre Ferreira se insere na agenda do Plano de Ação Comunitário, Territorial e Organizacional [PACTO] das comunidades Oitis e Catolé para o biênio 2023-2024, elaborado de forma participativa ao longo do segundo semestre de 2022, a partir do trabalho de pesquisa do educador, escritor e gestor social Joelmir Pinho para o mestrado em Desenvolvimento e Gestão Social da Universidade Federal da Bahia [UFBA].
O evento é uma justa homenagem à memória de Francisco José Ferreira, o Mestre Ferreira, morador da comunidade Catolé, nascido em 21 de novembro de 1947 e falecido em fevereiro de 2009. É também uma forma de evidenciar os múltiplos saberes e fazeres das duas comunidades, a partir das memórias individuais e coletivas de sua gente, das tradições e das narrativas orais, poesias, músicas, artesanato, culinária e outras práticas que evidenciam a cultura local.
A primeira edição do Festival lembrará os 15 anos de falecimento do Mestre Ferreira e terá três dias de duração, começando na noite de sexta-feira [1mar] e se estendendo até a noite de domingo [3mar]. O evento contará com rodas de conversa, oficinas e minicursos, exposições fotográficas, feira de economia solidária [artesanato, produção agrícola e culinária, dentre outros produtos locais] e desfile de moda, além de performances poéticas e shows musicais com artistas das próprias comunidades e convidados.
O HOMENAGEADO
Nascido em 21 de novembro de 1947, Francisco José Ferreira faleceu em 11 de fevereiro de 2009, aos 62 anos, deixando um legado de sabedoria, cuidado e respeito à vida, que poucos seriam capazes de legar. Socorro de toda a comunidade nas horas de maior aflição, Ferreirinha, como era carinhosamente conhecido por muitos - em virtude de seu corpo franzino e de sua estatura física mediana - era frequentemente chamado para rezar em crianças e adultos e nunca se negou a fazê-lo, mesmo em plena madrugada.
O poder de cura de suas rezas era tanto que, por vezes, bastou que ele canalizasse suas orações à distância, para que a a dor imediata da pessoa enferma cessasse e a doença sarasse com os dias. Conta-se ainda que Ferreira tinha um carinho e um cuidado especial com os não humanos, sendo comum sua dedicação à cura de bicheiras e outros males que recaiam sobre os animais domésticos e até sobre os bichos do mato.
Há também o registro de seu dom especial para localizar pessoas desaparecidas, como aconteceu com o garoto Lula, filho de um dos moradores de Catolé. Ao vagar pelas veredas das matas próximas à comunidade, Lula acabou se perdendo e após longas buscas, Ferreirinha recorreu a suas orações para localizar o garoto e pedir que este permanecesse no local indicado em sua visão. Assim se deu e Lula pode, finalmente, retornar ao aconchego dos seus.
Por tudo isso, a população das comunidades Oitis e Catolé reconhece Ferreira como um mestre local e decidiu homenageá-lo, anualmente, através do Festival de Cultura e Arte Mestre Ferreira, que acontecerá sempre próximo à data de seu nascimento, entre o final de novembro e o início de dezembro de cada ano, exceto no caso da primeira edição, que lembrará os 15 anos de falecimento do Mestre Ferreira, completados em fevereiro de 2024.