
Ex-integrante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8), da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o jornalista Aluizio Palmar é fundador e editor do maior site de arquivos da ditadura, intitulado “Documentos Revelados”, com mais de 80 mil registros escritos e fotográficos, fruto de décadas de pesquisa, a servir de fonte, inclusive, para as Comissões da Verdade.
Atuante junto ao Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu (CDHMP) e também o Comitê de Acompanhamento da Sociedade Civil na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Aluizio é fluminense, natural de São Fidélis e está radicado na região de fronteira trinacional há mais de quatro décadas.
Começou a vida como militante ainda no ensino médio. Foi preso em abril de 1969, quando estava no oeste do Paraná para articular a resistência à ditadura no campo. Foram quase dois anos privado de liberdade, passando por quatro centros de tortura no Paraná e no Rio de Janeiro.
Aos 26 anos, perdeu o nascimento de sua primeira filha, foi torturado e ficou confinado em uma cela solitária. Em 1971, foi para o exílio no Chile, junto com outros 69 presos políticos, em troca da libertação do embaixador da Suíça no Brasil, Giovanni Bucher. Dois anos depois, aquele país também sofreu golpe militar, derrubando o governo do socialista Salvador Allende e instaurando a ditadura de Augusto Pinochet.
O combatente então foi para o interior da Argentina, onde ninguém o conhecia. Lá se encontrou com a esposa e a filha. Nesse período, teve outros dois filhos. Pouco tempo depois, em 1976, precisou se mudar novamente porque os militares tomaram o poder na Argentina. Com a Lei da Anistia, Palmar voltou para Foz do Iguaçu onde mora até hoje.
Em 1980, criou o jornal Nosso Tempo, que durou quinze anos, denunciando as violências da ditadura. Ele também escreveu o livro-reportagem “Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?” que revela o massacre de seis militantes atraídos para uma armadilha montada no oeste do Paraná.
No ano de 2016, foi lançado o relatório da Comissão da Verdade do Paraná, após cinco anos de pesquisa para apurar violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar. São onze capítulos e dois volumes que reúnem o resultado das investigações.
Diante de sua relevância histórica, o V Ciclo Descomemorar Golpes, do Departamento de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa estendeu um convite ao nobre companheiro em questão. No entanto, como os custos de viagem são relativamente altos e a instituição não dispões de recurso para bancar sua vinda e sua volta, optou-se pela concepção da presente "vaquinha". Ajude! Colabore! Divulgue! Aluízio será eternamente grato.