
A feira e cinema itinerante e autônoma Quilombola, é a resposta da retomada autônoma quilombola em Linharinho Sapê do norte, e especificamente de dois parceiros quilombolas que juntos (Joice Nascimento e Antônio De Oliveira, conhecido como Antônio Sapezeiro) acreditam que o único jeito de poder manter e defender o que é para eles ser quilombolas, é na terra. Mas, esta terra na qual estão os seus ancestrais, hoje está fortemente ameaçada pela monocultura de eucalipto e os empreendimentos que neste viés são feitos pelas grandes empresas.
Ter um carro - camião para o processo de retomada que lidera Antônio, vai lhe permitir levar os seus conhecimentos de agricultura, teatro e ir fazendo cinema, levando ao tempo os alimentos que são cultivados na retomada e nos arredores por muitos outros trabalhadores da terra, para as principais cidades, principalmente para as feiras de Conceição da Barra e São Mateus, assim como trazer e itinerar em diferentes trajetos no Estado de Espírito Santo e Brasil.
Antônio cresceu nos chiados, pescando com seus familiares, fazendo parte ativa dos movimentos que tenham como luta a retomada da terra, assim foi lutando com a sua família, e aprendendo muitas artes de forma autodidacta e com ajuda de pessoas que iria conhecendo, foi caindo na conta da sua facilidade para compor e cantar, assim como para fazer bonecos que logo depois são utilizados em peças de teatro do boneco, como é conhecida esta grande corrente no teatro.


Joice Nascimento, sua companheira e parceira na retomada com Antônio, está em um constante processo de aprendizagem e retomada da culinária quilombola, criou uma pequena linha chamada doce quilombola, com a qual se encontra espalhando e levando doces que fazem parte do legado de seus ancestrais à cidade, iniciando o seu empreendimento em Vitória, em base aipim, mandioca, coco, maracujá e usando os ingredientes que vão cultivando na sua roça. O doce quilombola de Joice também vai ser levado a todos os cantos por onde o carro andar, assim como os filmes, reportagens e notícias que sejam feitos com o Cinema Quilombo, iniciativa de Joice e Antônio que desde inícios do ano 2018 procura que a juventude quilombola das retomadas possa iniciar um processo de formação e aprendizagem do cinema, mantendo um olhar quilombola, desde o Quilombo, desde a retomada.
Pequeno histórico da luta da retomada
A primeira retomada que fizeram foi no ano 2006, quando retomaram o Cemitério tradicional quilombola, onde estão muitos dos seus ancestrais, que foram assassinados no regime da escravidão, onde o Brasil foi o último país a fazer a abolição do mesmo, mas hoje no ano 2018 esse cemitério que foi retomado no ano 2006, encontra-se cheio de eucalipto da empresa (que muda de nomes mas mantém uma mesma estratégia).
No ano 2007 retomaram a área onde hoje se encontram, e mantendo uma luta constante com a empresa ante todos os processos que a mesma adianta de ‘reintegração de posse’, foram expulsos, mas diante o anúncio feito pelo INCRA da presença Quilombola, em muitas das áreas que hoje estão com eucalipto, Antônio e Joice decidiram voltar, fazendo aqui todo tipo de experimentos culinários, artísticos e com a agroecologia, da qual Antônio sempre tem sido um praticante, ainda antes de saber que isso que ele fazia com a terra desde que nasceu e o amor com a qual a trabalhava sem químicos, hoje chama-se de agroecologia, de cujo movimento faz parte, por nele encontrar pontos em comum com a sua luta diária e constante. Na retomada têm sido possíveis muitos encontros de saberes e conhecimentos com movimentos sociais e estudantes e ativistas da agroecologia, e a justiça socioambiental, que acreditam no retomar o que um dia foi de seus ancestrais, que logo depois foi por múltiplas formas cheio de plantios de eucalipto, trazendo a monocultura de árvores como uma substituição das florestas, das árvores nativas, e de muitas das principais fontes de seu jeito de viver e colher o que cultivam, para fazer muitos derivados de mandioca e de aipim, e assim fornecer o seu alimento.
Hoje novamente a empresa continua com os processos de solicitude de reintegração de posse, desconhecendo a presença quilombola e de outros trabalhadores da terra, mas Antônio e Joice querem ficar, assim como todas as famílias que a empresa quer jogar fora. PRECISAMOS DE TEU APORTE NESTA VAQUINHA!!!!!
VAI SER UM CARRO PARA RESISTÊNCIA!!!!!!
Ser Quilombola além de serem uma relação com as formas de habitar os espaços, é UMA EXPERIÊNCIA de liberdade que hoje continua a se dar, por favor não esqueçer que está-se precisando da nossa união e articulação e o cultivo de alimentos e o cinema são prácticas que acreditamos podem nos fortalecer mais como jám tem sido feito, AGORA PRECISAMOS MUITO DO CARRO PARA LUTAR EM TODOS OS CANTOS!!!!!! APOIAAAA!
Mayor informação em outras línguas
castelhano: http://werken.cl/video-re-tomada-quilombola-agroecologia-que-combate-al-empresariado-del-monocultivo-forestal/?fbclid=IwAR3LSXiJlRMmq25MibRyXYGthsLzHdmqPrYnz6igx3vHBapCEUOEU2MJotE