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Um pouco da minha História de vida...

Oi, eu me chamo Adriano dos Santos Monteiro, tenho 40 anos e gostaria de contar um pouco sobre minha trajetória de vida.

Eu tinha 27 anos, trabalhava de mecânico de refrigeração industrial numa empresa terceirizada da VARIG, levantava as 5:00hs da manhã, ia de bicicleta até a empresa (8Km), retornava as 17:30hs, tomava café na casa de minha noiva e ia para academia, onde trabalhava como instrutor de musculação e nas horas vagas treinava, cheguei a ganhar 2º lugar num torneio de lutas. Nos fins de semanas trabalhava de segurança numa danceteria em Porto Alegre (Barba Azul).

Como podem verificar minha vida era bem agitada, sempre me dediquei ao esporte. Trabalhava muito, com objetivo de comprar um terreno e casar no fim do ano de 2001.

Foi no dia 15 de janeiro de 2001 que minha vida mudou completamente...

Ainda lembro daquele dia quente de sol forte, sai apresado do serviço, nem troquei de roupa, pois queria chegar logo na casa de minha noiva (tínhamos brigado um dia antes), fiz o mesmo trajeto de todos os dias, ao descer a estação Anchieta, avistei um garoto a minha frente, não identifiquei o que ele estava segurando, mas percebi que apontava em minha direção, ao me aproximar ele gritava que eu parasse, foi então que me dei conta que era uma arma de fogo. Parei e ele mandou que eu descesse da bicicleta, enquanto eu descia, em fração de segundos lembrei que na minha carteira estava o dinheiro para pagar a prestação da moto que comprei a 1 mês atrás, desci da bicicleta e pensei:

- Se ele pedir minha carteira, vou reagir, afinal ele é menor e mais magro.

Como ele pegou apenas a bicicleta(que era velha e do meu cunhado) não me importei, e com toda a calma pedi se poderia tirar o cadeado que carregava, ele negou e mandou que eu corresse,  me virei de costas, assim que dei alguns passos, senti um zumbido e perdi as força das minhas pernas, caindo de cara no asfalto quente, mesmo sem entender direito o que estava acontecendo, minha sensação é que eu estava morrendo, conversei o tempo todo com Deus em voz alta implorava por minha vida, independente do estado que eu ficasse, foi então que uma mulher se aproximou de mim, tentando me acalmar, passei o número da minha noiva,. A todo momento chamava por ela, não queria partir antes de dizer o quanto a amava, infelizmente minha noiva não estava em casa, mas em minutos minha sogra e um amigo chegaram, depois minha mãe, se passaram 30 minutos até a ambulância e polícia chegarem, ainda estava consciente, quase sem forças quando notei a presença dela.

Como eu não perdi a consciência ao me colocarem na maca, percebi que tinha perdido os movimentos das pernas, fiquei desesperado, mas tentei manter a calma e pensar no que eu ia fazer. Ao chegar no hospital, antes mesmo do diagnóstico dos médicos, pedi para minha noiva seguir a vida dela, não era justo mantê-la ao meu lado. Sabia que nunca mais eu seria o mesmo.

Ela ao contrário do que eu queria no momento, não saiu do meu lado, mesmo não podendo ficar na UTI, driblava os médicos e a cada hora ia me ver.

No segundo dia que estava internado, minha noiva recebeu uma ligação de um conhecido nosso que trabalhava para polícia civil, dizendo:

- Estou com o cara que baleou seu noivo, o que querem que eu faça com ele? Se eu levar para prisão, vocês sabem que daqui uns meses estará solto de novo, mas como ninguém sabe que estou com ele, posso fazer com que ele desapareça. A decisão é sua.

Ela sem saber o que fazer, me contou e deixou a decisão em minhas mãos.

Foi então que perguntei:

- Se ele morrer, meus movimentos vão voltar? E ela respondeu: Não

Pensei, me perguntei, porque comigo? O que eu fiz de errado? E resolvi deixar na mão de Deus e na justiça dos homens.

Depois do diagnóstico médico, tetraplegia nível C7, sem esperança de melhora, os médicos do pronto socorro decidiram não arriscar a retirar o projétil da bala. Com muita dificuldade e ajuda de familiares e amigos, consegui trocar de hospital, o projétil foi retirado, mas infelizmente o diagnóstico continuava o mesmo. Estava arrasado, foi quando minha noiva disse:

Você vai voltar a andar, descobri que tem um hospital em Brasília que é considerado o melhor da América latina e vou te levar. Na hora fiquei tão feliz que nem pensei como iriamos, depois que sai do hospital, descobri que a fila de espera era de no mínimo 2 anos. Com a ajuda de amigos, familiares e colegas de trabalho ela conseguiu através de políticos antecipar minha ida ao Sarah.

