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CODINOME CLEMENTE DISTRIBUIÇÃO / FAIRE UN DON

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CODINOME CLEMENTE DISTRIBUIÇÃO / FAIRE UN DON
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Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz foi Comandante Militar da Ação Libertadora Nacional, organização criada por Carlos Marighella. Nasceu em Maceió no dia 23 de julho de 1950, filho de Maria da Conceição Sarmento Coelho da Paz, natural de União dos Palmares e de Carlos Cardoso Coelho da Paz, natural de Maceió.Entrou no Grupo Escolar, levado por sua tia Vandete, professora que começou a alfabetizá-lo em casa, ensinando-o a ler e a escrever, nos livros do tio-avô, Graciliano Ramos, casado com sua tia avó materna, Maria Augusta Barros.Em 1958, a família mudou-se para o Rio de Janeiro. E foi na cidade maravilhosa que Carlos descobriu o Maracanã, as belas praias, as peladas na rua, e o samba. Foi lá também que começou a seguir aulas de piano com Luiza, musicista da família de Alcir Pires Vermelho, um dos nomes do cancioneiro nacional, autor de Canta Brasil que também frequentava sua casa. Com treze anos, acompanhou o golpe de Estado de 31 de março de 1964 pela Rádio Mayrink Veiga. Sua casa próxima à sede da UNE, passou a ser o lugar privilegiado de proteção de estudantes perseguidos no imediato pós golpe, quando a UNE foi invadida e incendiada.Foi no ano de 1966 no Colégio Pedro II que Carlos Eugênio conheceu seu amigo Alex de Paula Xavier Pereira, que marcará sua vida política para sempre, convivendo com sua família comunista e conhecendo a partir dela, o dirigente Carlos Marighella.  Era com Alex que ele estudava, fazia alpinismo, realizava a segurança das passeatas, fazia pichações pelas ruas do Rio de Janeiro e recolhia dinheiro no Saara para Carlos Marighella. Aos 16 anos Carlos Eugênio conheceu pessoalmente Marighella, sentado num dos bancos do Aterro do Flamengo, e aderiu, sem pestanejar, à proposta de luta armada. Naquele momento, Marighella rompera com o Partido Comunista Brasileiro e estava estruturando o que viria a se chamar Ação Libertadora Nacional (ALN), um grupo de luta armada contra a ditadura civil- militar, já muito bem instalada no Brasil.    Em 26 de junho de 1968, Carlos Eugênio participou da Passeata dos Cem Mil junto de sua mãe Maria da Conceição e de Maria Valéria (Belela), sua irmã caçula. Foi sua última aparição numa manifestação de massa, antes de viver numa semiclandestinidade. Em abril de 1969, já sob o codinome Clemente, realizou a sua primeira ação armada no Cine Ópera, um cinema em Botafogo. Foi o seu primeiro “vestibular da ação” quando seu grupo de estudantes secundaristas se legitima como um Grupo Tático Armado (GTA). Em meados de 1969, foi recrutado para o serviço militar, no Forte de Copacabana, na época responsável por treinamento anti-guerrilhas. Foi um soldado extremamente disciplinado, tendo recebido inclusive medalha de Melhor Soldado do Forte de Copacabana do General Syseno Sarmento. Em julho de 1969 Valderez Coelho da Paz, sua irmã foi presa. No final desse ano, o sequestro do embaixador americano, Charles Elbrick em 4 setembro levou a muitas quedas na organização, obrigando Clemente a se transferir para a cidade de São Paulo, que também como o Rio de Janeiro, sofrera quedas importantes.Clemente assume então, em fevereiro de 1970, o Comando Militar da Ação Libertadora Nacional em São Paulo, compondo junto a Joaquim Câmara Ferreira e a outros militantes, o Comando Nacional da ALN neste segundo semestre. Protagoniza então centenas de ações armadas na cidade de São Paulo e tem cabeça a prêmio avaliada em um milhão de dólares pelos agentes do DOI-CODI/SP. Participa do justiçamento do empresário dinamarquês, financiador da repressão em São Paulo, e dono da empresa Ultragaz, Henning Albert Boilesen em abril de 1971. Deixa de ter o cabelo cortado à príncipe danilo (reco), passa a ocupar o local mais perigoso da ação armada e provoca a repressão. Proíbe a cápsula de cianureto na ALN, pregando a luta do militante contra a ditadura até o fim.Clemente foi o militante mais perseguido de seu tempo, sentenciado a 123 anos de prisão. Não era uma condenação, mas a entrada numa lista de mortos.... Não o deixariam vivo. Comandante militar da ALN, foi o homem de confiança de Carlos Marighella e de Joaquim Câmara Ferreira e, como poucos, sobreviveu para contar sua história, publicada em dois livros Viagem à Luta Armada, de 1996 (reeditado em 2008) e Nas Trilhas da ALN, de 1997.Após oito anos de militância ininterrupta, deixou o Brasil após uma votação da Coordenação Nacional da ALN para retirá-lo do país. Chegou a Cuba em março de 1973, onde realizou Curso de Estado Maior cubano, pretendendo voltar ao Brasil. Mas, sem contato com a organização após a prisão de sua mãe em junho de 1974, e com a ALN praticamente destruída, entrou com pedido de refúgio político na França.Chegou à Europa com 23 anos de idade, e após trabalhar como pedreiro, carpeteiro, pintor, eletricista, deu prosseguimento seus estudos de Música na Schola Cantorum, École Superieur de Musique, de Danse et d' Art Dramatique com o Mestre Pierre Doury, formando-se em Harmonia e Composição (1978-1981), quando foi obrigado a retornar ao Brasil no ano de 1981 - não anistiado e ainda clandestino - para assistir à morte do pai, acometido de um câncer terminal na medula.  