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Disforia de gênero

ID da vaquinha: 1685619
Disforia de gênero
Hadassa Luz
Cuiabá / MT
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de
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Olá, meu nome é Hadassah Luz, tenho 34 anos, sou mulher transgênero. A seguir, vou contar um breve relato da minha história e espero muito poder contar com a ajuda de vocês. Caso não possa ajudar financeiramente ao menos envie boas vibrações para que eu possa realizar o grande sonho da minha vida que é fazer a cirurgia de redesignação sexual.

Desde criança eu me sentia diferente das outras crianças, sempre sozinha e isolada, as outras crianças percebiam que eu era diferente e por isso me machucavam com palavras e atitudes, sei que a culpa não era delas e sim dos adultos que desde sempre incentivam o preconceito. Na época da escola eu vivia apanhando dos meninos por não aceitarem o meu comportamento e as minhas características que puxavam sempre para o lado feminino, com isso, cresci com um certo medo e trauma, por muito tempo tive que me esconder atrás da figura masculina para me defender do preconceito enraizado e também ter um pouco de sossego e conseguir concluir os estudos ou não entrar para a estatística de forma negativa. Na minha família o preconceito sempre se fez presente, as vezes vinha mascarado com uma palavra de "amor" , cresci ouvindo algumas pessoas dizendo para eu tomar vergonha na cara, depois de tanto sofrer, ter que me esconder para poder viver eu pensei em desistir de tudo até mesmo de viver, passei alguns anos no fundo de uma cama com uma terrível depressão, não tinha mais ânimo pra nada, eu sabia qual seria a cura desse mal terrível mas eu não tinha forças para gritar e pedir ajuda, o medo do abandono e do desprezo me acompanhava e me torturava dia após dia.

Após entender que eu era merecedora de ser feliz como eu sou, que só eu poderia fazer isso por mim ,eu tomei decisão de mudar minha vida, enfrentei todos os meus medos e assumi para o mundo a minha verdadeira identidade, pensei que haveria resistência por parte da minha mãe como houve há alguns anos atrás quando eu tinha 14 anos e quis me assumir e tomar as rédeas da minha vida más fui impedida por questões familiares, religiosa e também pela falta de conhecimento e maturidade da minha mãe. Eu sofri muito por olhar no espelho todos esses anos e não me reconhecer, sofri pq não me viam da forma como eu queria ser vista, sofria por levar o título de gay, não desmerecendo os gays. A minha alma nunca foi compatível com meu corpo e eu chorava muito, eu fazia novena pedindo para dormir menino e acordar uma menina, eu acreditava que um dia poderia acontecer um milagre, eu não conseguia aceitar meu corpo, não consegui aceitar o fato que eu não poderia usar uma saia, que não poderia usar um salto. As meninas da minha idade me torturavam quando usavam essas roupas e desfilavam com seus namoradinhos e eu ali presa naquela situação sem poder contar com ninguém. Chorei muitas noites sem poder explicar para minha mãe o motivo das minhas lágrimas. Doeu muito, ainda dói pq falta algo em minha vida para me completar.

Em março de 2020 iniciei por conta própria a minha transição, sem apoio de médicos especialistas na área, aliás, na minha cidade não tem nenhum ambulatório que atenda pessoas trans e se for procurar na rede particular sai muito caro as consultas e exames de rotina. Por esse motivo optei por não perder tempo e dei início a minha Terapia Hormonal, não suportava mais conviver com qualquer coisa que me remetesse a aparência masculina, já não suportava mais aquele corpo, cabelo curto, unhas sem cor, ser chamada pelo nome antigo é uma tortura, ser tratada por pronomes masculino é uma tortura. Quando surgiu as primeiras características feminina eu logo comecei mudar meu guarda roupa, usar maquiagem até que chegou um dia que eu doei tudo que eu tinha de menino, comecei do zero, minha mãe e minhas irmãs ajudaram muito nesse processo, graças a Deus.

Hoje eu sou uma mulher que tem o desejo, o sonho de adequar o corpo ao espiritual, eu só quero realizar o grande sonho da minha vida e me sentir completa, pra mim não é fácil lidar com o fato de que tenho a genital masculina, isso me incomoda, me trava até para me relacionar com outra pessoa, eu preciso tratar esse problema através da cirurgia, infelizmente ainda há muita burocracia para realizar esse procedimento no Brasil, além de que o valor é muito alto, o mais viável seria ir para Tailândia ou Índia, por isso preciso de ajuda para trazer um pouco de felicidade para minha vida, não é uma questão de vaidade e sim de necessidade, é uma questão de saúde mental. Talvez eu seja julgada por estar pedindo ajuda, eu gostaria de ter condições de realizar esse procedimento sem precisar recorrer a ninguém, infelizmente não tenho renda para isso. 

Agradeço de coração toda ajuda que vier, e assim que alcançar meu objetivo volto aqui para mostrar o resultado e agradecer, só não vou colocar foto minha messe momento para evitar situações constrangedoras. Me desculpem pela extensão do texto, tentei reduzir ao máximo minha história e talvez algumas coisas tenham ficado desconexa.

Obs: Disforia de gênero 

é uma condição caracterizada pelo desconforto persistente com características sexuais ou marcas de gênero que remetam ao gênero atribuído ao nascer. A orientação sexual da pessoa com a condição pode ser qualquer uma e não é analisada nesse diagnóstico.

O objetivo do tratamento endócrino, psicológico e cirúrgico está em levar o indivíduo a se sentir mais confortável com sua identidade de gênero, aumentar seu bem-estar psicológico e atingir auto-realização. Frequentemente o tratamento inclui hormônios e cirurgia de redesignação sexual.

 

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