
Meu nome é Juliana, mas todos me chamam de Ju.
Minha infância não foi feita de brinquedos, passeios ou mesas cheias. Foi marcada pela ausência dos meus pais, pela fome e pela incerteza de não saber se haveria alguma coisa para comer no dia seguinte. Enquanto muitas crianças escolhiam o que queriam comer, eu aprendi muito cedo a agradecer por qualquer alimento que aparecesse.
Houve dias em que dormi com fome. Dias em que senti falta de um abraço, de proteção e de alguém que me dissesse que tudo ficaria bem. Cresci entendendo que, se quisesse sobreviver, precisaria encontrar forças dentro de mim, mesmo quando eu ainda era apenas uma menina.
A vida nunca me ofereceu caminhos fáceis. Tudo o que conquistei exigiu luta, coragem e persistência. Muitas vezes pensei em desistir, mas alguma coisa dentro de mim sempre dizia que a minha história não poderia terminar daquela maneira.
Foi na culinária que encontrei esperança.
Cozinhar, para mim, é muito mais do que preparar alimentos. É transformar ingredientes simples em carinho. É oferecer a alguém aquilo que tantas vezes me faltou: alimento, cuidado e acolhimento. Quando estou diante de uma panela, sinto que posso transformar não apenas uma receita, mas também o meu próprio destino.
Meu maior sonho é ter uma pequena cozinha. Não precisa ser grande nem luxuosa. Quero apenas um espaço limpo e organizado, com os equipamentos necessários para que eu possa cozinhar, preparar minhas encomendas e vender os meus produtos com dignidade.
Quero começar pequeno, com aquilo que sei fazer e com a vontade enorme que tenho de trabalhar. Desejo transformar essa cozinha em uma pequena empresa, conquistar meus clientes e construir, pouco a pouco, a segurança que nunca tive. Quero olhar para o futuro sem o medo de passar fome novamente.
Eu não estou procurando facilidade. Estou procurando uma oportunidade.
Sei que a minha história se parece com a de muitas brasileiras que acordam todos os dias e enfrentam um mundo cheio de dificuldades. Mulheres que carregam dores que ninguém vê, mas continuam trabalhando, sonhando e lutando para sobreviver.
Eu sou uma dessas mulheres.
Não posso mudar a infância que tive, mas posso lutar pelo futuro que ainda quero construir. Meu sonho pode parecer pequeno para algumas pessoas, mas, para mim, essa cozinha representa independência, trabalho, segurança e a possibilidade de começar uma vida nova.
Eu sou a Ju. Já conheci a fome, a ausência e a necessidade. Agora quero conhecer o sabor de realizar um sonho com o meu próprio trabalho.
Só preciso de uma oportunidade para começar.