Protagonizou uma batalha legal no Supremo Tribunal Federal, até ser integrado na Lei de Anistia em agosto de 1982, na lei definida como “crime conexo”.A música teve um papel muito importante em sua vida. Carlos Eugênio ajudou a formar uma geração de novos músicos. Deu aulas para Dorinha Jobim, neta do grande maestro Tom Jobim, que levava nas aulas o violão do avô (com o qual Tom gravou o disco com Frank Sinatra) e foi professor de muitos filhos da MPB, como Bena Lobo, Luísa Buarque de Holanda, Gabriel Guarabyra e tantos outros. Amigo de Taiguara e de Luizinho Eça, dividia coincidentemente, o mesmo prédio com Toninho Horta. Morou num apartamento que pertencera a Carlos Drummond de Andrade e acompanhou na Itália as primeiras gravações da música Cale-se no estúdio de Sergio Bardotti, tendo contatos com Giancarlo Cesaroni, e com Paulo Cesar Botas, com quem percorreu a Sardenha em encontros junto ao muralista Pinuccio Sciola, apresentando espetáculos de Bumba Meu Boi com seu grupo de música brasileira, Ganga Zumba, e aparecendo num programa da RAI italiana na cidade de Nápoles, filmado no ano de 1977.Na volta ao Brasil Carlos Eugenio continuou a ser notícia nos jornais, pela franqueza de sua postura política. Em 1987 o Jornal do Brasil anunciava com ironia que a história de Carlos Eugênio dava um enredo de carnaval. E acrescentava sobre ele: "Carlos Eugênio trocou o tom monocórdico da metralhadora soviética por um harmônico baixo elétrico. Seu aparelho agora é um amplificador”. Como escreveu Franklin Martins no prefácio de Viagem à Luta Armada: “Poucos militantes participaram de tantas ações armadas naquele período (...). Poucos também foram caçados tão ferozmente como ele”. Poucos também foram aqueles que viveram nas entranhas as exigências da guerra. Aqueles limites da violência que são, na maior parte das vezes, definidos pela estratégia que a própria guerra determina.Caetano Veloso escreveu sobre Clemente na ocasião da estreia do filme Cidadão Boilesen de Chaim Litewski, declarando sua simpatia aos rebeldes da ALN e defendendo a justeza de sua luta. Como disse: “(...) o caso de toda ação contrária a um Estado ilegal ser uma ação legal faz sentido para mim. Talvez eu retirasse o ‘toda’. Mas sempre tendi a ver desse ponto de vista os que lutaram contra a ditadura. O cara que dirigia o carro que levava os atiradores que mataram Boilesen e hoje ensina violão me surge como alguém que tentou lutar uma luta legítima (...)”.Clemente faleceu de um câncer de laringe muito agressivo no dia 29 de junho de 2019 no município de Ribeirão Preto. Mantive-me do seu lado, segurando sua mão já cianótica, escutando seus broncoespasmos, olhando seu corpo sedado lutando até o fim e a vida se despedindo dele com a falência de seu cérebro brilhante, de seu coração generoso e de seu pulmão em busca de ar... Juntos, achava que sobrevivíamos e driblaríamos a morte mais uma vez. Mas, ele nos deixou. Partiu sereno. Não estava desesperado diante da morte. A morte se aproximou dele concretamente tantas vezes.... Ele entendia que era seu último e definitivo encontro com ela. Ele, como Marighella, não teve tempo para ter medo...  Foi o homem mais corajoso que conheci. Os amigos passaram a dizer Presente! tentando esconder sua ausência física ... Mas, Clemente cobrava aquilo que era concreto. Ana Maria Nacinovic, presente! Ele dizia: Ausente! Iuri Xavier Pereira, Presente! Ele dizia: Ausente! Queria marcar mais do que uma dor, uma responsabilidade, daqueles que também tentaram matá-lo. Carlos Eugênio elegeu um caminho até as últimas consequências, e isso é total, trágico, humaníssimo, muito além de todos os acertos e erros. Ainda há muito a se contar sobre este homem. Esse militante cujo pai deixou-lhe um diário no leito de morte, torcendo para que na luta armada houvesse apenas dias de chuva, pois no seu entender, a chuva protegia da morte. Como ele escreveu, “A bomba foi lançada em Hiroshima porque fazia bom tempo...” Texto de: Maria Cláudia B. Ribeiro - Historiadora e viúva de Carlos Eugênio Paz, o Clemente.  

