
Nesta quinta (13/06), me deparei como que eu acredito ser a cena mais triste que já testemunhei, pessoalmente, em vinte e cinco anos de vida. Artorias, o gato da imagem, num estado bem diferente do comum. Tirei o bichano das ruas recentemente, mas não precisei ser um especialista para constatar que ele não estava nada bem. Mais cedo, neste mesmo dia, soube da morte da gata prenha do vizinho sob suspeita de envenenamento, mas nada foi provado. Tentei cuidar do felino com os poucos meios que conheço, mas fui aconselhado a levá-lo ao veterinário.
Meu contato com animais sempre foi esporádico; meu conhecimento também não é de um especialista, mas cresceu exponencialmente com a presença de Artorias. Nos primeiros dias, o bichano revelou sua proatividade ao caçar um rato. No entanto, com o passar dos dias, notei que ele estava cada vez mais quieto, menos "ligado" no que acontecia em seu entorno. A suspeita de algo errado se iniciou aí, mas eu ainda não sabia identificar de forma objetiva os sinais de uma possível doença.
Eu também nunca tinha ido num veterinário. Não sabia como funcionava o sistema de internação do animal. Fui em três veterinários, mas internei o gato sob cuidados médicos. O primeiro veterinário me propôs um orçamento que ultrapassava os 500 reais, e algumas informações que me esclareceram algumas coisas, como por exemplo o estado do gato. Não foi envenenado. Está muito desidratado, anêmico, com temperaturas baixíssimas (35,2) e com dificuldades respiratórias, mas ainda vive.
Eu sequer fazia ideia de que deveria pagar o custo de internação do animal logo de cara. Nunca precisei utilizar este serviço, e não ter me informado foi um erro. Deixei o primeiro veterinário e caminhei pouco mais de 1,5km com o gato numa caixa de papelão, agasalhado por um cobertor improvisado de camisetas velhas, até chegar num segundo veterinário onde o plantão não estava disponível, o que me levou ao terceiro, onde internei Artorias.
Durante a caminhada, eu percebi que eu tinha duas escolhas:
1. internar o gato 2. deixá-lo morrer
O simples ato de ponderar entre um e outro já me deixou desconfortável. Eu não podia fazer isso com o pobre animal. Se eu o deixasse para trás e seguisse meu caminho, eu estaria sendo conivente com muitas outras atrocidades cometidas com os bichos. Além da consciência pesada, o sentimento que aprendi a ter pelo gato foi outro fator importantíssimo para me fazer perceber que não havia uma segunda opção.
Tudo que eu tinha no bolso era minha carteira com alguns documentos. Consegui transporte só de ida, enquanto que a volta eu fiz a pé por 4,4km de distância. Para um sedentário, acredite, é muito. No fim das contas, priorizei os cuidados ao gato, porque seria inconcebível privá-lo da chance de sobreviver pela minha falta de condições. Por isso vim até aqui, para pedir que me ajudem. Ou melhor, que ajudem Artorias.