
Essa carta foi escrita por Noele Ravache, em nome da Ana:
Meu nome é Ana Paula Neves Dourado. Tenho 37 anos, sou formada, trabalhei a vida inteira, e hoje enfrento a pior fase da minha vida.
Sou autista (TEA, nível 2 de suporte) e, há alguns meses, fui diagnosticada com câncer no estômago (adenocarcinoma gástrico).
Preciso de uma cirurgia com urgência para retirar o estômago todo— mas não consigo marcá-la, porque sou a única responsável pelos cuidados da minha avó, idosa, e do meu tio, acamado e 100% dependente de terceiros. Se eu for operada agora, não tenho quem cuide deles durante minha recuperação e também não tenho ninguém que possa cuidar de mim no pós operatório.
Enquanto isso, estou presa num "limbo previdenciário": fui afastada do trabalho por questões de saúde (depressão profunda e bournout), o INSS negou a continuidade do meu benefício por uma falha no agendamento da perícia (que não compareci porque passei mal a caminho), e o próprio médico do trabalho da empresa onde trabalho já me atestou, duas vezes, como inapta para voltar. Ou seja: não posso trabalhar, mas também não recebo benefício nenhum. Já entrei com recurso, mas isso leva tempo — e eu não tenho tempo. O câncer não espera.
Estou há 8 meses sem receber salário integral. Minha conta está negativa e acumulei quase 25 mil reais em dívidas (antes da doença nunca tive problemas financeiros, sou muito responssável). Recebi carta de despejo por estar com aluguél 5 meses atrasado. E preciso urgentemente de ajuda para contratar um cuidador para minha avó e meu tio, para poder finalmente fazer a cirurgia sem colocar a vida deles em risco.
Não tenho mais ninguém além deles — e eles não têm mais ninguém além de mim. Somos toda a família que temos, nós três e meus pets (duas cachorras grandes, um gato, uma iguana, um cágado e 4 agapornis).
Cada valor, por menor que seja, me aproxima de poder cuidar da minha saúde sem abandonar quem depende de mim. Minha amiga vai manter todo mundo atualizado sobre como o dinheiro está sendo usado, com transparência total, pelas redes sociais da campanha.
Obrigada de coração por ler até aqui.