 

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O FILME CODINOME CLEMENTE: Caminhante, não há caminho. O caminho faz-se ao andar. Golpe a golpe. Verso a verso - Tribuna da Imprensa Livre

tribunadaimprensalivre.com

Há coisas de ler que não são pra serem lidas, já estão escritas em nós há tempo. Ressoam em nossa vida, tornada de-cisão de se expandir em amar textos. Eles que, enfim, são nós mesmos, fios dessa teia, sempre inconclusa, sentida por  Walter Benjamin. Presos-livres nela, sobreviveremos, talvez, a esses tempos sombrios em que Hannah Harendt sobrevive.

Assim é o exercício de reescutar-se que o nosso ser opera, nessa entrevista com a cineasta Isa Albuquerque, bem como em nossa leitura de:"Codinome: Clemente". Nossa indignação e consciência, revoltadas, choram como chorou Darcy Ribeiro no enterro de Glauber Rocha:" Glauber chorava esse país que não deu certo..." Reconhecemo-nos parte dessa teia, reconhecimento necessário e urgente. De dentro desse turbilhão de verdades indeléveis, guardadas no tempo, e nele  correndo perigo, somos convocados aqui por questões como a da "memória", que, em nossa época, como em outras, a filosofia sabe, que discuti-la e construí-la é simplesmente fazer a vida. "Codinome:Clemente " nos LEMBRA como gente livre e como povo soberano, que talvez nunca tenhamos sido, dentro dessa história caótica que nos foi dada viver. Dizendo o que nunca foi dito, Clemente (Carlos Eugênio Sarmento Coelho da paz) revolve, no fundo de nossa inércia, vontade de luta e coragem de liberdade, tornando assim, central, a resposta de Isa à entrevista, assim como já o fora dito em sua obra de arte, onde nos grita; que aquele movimento armado jamais pode ser pensado como ato de esvaziamento do pensamento! Esse trato a essa fundamental questão deveria constar em todo currículo acadêmico, em toda roda de gente, onde se faz a luta, d'agora, nossa hora, em diante...

Por Marcelo Antunes, professor de Filosofia da Universidade Federal do Maranhão.

 

 Chère amie, cher ami, bonjour,

Comme vous l’avez appris, Carlos Eugênio Paz nous a quittés cette année, le 29 juin, après avoir lutté contre un cancer du larynx très agressif. Je diffuse la campagne visant à réunir la somme nécessaire permettant la distribution dans les salles de cinéma brésiliennes et à l’étranger du film documentaire Codinome Clemente.

Sous le nom de Clemente, Carlos Eugênio Paz a participé à l’ALN ( l’Action de Libération Nationale) et à de nombreuses actions urbaines. A travers son témoignage, les témoignages de ses compagnons de lutte et des images d’archives, la réalisatrice a construit un portrait de la dictature l brésilienne et de toute une génération qui a lutté pour la démocratie et la liberté de leur pays.

Nous avons besoin du soutien de tous ses amis pour assurer cette distribution. N’hésitez pas à vous rendre sur le site si vous souhaitez participer :

http://vaka.me/758706

Toute aide, si minime soit-elle sera la bienvenue, dans le contexte d’attaques contre les libertés et la culture nationale. L’agence gouvernementale brésilienne Ancine a en effet annulé les subventions prévues pour la distribution du film. C’est la raison pour laquelle nous organisons ce pot commun et nous sollicitons votre aide. Les contributions provenant de ceux qui n’habitent pas le Brésil sont possibles, par le biais de cartes de crédit, votre don en Euro sera converti en Reais brésiliens.

Pour un paiement international, il vous suffit de cliquer sur "If you want to make a payment from abroad, please click here" qui se trouve sous l'icône CONTRIBUIR et après à l' ongle supérieur droite sur le drapeau des États-Unis.

Merci pour votre aide et pour l’amitié que vous avez porté à Carlos, qui a lutté pour nous tous. N’hésitez pas à diffuser ce message le plus largement possible, c’est une façon de lui rendre hommage et d’honorer sa mémoire.

Très affectueusement. Maria Claudia Badan Ribeiro

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