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Um médico Ribeirinho -Indígena na Terra do Meio- Xingu
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Um médico Ribeirinho -Indígena na Terra do Meio- Xingu

ID: 3907852
Eu sou Herick, tenho 24 anos e sou filho de uma indígena Arara da volta grande do xingu e um ribeirinho da reservar extrativista do Rio xingu (Resex Rio Xingu). Esse ano, depois de muita luta, Atualmente entrei na faculdade de medicina na u ver tudo
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Vaquinha criada em: 28/07/2023

Eu sou Herick, tenho 24 anos e sou filho de uma indígena Arara da volta grande do xingu e um ribeirinho da reservar extrativista do Rio xingu (Resex Rio Xingu). Esse ano, depois de muita luta, Atualmente entrei na faculdade de medicina na universidade federal do Pará (UFPA) em Altamira. Eu sempre quis ser médico, sempre tive esse desejo e apego pela área, mas algumas partes da minha história tentaram tirar isso de mim. Antes da criação da RESEX reservar extrativista, meus pais tiveram um período de grande sofrimento -, onde eles foram obrigados por grileiros a saírem do seu lugar de origem. Depois disso fomos para a cidade de Altamira, onde comecei a estudar em escola pública. Na cidade nós passamos longos períodos de sofrimento, fome e sufoco. O meu pai foi uma das lideranças da linha de frente na luta pela criação da resex confrontando interesses poderosos e por isso, nós recebíamos muitas ameaças de morte por fazendeiros, grileiros, de pessoas que queriam tomar a terras das comunidades tradicionais do xingu. Foi um período muito difícil, passamos fome muitas vezes. O meu pai vivia viajando, arriscando a própria vida para salvar a terra onde tem nossa história, contém nossos costumes. Assim, devido isso a maioria do tempo na minha infância eu passei longe do meu pai, aflito, com medo de receber a notícia de que alguém tinha matado ele. Foi muito difícil, mas ganhamos e em 2008 foi assinada criada a reserva extrativista do Rio Xxingu. Meu pai recebeu o papel assinado do próprio presidente Lula no dia do meio ambiente em Brasília. Foi uma festa enorme. Logo depois meus pais decidiram nos levar para morar na RESEX, onde eu passei quase 10 anos sem estudar, pois ainda não havia escolas dentro das comunidades. Porém, eu não parei completamente de estudar, continuei estudando em casa com os poucos livros que eu tinha na época. Sempre quando tinha reunião dentro da comunidade, eu aproveitava para pedir para as pessoas das instituições me passarem atividades, me doarem livros, porque eu não aceitava a idéia de cancelar o meu sonho de ser médico. Depois de muito tempo, e muita luta do nosso povo ribeirinho, conseguimos escolinhas para as comunidades, mas as mesmas só era do fundamental menor do primeiro ao quarto ano, e eu já havia passado dessa fase. então permanece sem o ambiente escolar. Então Até que surgiu uma oportunidade para mim e outros jovens para me conseguir concluir os meus estudos e finalmente pude seguir o caminho que tanto queria que era chegar até a faculdade de medicina. A oportunidade veio através de um projeto do magistério extrativista articulado por várias instituições e coordenado pela UFPA e eu finalmente conseguir o meu certificado do ensino médio e comecei a jornada do pré vestibular para medicina em 2019. Foram mais 4 anos de luta, até que conseguie entrar para a tão sonhada faculdade, através do processo seletivo especial para indígenas e quilombolas (PSE). Agora meu objetivo é baseia- se em buscar conhecimento e atuar dentro das comunidades ribeirinhas e indígenas, pois são povos que ainda enfrentando constantes dificuldades de acesso à saúde. Fiquei muito feliz por ter conseguido entrar para um dos cursos mais concorridos do país. Porém no período em que entrei pra faculdade, também arrumei um família, e hoje minha luta é tentar manter um equilíbrio entre faculdade e família. mas atualmente estou precisando de ajuda, pois estou com o meu filho de 8 meses, sobre os cuidados da minha esposa no período em que estou na faculdade e atualmente não tenho tempo para trabalhar e nem de onde tirar dinheiro para os custo da vida na cidade. Quando entro no período das férias eu vou para minha comunidade ajudar meus pais a trabalhar na roça, fazer extração de castanha e babaçu. Eles também me ajudam, mandando produtos da roça como farinha e outros, mas não é o suficiente, pois na cidade cidade os custos vão bem além da alimentação. Nesse período em que estou na faculdade, já fiz alguns pedidos de bolsa de estudos para indígenas, mas foram negados, alegam que não sou “indígena pois eu não sou aldeiado”. Atualmente, tento estudar com equipamentos precários, um computador e celular velhos que particularmente não me ajudam muito por serem lentos e , pois o meu é de uma versão atinga e não terem memória suficiente para os diversos suportarem os livros e artigos repassados em PDFs. , o meu computador que uso e um de mesa que também vive travando e não possuí muita memória. Para além desses problemas, existem outros que me preocupam a cada dia, quedia que é a questão financeira de como vou manter minha família nesses 6 anos de faculdade. Tentei abrir um restaurante com ajuda do meu irmão, mas não deu muito certo. Estou buscando outras alternativas, mas por enquanto preciso de um fôlego pra me estruturar e me concentrar nesse início de curso e estou aqui pedindo essa ajuda!

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