No dia marcado, embarcamos, rumo a esperança. Realmente o hospital é de primeira, fui atendido por uma equipe de médicos multidisciplinar, muitos exames, testes e o diagnóstico:

Hoje impossível você voltar a andar, mas as pesquisas estão avançando e quem sabe daqui uns 5 anos a medicina descubra uma maneira de regenerar a medula.

O jeito era encarar minha nova vida, aprendi a me alimentar, tomar banho, fazer cateterismo, passar para o carro, sair da cama, sem precisar de ajuda. Recuperei um pouco da minha autoestima.

 No meio daquele hospital com centenas de pessoas com problemas iguais ao meu, como poderia ficar deprimido, se a única coisa que pedi a Deus foi continuar vivo e ainda tinha alguém ao meu lado me apoiando incondicionalmente.

Voltamos para casa, já me sentia um pouco mais independente, comprei meu primeiro carro adaptado, fui trabalhar de voluntario na ACADEF, ajudando outros cadeirantes a superarem os desafios desta nova vida. Comecei a cursar educação física. Mas a esperança de voltar a andar era maior que tudo, procuramos todo tipo de tratamento.

Após 2 anos da minha lesão, decidimos nos casar, mas as buscas pela cura continuaram...

Descobrimos um médium de Goiás, largamos tudo, fizemos empréstimo, e fomos rumo ao desconhecido, após 3 meses retornamos, abalados, sem esperança e com dívidas.

Ao retornar a meu trabalho voluntário na ACADEF, descobri que tinha um grupo de cadeirantes que jogava basquete, comecei a treinar com eles, o esporte me deixava animado, mas minha lesão é muito alta, e eu não conseguia acompanhar o ritmo dos outros jogadores, dessa maneira não me escolhiam para fazer parte dos times.

A decepção já fazia parte da minha vida, a cada atividade que tentava fazer, sempre havia um empecilho que me faziam desistir, durante esses 13 anos de lesão medular passei por altos e baixos até descobrir um motivo para continuar lutando.

Conheci o João Corrêa um atleta paraolímpico que me mostrou que era possível vencer em um esporte que dependia apenas da minha força de vontade, desta maneira conheci a corrida de HANDBIKE, fiquei sabendo que tinha um protótipo no valor de R$600,00, vendi meu relógio e comprei, fiz algumas melhorias e comecei a treinar com o apoio do meu amigo João, me apaixonei pelo esporte pois a vitória só dependia do meu esforço, treinei muito, superei minha falta de ar, minhas limitações, me filiei na confederação gaúcha e brasileira de ciclismo e no dia 28/9/2014 participei da minha primeira corrida na 10ª Etapa do super. campeonato gaúcho de ciclismo(paraolímpico) Triunfo*RS – Polo Petroquímico. Fiquei em 2º Lugar.

Encaminhei minha documentação para o passe livre do governo federal, pois em 18/10 e 19/10/2014 as próximas etapas seriam em Curitiba. Infelizmente a documentação de isenção não chegou a tempo, e minha esposa não poderia ir comigo, não me deixei abater comprei as passagens e fomos somente eu e o João Corrêa.

Contrariando a todas probabilidades, Com apenas 2 meses de treino, com um protótipo de handbike e sem patrocinio superei todas as minhas limitações e consegui chegar em 3 lugar nas 2 provas da etapa copa Brasil de paraciclísmo em Curitiba.

Com ajuda de amigos consegui comprar minha primeira Handbike, por ser um equipamento importado e muito caro, encontrei uma com mais de 10 anos de uso por R$ 6.000,00, mas estava em Sergipe. Mas isso não foi impecilio para mim. Parcelei a passagem de avião ( R$1.800,00) e fui sozinho buscar minha handbike. Com ela cheguei a ganhar o 1º lugar na Copa Brasil de Paraciclismo no Rio de Janeiro e em Brasília.

Meu sonho é disputar o mundial e entrar para seleção Paraolímpica, mas para isso preciso de um equipamento de qualidade. Desde já agradeço a ajuda.

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