
Olá, meu nome é Alexandre Carlomagno. Eu nunca fiz isto, uma vaquinha virtual, ainda mais para um objetivo aparentemente tão banal. Por isso, nas próximas linhas eu tentaria explicar a você o porquê da vaquinha, então você julgará se é ou não banal. Vamos lá!
Eu sou de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Em poucas palavras, fui criado dentro de uma locadora de vídeo. Exatamente isso: de 1991 a 2009 (lembrando que eu sou de 1986, tenho 32 anos de idade), passei a minha vida entre prateleiras e filmes e mais filmes.
Mas os filmes só pelos filmes não me encantavam: foi o meu pai que me apresentou a eles. Foi ele que me levou à minha primeira sessão de cinema (Lua de Cristal, lá em 1990). Depois, em 1993, foi a vez de Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros, além de tantas outras. Foi que ele que dividiu comigo a sua paixão pelos filmes. Aí sim, então, os filmes passaram a me encantar.
Já em torno de 4 ou 5 anos de idade, via todos os filmes que eu podia ver. Ora, eu morava dentro de uma locadora! Hoje, não preciso sequer fechar os olhos para sentir o cheiro das fitas de VHS, das prateleiras e das revendedoras de filme.
E desde então, a minha vida tem sido o cinema. Eu vivo e respiro cinema.
Depois da minha família e amigos, além da vida em si, é o que eu mais amo. E por quê eu falo isso?
É que, em 2014, mais especificamente em outubro daquele ano, eu fui diagnosticado com Esclerose Múltipla. É um diagnóstico muito difícil de ser fechado, levou alguns meses.
Eu senti um problema na visão e fui ao oftalmologista. Foi identificado um inchaço no nervo do olho, porém não se sabia a causa. Tentamos tratar com corticoide, porém a alta dose causou a minha primeira arritmia cardíaca. Como já havia a suspeita de algum fator neurológico, visto que eu já tinha apresentado alguns surtos da doença no passado, fui encaminhado a um neurologista. Lá, o diagnóstico foi fechado.
Para quem não sabe, a Esclerose Múltipla é uma doença degenerativa, progressiva e sem cura. Ou seja, aos poucos, de maneira imprevisível, perderei as minhas funções motoras. E ela não tem cura porque não se sabe a causa.
Há quem tenha surtos aos 18 anos, há quem tenha aos 70. Há quem esteja em cadeira de rodas aos 30, mas há quem ande de bengala aos 20. A doença age de maneira individual, cada pessoa responde a ela de uma maneira específica.
Então, como eu estava dizendo, com o diagnóstico fechado eu fui encaminhado para o HC - Hospital das Clínicas, onde faço acompanhamento até hoje.
Em janeiro de 2015, comecei o tratamento: toda semana eu deveria injetar uma agulha na minha perna. Sinceramente, nunca tive medo de agulhas - mas isso não duraria muito tempo. O remédio acabava comigo por 24 horas. Eu não conseguia dormia, sentia dores, calafria, meu corpo esquentava, eu passava horas e mais horas tremendo.
Nos primeiros seis meses, eu me apliquei tranquilamente. Mas foi a partir do segundo semestre que o processo se complicou. Eu comecei a ficar muito tenso, a minha mão travava. Um processo que deveria levar, no máximo, 30 minutos, levava horas. Eu encostava a injeção na perna, mas não conseguia apertar o gatilho. Eu estava exausto, psicologicamente desgastado. Foi aí que a minha mãe passou a aplicar em mim. Eu, um rapaz de 30 anos na época, tendo que ficar de cueca (sim, pois tinha um jeito específico para a plicação) todo final de semana para a minha mãe aplicar a injeção em mim.
Essa rotina durou mais um ano, mais ou menos, até que eu tive o suficiente. Desisti no final de 2016 e, desde 2017, aguardo a chegada de um remédio via oral.
O tratamento não retardou o problema na visão. Eu perdi a capacidade de enxergar com o olho direito. Não vejo absolutamente nada - fora que perdi força no lado esquerdo do corpo. Já pensou o que isso faz à cabeça de um cinéfilo, de alguém que dedicou a sua vida ao cinema, a assistir filmes? Depressão, psiquiatra, mais remédios e por aí vai (fora outras coisas que não vou falar por sentir muita vergonha).
Não vou mentir, me sinto melhor atualmente. No entanto, estou desempregado há quatro anos. As pessoas me dizem o quão mais fácil é conseguir emprego como deficiente, mas quem me diz isso são sempre as pessoas que não têm deficiência. A burocracia trabalhística no Brasil para deficientes é algo fora do normal. Tenho tentado, mas não tenho conseguido.
Em suma, essa é minha vida nos últimos cinco anos. Não deixei de amar o cinema, mas tenho tido dificuldade em assistir filmes, tanto pela visão (a do olho esquerdo já está vagarosamente indo embora) quanto pelo fato de que não consigo filmes para assistir.
Se eu pudesse resumir a minha relação com os filmes perante a minha saúde, seria a de que quero ver todos os filmes possíveis antes que a doença avance mais.
Uma outra paixão minha é o colecionismo. Coleciono filmes há 20 anos. Nos últimos anos, porém, com o desemprego, não tenho conseguido acompanhar os lançamentos e adquirir os itens me interessam. Com um presente aqui ou ali, até consigo alguma coisa, porém me faltam alguns filmes.
Com esta vaquinha, o que eu desejo é atualizar alguns itens da minha coleção. São eles:
- Cinema Samurai vol. 7: R$ 80
- Clássicos Sci-fi vol. 5: R$ 80
- Filme Noir Francês: R$ 80
- Filme Noir vol. 11: R$ 80
- Filme Noir vol. 12: R$ 80
- Coleção Blu-ray James Bond: 50 anos: R$ 800
Total dos filmes: R$ 1.200
Taxa do site: 6,4% sobre o valor total
Taxa de saque: R$ 5
Total da Vakinha: R$ 1.282 (e como o sistema não aceita centavos, tive que arredondar o valor, que seria de R$ 1.281,80)
Bem, é isso. Se você julga o meu propósito banal, não tem problema. É um pedido honesto e muito claro. E se você me acompanhou até aqui na leitura, agradeço a sua atenção. Espero que tome a decisão que achar melhor.