
O vento cortava o rosto de Dudu enquanto ele deslizava sobre as águas, sentindo a liberdade que só o mar poderia lhe oferecer. Cada manobra, cada salto sobre as ondas foi o resultado de anos de dedicação, esforço e sacrifício. Ele não era apenas um atleta de alto nível; o jetski era sua vida, seu sustento, sua identidade.
Mas naquele dia, tudo mudou.
O impacto veio sem aviso. Um som seco, um baque forte. Dudu sentiu o controle escapar por um segundo — apenas um segundo — antes de ser lançado na água. Quando emergiu, com o coração acelerado, viu o que temia: o casco do jetski estava partido.
Ele nadou até ele, tentando ignorar a dor que subia pelo peito. Passou a mão pela rachadura que rasgou o casco como uma cicatriz irreversível. Aquele não era apenas um equipamento. Era sua ferramenta de trabalho, seu companheiro de batalhas, ou que o mantinha competindo, vivendo, sonhando.
Sentado na areia, Dudu segurava o volante quebrado entre os dedos. Sabia que consertá-lo custaria mais do que tinha. Sabia que sem ele, as próximas competições seriam apenas um sonho distante. E, pior que tudo, sabia que sem competir, não poderia sobreviver.