
Em primeiro lugar, eu preciso agradecer por saber que, de qualquer forma, podendo contribuir ou não, sei quantas pessoas estão torcendo para que eu realize o curso de verão "The theory and practice of gender mainstreaming", na Concordia University, no Canadá. Assim sendo, explico melhor: fui selecionada com bolsa para um curso de verão no Canadá, com o valor do curso e a hospedagem, após uma seleção que incluiu uma carta de intenções que, além de analisar meu currículo, solicitava que eu justificasse as razões pelas quais merecia a bolsa e a hospedagem gratuita. Para quem me conhece, sabe que sou beneficiária direta de uma série de políticas e ações afirmativas sem as quais eu não teria conseguido cursar doutorado em uma universidade reconhecida como a UNICAMP, ser mestra pela USP e graduada pela UNESP. O caminho foi longo e acompanhado de muitos questionamentos como, "eu deveria estar aqui?", e a mesma pergunta me perseguiu enquanto eu tirava o passaporte e o visto. Mas sim, eu deveria estar aqui, assim como tantxs outrxs deveriam. Mas uma série de filtros baseados em desigualdades sociais não nos permite ocupar certos lugares. Eu faço parte de uma exceção à regra que felizmente, com a existência de algumas políticas e muitas lutas cotidianamente travadas, faz com que nós estejamos em lugares que nossos pais e avós não estiveram. Enfim, me expor é difícil, assim como é difícil escrever objetivamente a problemática para a qual a "caixinha" deve me ajudar: eu tive e vou ter uma série de gastos com passagem, passaporte, visto, seguros e manutenção da estadia no país, que, tentando economizar, estou orçando em cerca de R$ 6.300,00. Por isso, preciso da ajuda de vocês, afetos, pessoas com quem tive o prazer de cruzar ao longo da minha trajetória e também daqueles que mal me conhecem, mas acompanham um pouco do que tenho realizado nos últimos anos. Desde o início de minha graduação eu trabalho com políticas públicas, legislação, violência, relações de gênero e masculinidades, atuando numa perspectiva que alia produção de conhecimento à intervenções práticas para transformar o mundo em um lugar melhor, sob uma perspectiva interseccional, onde, de fato, exista equidade e justiça social.
A grana é alta, mas qualquer ajuda, ajuda. E se você estiver tão quebradx quanto eu, já vou agradecer pelos abraços, mensagens de incentivo e boas vibrações que eu não tenho dúvida que vou receber nesse meu caminho que ainda tem muito chão. Sei que os afetos são múltiplos e, como diz a Maria Bethânia, "eu não ando só".