
Esse ano vamos fazer novamente a diferença na vida de 15 crianças de uma comunidade rural do interior de Pato Branco. Como muitas pessoas adoraram a ação quando contamos como ela foi feita, estamos abrindo espaço para que toda a comunidade possa ajudar também. Dessa vez, tudo o que arrecadarmos por esse site será adicionado no valor disponibilizado para as crianças poderem comprar seus brinquedos. Ano passado disponibilizamos R$ 100,00 para cada uma delas escolher o que quisessem, esse ano queremos chegar ao montante de R$ 250,00 por criança. Você quer ajudar nesse projeto? Está aberta a oportunidade!
Todo mundo sabe que as crianças são o futuro do país, e carregam consigo naturalmente a pureza e inocência que quando adultos, deixamos no passado.
Nossa ideia começou a tomar forma através desse projeto, no qual pensamos em prover um dia diferenciado e que impactasse profundamente a vida de crianças carentes, com pouco ou nenhum acesso à tecnologia.
Para isso contamos com a super ajuda da profa. Marivete F. Zanin, e da diretora Ione Iaguczeski de Avila que trabalham no colégio Municipal São Luís, uma escola bastante humilde localizada no distrito de São Roque do Chopim, município de Pato Branco — Paraná.

Nossa proposta foi organizar um dia incrível para 14 crianças, todas elas entre 6 e 7 anos, do 1o. ano (alfabetização) dessa escola. Alugamos uma VAN que foi buscar a criançada no colégio e os trouxeram na sede da Softfocus para conhecer nosso colaboradores e receber de cada um deles um kit de presentes super especiais:

Se prontificou muito rapidamente o primeiro de todos, seguido por um coro de vozes tímidas a pronunciar seus nomes.
— Pera aí pessoal, vamos então organizar uma fila e cada um diz o seu nome e ganha uma camiseta e um abraço!
Mal receberam o seu kit felicidade e a diversão começou a rolar solta: alguém havia percebido uma bola de yoga ali no canto da sala criativa e foi logo metendo aquele chute sem dó — (sem dó fica pelo fato de que a bola fez um voo praticamente teleguiado até a cara do nosso amigo Iuri, e ninguém teve dó! rsrsrs).

A brincadeira estava boa, mas o assunto “sério” tinha que começar.
— Quem está ansioso para ir no cinema e comprar presente? — Eu!!! Eu!!! Eu!!!
De volta à VAN, todos devidamente usando o cinto, e a ansiedade era visível naqueles pequenos olhinhos, que já fantasiavam com o que estava por vir.
Na chegada à loja Havan, onde eles fariam suas primeiras compras com total autonomia, uma novidade tecnológica: a esteira rolante. Nesse momento você percebe claramente que crianças não conseguem ficar paradas por muito tempo (tipo 3 segundos). Mesmo estando em seu movimento contínuo de subida, quem segura a garotada esteira acima? E correram todos loja adentro!

Estando todos cientes de que teriam R$ 100,00 para gastar como quisessem dentro da loja, ousamos fazer uma pergunta retórica, para organizar quem iria para qual setor:
— Quem quer roupa e quem quer brinquedo?Que surpresa a minha quando Eliton, com não mais que 1.20m de altura se mostrou um gigante e cravou:
— Eu quero roupa! — Mas todo mundo quer brinquedo Eliton, você tem certeza? — Tenho.E ali vi surgir diante de meus olhos (naquele momento já marejados) um serzinho que já entende claramente o poder de suas escolhas. Que exemplo! Para mim, uma lição de vida.
A festa realmente começou quando cada uma das crianças entendeu que elas poderiam sim escolher o que quisessem e aí os carrinhos começaram a encher. Na idade deles ainda estão aprendendo as noções básicas de números e como fazer contas, então tivemos o divertido trabalho de ajudar a esclarecer quanto dava a soma de valores dos presentes escolhidos, quanto faltava para fechar o valor total, troca esse presente por outro, você prefere um grandão ou 3 menores? Ufa! Quantas escolhas difíceis!
Como me chamou a atenção o quanto essas crianças humildes possuem humildade! Nenhuma ficou triste por não poder levar um presente mais caro, acima da cota. Nenhuma ficou invejando as escolhas do outro colega. Cada uma delas teve um momento de adulto, tendo que abdicar de uma coisa em detrimento de outra. E fizeram isso de forma exemplar!

Compras feitas, foram todos em direção ao tão esperado cinema, mas não sem antes parar para abastecer as energias: Hora do super combo pipoca + refri + chocolate. Os braços e mãos eram pequenos para carregar tanta coisa, mas quem liga? O negócio era estar pertinho de todos aqueles presentes e saborear aquelas guloseimas tudo ao mesmo tempo.
— O que você acha que tem lá dentro? (perguntamos a eles antes de entrar na sala) — Acho que é uma sala com uma TV bem grandona tio!Passo a passo, mãos dadas em fileira indiana, e foram um a um adentrando naquele ambiente penumbro com uma expressão de encantamento.
Cada um coloca o seu óculos 3D e logo começam a surgir as primeiras imagens tridimensionais — seja lá o que for isso, provavelmente pensaram. Som alto ecoando e aquele momento eternizado na pequena retina de cada um deles. Entre momentos de concentração e gargalhada, o tempo passou, voando! Fim do filme, última lição de cidadania: jogar o lixo fora e devolver o óculos na saída. Estamos prontos para voltar para casa.

E assim terminou aquele dia diferente. Lá se foi a VAN. Pude ver as mãozinhas pra cima e acenando, olhos brilhando ao mirar suas sacolas cheias de brinquedos, barriguinha cheia (de porcarias é verdade, mas vá lá, um dia só não faz tão mal assim), coração pulsante de alegria e mente provavelmente organizando todo o roteiro para contar em casa tudo o que vivenciaram naquele dia.
Qual foi a minha surpresa quando percebi que quem mais foi impactado por esse dia não foram aquelas crianças, ainda que tenham tido um dia inesquecível e totalmente diferente de suas rotinas com tantas dificuldades e privações. Nesse dia, o verdadeiro impacto foi em nós colaboradores da Softfocus, que pudemos experimentar o quanto algo tão simples pode fazer a diferença na vida das pessoas. Pudemos entender o significado prático de fazer o bem, plantar uma semente de esperança no coração de uma criança mostrou-se tão mais eficiente do que o melhor código que já tenhamos produzido.
Quando falamos de esperança, é importante entender o tipo de escolha que essas crianças normalmente tem. Muitas vezes são poucas as opções e nesse dia pretendíamos mostrar que mesmo que ainda distante da realidade delas, podem haver sim outras escolhas, outras realidades a serem vividas, mesmo que muitas dificuldades apareçam no caminho que recém começaram a trilhar. Fica nosso papel de cobrar enquanto cidadãos para que toda a sociedade, seja através da iniciativa privada ou do poder público, ajude nossas crianças a terem condições de fazerem melhores escolhas. Que estas sejam escolhas transformadoras, baseadas em sonhos e esperança gravados em suas memórias, talvez de um dia diferenciado e impactante de suas infâncias.