
Fui aprovado em um programa de duplo diploma na França, mas, devido à pandemia do COVID-19, a bolsa da CAPES (Coordenação de aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) foi cancelada e, para conseguir participar desse programa, venho pedir a colaboração de vocês.
Meu nome é Carlos Eduardo Espírito Santo Magalhães, sou natural de Salvador-BA, tenho 27 anos e curso Engenharia Aeroespacial no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), situado em São José dos Campos -SP.
Em minha família, educação foi sempre prioridade e meus pais fizeram de tudo para garantir uma boa educação para mim e meu irmão. Assim, desde pequeno, sempre fui dedicado aos estudos e, com o passar do tempo, o encantamento com a área de exatas aumentou cada vez mais. Ao chegar ao Ensino Médio, resolvi fazer a prova para entrar no Instituto Federal da Bahia (IFBA) – Campus Vitória da Conquista (antigo CEFET-BA) e passei em 1º lugar para cursar o Ensino Médio Integrado com Curso Técnico em Eletrônica. Por causa da afinidade com as ciências exatas, acabei tendo contato com as olimpíadas científicas sendo premiado na Olímpiada Brasileira de Física (OBF) e na Olimpíada Brasileira de Matemática nas Escolas Públicas (OBMEP).
Desde muito tempo, gosto de assuntos relacionados ao espaço e artefatos que conseguem a extraordinária proeza de passar da atmosfera terrestre. No final do Ensino Médio, já era bem clara, para mim, a certeza de cursar Engenharia como curso superior, porém não conhecia nenhuma faculdade que ministrasse algum curso de engenharia relacionado ao espaço. Conheci o ITA através de meu primo André Magalhães, e, a partir daí, fui procurar saber mais sobre esse Instituto. Fiquei fascinado com a possibilidade de cursar Engenharia Aeroespacial e, a partir daí, entrar no ITA se tornou um sonho e também um desafio.
Assim que terminei o ensino médio, prestei o vestibular e fui aprovado em 3 faculdades: Instituto Federal da Bahia (IFBA), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – via ENEM. Acabei optando por cursar Engenharia Mecânica na UFBA, porém mantendo o sonho do ITA ainda vivo. Assim, em paralelo com o curso superior, estudei em casa para o vestibular do ITA, não logrando êxito. Em seguida, consegui bolsa para a turma ITA/IME no Curso Interseção em Salvador. Passei mais 3 anos ali (2 desses no Curso Interseção) cursando Engenharia Mecânica, até chegar ao limite de idade permitido pelo ITA para o ingresso. Então tomei a decisão de focar esse último ano completamente na minha aprovação, mesmo já tendo completado 7 semestres na graduação da UFBA. Consegui bolsa para a turma ITA/IME no curso POLIEDRO em São José dos Campos, mudando-me para lá, ciente de que essa seria a minha última chance. No final do ano, veio a tão sonhada aprovação quando, finalmente, me tornei aluno do curso de Engenharia Aeroespacial do ITA em 2016.
Por sempre gostar da área educacional e precisar de complementação financeira para me manter em São José dos Campos, comecei a dar aulas, já no primeiro ano do ITA, no Curso MOVAME (Curso PRÉ -MILITAR), lecionando a disciplina Química em duas turmas (Turma EsPCEx e também na turma ITA/IME). E, desde então, faço parte do quadro de professores do MOVAME.
Participei de iniciação científica, tanto no período em que estive na UFBA (O tema foi Aplicação de Interferometria a Laser em Padrão Primário de Torque), quanto naquele em que estive no ITA (O tema foi Investigação de materiais de uso Aeroespacial mediante simulações por dinâmica molecular).
Neste ano, comecei a participar da ITA Rocket Design (Iniciativa de alunos de graduação do ITA que projeta, anualmente, foguetes para participar de competições como a Intercollegiate Rocket Engineering Competition – IREC nos EUA). Além disso, estou participando de um projeto de desenvolvimento de carros autônomos, estudando a parte de Controle.
Durante todo meu tempo no ITA, ouvi sobre oportunidades de intercâmbio e programas de duplo diploma. Em 2019, tive a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre esses programas despertando muito o meu interesse. Assim me inscrevi em três, e comecei a estudar o idioma francês sozinho, conseguindo o nível B1 de francês no Test de Connaissance du Français (TCF) esse ano.
Fui aceito pelas três universidades francesas (École Nationale Supérieure de Techniques Avancéss - ENSTA Paris, Institut Supérieurde l'Aéronautique et de l'Espacee – ISAE SUPAERO em Toulouse e École Nationale Supérieure de Mécanique et d'Aérotechnique - ISAE ENSMA em Poitiers, e fui indicado para bolsa BRAFITEC, fornecida pela CAPES, pela qual receberia cerca de 900 €/mês (cerca de R$ 5.400,00). Porém, devido à pandemia do COVID-19, a CAPES cancelou as bolsas e, portanto, todo o custo de me manter na França ficou sob minha responsabilidade. Sendo assim, cogitei não dar continuidade ao processo, até surgir a ideia de fazer uma vaquinha. Todas essas universidades francesas são muito bem reconhecidas e tenho certeza de que agregariam muito à minha formação. Por razões financeiras e acadêmicas, escolhi a ISAE ENSMA em Poitiers, tendo um custo de vida estimado em 550 €/mês (cerca de R$ 3.300,00). Porém nem eu nem meus pais conseguiríamos arcar com esses custos (a renda deles não seria suficiente para sustentá-los, manter meu irmão que estuda em outra cidade e ainda me manter morando na França).
O programa de duplo diploma dura dois anos. Espero conseguir trabalhar por lá e tentarei novamente bolsas da CAPES caso estejam disponíveis no futuro, por isso coloquei como meta o valor de R$ 43.000,00, uma estimativa dos custos que terei nos primeiros 12 meses. Ficarei extremamente grato por eventual ajuda por parte de vocês.