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Em busca de um Sonho - Passagens Aéreas

ID: 2901448
Você já se sentiu não pertencente a um lugar? Se já, saberá exatamente do que estou falando. Meu nome é Ana Carolina Oliveira, tenho 33 anos e moro na cidade de São Paulo. Sou bisneta de imigrantes italianos e, desde que me “conheço po ver tudo
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Vaquinha criada em: 09/06/2022

Você já se sentiu não pertencente a um lugar? Se já, saberá exatamente do que estou falando.

 

Meu nome é Ana Carolina Oliveira, tenho 33 anos e moro na cidade de São Paulo. Sou bisneta de imigrantes italianos e, desde que me “conheço por gente”, não me sinto pertencente à cidade que moro e à família atual que pertenço. Me sinto diferente. Sou diferente. Meu sonho sempre foi morar fora do Brasil. Todos os dias me questiono “o que estou fazendo aqui ainda? Meu lugar não é aqui”.

 

Minha adolescência foi pautada por uma tragédia familiar – minha mãe foi vítima de feminicídio em uma época em que a Lei Maria da Penha nem existia (ela foi assassinada em 2000 e a lei criada em 2006) – e, desde então, fui criada pelos meus avós maternos. Carrego muitos traumas até hoje. Por conta disso, nenhum adulto da época (eu tinha só 11 anos) se sentiu responsável por qualquer tipo de orientação de vida. Não fui criada largada na rua, pois meus avós eram bem rigorosos, mas fui criada sem um Norte. Sem uma base. E sem conseguir entender porque eu não me sentia em casa, não me sentia pertencente à família, por que morar aqui me doía tanto.

 

Nunca consegui entender o motivo pelo qual não me encaixo dentro deste cenário familiar (síndrome de Mirabel, sabe? A diferença é que no filme a avó acaba aceitando a neta e no meu sou cada vez mais excluída pela família da minha mãe). Saí de casa muito cedo – para desprezo do meu avô -, fui tentar a vida de adulta, tropecei demais, fiz muitas burradas, tomei inúmeras decisões erradas, fui assaltada, perdi muitas oportunidades, perdi pessoas, enfim. 

 

Consegui estudar, iniciei uma carreira e acabei engravidando – meu filho, hoje com 10 anos, faz parte das mais de 2,5 milhões de crianças no Brasil que não possuem o registro paterno. Diante deste cenário tentei ao máximo criá-lo de forma digna e honrada, mas a sensação de não pertencimento a este lugar continuava e continua a me assombrar. 

 

Até que em 2022 eu descobri o direito à minha cidadania italiana e que ela poderia ser realizada direto na Itália. Vi ali a oportunidade de ir em busca do meu sonho, do meu pertencimento a algum lugar e também de melhores condições de vida para mim e para o meu filho. Voltar à terra de onde meu bisavô nasceu e saiu em busca de condições melhores de vida. A sensação de “estar voltando para casa” era indescritível. 

 

Fui atrás de todos os documentos da minha linha genealógica – o que não foi barato, pois precisei solicitar a primeira via em inteiro teor e são 14 documentos e nem todos do mesmo cartório, verificar possíveis erros de registro, retificar nos cartórios, solicitar uma segunda via em inteiro teor de todos eles, traduzir juramentado e fazer o apostilamento de Haia. Foram quase R$ 10 mil, quase toda a minha reserva financeira. Feito tudo isso, já estava super feliz porque conseguiria dar entrada na minha cidadania e alcançaria o meu sonho de mudar de vida e descobrir o meu lugar, levei um enorme balde de água fria, pois descobri que precisaria entrar com um pedido judicial para o reconhecimento da minha cidadania italiana, mesmo sendo uma linha paterna. Minha mãe (que me passa a cidadania e já é falecida) não foi casada com o meu pai e, para a lei italiana, ela não é minha mãe, já que não consegue me “reconhecer”. Absurdo né? Mas é a lei. O processo precisa ser judicial e as custas de um advogado italiano é de € 3.900.

 

Sendo mãe, solteira e única provedora da minha casa levantar esta verba está sendo uma tarefa bem complicada, já que o “Real” não paga o “Euro”, mas não vou desistir do meu sonho de morar fora do Brasil. 

 

Assim surgiu a oportunidade de ir para Portugal, trabalhar, levantar o dinheiro para as custas do processo e, assim, conseguir a minha tão sonhada cidadania. Surgiu a oportunidade de mudar de vida. De dar orgulho ao meu filho e para aquela pequeninha parcela da minha família que acredita em mim, que me apoia. 

 

Comecei a procurar emprego por meio da rede social LinkedIn. Encontrei e fui contactada por duas empresas já, mas como eu ainda não consegui a passagem para Portugal, perdi estas duas oportunidades. Eu já levantei a verba necessária para dar início no país, mas não para as passagens.

 

O custo dos bilhetes está muito elevado. De abril a junho as passagens aéreas subiram mais de 40% e a tendência de mercado é continuar subindo, em virtude dos elevados preços de petróleo, diesel e etc. Só o ticket adulto está saindo por volta de R$ 8.600,00 e preciso para mim e meu filho e, tenho urgência nesta viagem, para não perder todo o investimento documental que tem prazo de utilização – seis meses e entrada dos mesmos nas cortes judiciais italianas – e muitos menos as oportunidades de emprego que têm surgido para mim (diferente do Brasil, já que estou desempregada e vivendo das minhas últimas reservas financeiras).

 

Fui pedir ajuda à minha família, mas disseram que não havia condições de empréstimo. Fui atrás de outras pessoas queridas, mas a situação financeira do Brasil quebrou todo mundo. Minha prima, então – abençoada -, surgiu com a ideia de fazer uma vaquinha online, para que eu consiga realizar o meu sonho.

 

O valor da passagem de um adulto está em torno de R$ 8.600,00 e o bilhete infantil em torno de R$ 6.500,00 + 7% das custas do VakinhaOnline, o montante que eu preciso arrecadar é de R$ 16.157,00. Infelizmente, por ainda não ter os documentos europeus eu preciso comprar as passagens de ida e volta. Se eu conseguir arrecadar só uma das passagens já me deixará muito feliz. É mais um passo para alcançar o meu sonho. 

 

Sei que terei muito trabalho à frente, mas chegar na Europa será apenas o início de uma nova vida para mim e para o meu filho. Agradeço a todos que puderem me ajudar e que o Universo retribua em dobro.

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