
Olá, eu sou a Tayó artista independente da zona sul de São Paulo. E estou desenvolvendo o meu primeiro festival cultural independente, que inicialmente surgiu no processo de formação em Produção Cultural de uma politica pública, após uma ocasião, fui desligada da política pública e decidi seguir com a ideia do festival, como forma de resistência da minha narrativa e fazer cultural.
A vakinha tem o intuito de arrecadar verba para custear o catering/a alimentação da equipe artística e técnica do festival e outras demandas de organização estrutural do festival.
Após articulação com espaços independentes da zona sul, conseguimos um apoio de R$1.200,00 do Fundo Comunitário Perifasul M'boi. No entanto, esse valor custeia apenas a produção da exposição de fotos de famílias negras.
Estamos em busca agora de garantir a dignidade alimentar dos artistas que vão integrar esse potente festival que vai acontecer no dia 10 de outubro, à partir das 15h no Centro Cultural Santo Amaro.
Apresentação da proposta:
O festival Fio da Memória reafirma o patrimônio cultural da população negra periférica da zona sul de São Paulo, onde distritos como Capão Redondo e Jardim São Luiz concentram cerca de 55% dessa população, enfrentando as consequências diretas do racismo ambiental. Reconhecendo a segregação socioespacial e a precariedade habitacional que expõem objetos de memórias familiares a danos físicos irreversíveis por mofo e umidade, e levando em consideração a expectativa de vida que é menor do que em bairros centrais, o projeto propõe uma intervenção na salvaguarda da memória coletiva. Através de uma exposição de fotos, feira de artesanato e intervenção artística de dança e performance como ferramenta(s) política(s).
Justificativa:
O festival Fio da Memória nasce da urgência em revitalizar a ancestralidade preservada no cotidiano das famílias negras da zona sul de São Paulo. Ao investigar os álbuns fotográficos destes territórios, emerge um padrão alarmante: a decomposição física das imagens por mofo e umidade. Como materiais fotográficos possuem uma estrutura físico-química complexa e instável, a vulnerabilidade do suporte e da emulsão, torna-se o campo de batalha onde o racismo ambiental se materializa. Este fenômeno afeta não apenas o corpo, mas o patrimônio afetivo e a memória coletiva, entendida aqui como um patrimônio comum que conecta indivíduos a seus antecedentes e comunidades. Embora o projeto não pretenda solucionar sozinho uma questão estrutural, ele propõe celebrar vidas moldadas por jornadas exaustivas, devolvendo dignidade aos momentos de pausa e afeto. Através de uma abordagem multilinguística e da valorização do afroempreendedorismo, o festival transforma a dor da perda em potência de encontro, promovendo a democracia cultural e garantindo que as histórias das periferias sejam transmitidas como um patrimônio vivo e preservado às futuras gerações.